Project CARS 2 traz sensação de ser piloto profissional aos videogames [Análise]

Por Sérgio Oliveira | 27 de Setembro de 2017 às 09h20

Os jogos de corrida geralmente se dividem em duas categorias: arcade e simuladores. Na primeira delas estão títulos como Need for Speed e Forza Horizon; na segunda, Forza Motorsport e Gran Turismo. O lançamento de Project CARS em 2015 fez surgir uma nova categoria, a de supersimuladores, que agora ganha Project CARS 2 como seu novo integrante.

O título desenvolvido pela Slightly Mad Studios é uma clara evolução em relação a seu antecessor, melhorando todos os aspectos de Project CARS e corrigindo suas principais falhas. O resultado desse esforço é um simulador praticamente impecável, com gráficos incríveis, física extremamente apurada e controles aprimorados.

Esse último ponto é de extrema importância, sobretudo para quem tem planos de curtir Project CARS 2 usando joystick. Muita gente que tentou fazer isso no primeiro game acabou abandonando o título tamanha a frustração em não conseguir controlar o carro. Agora, embora o novo jogo, em seu íntimo, ainda seja destinado principalmente para um público mais hardcore que tem volante e pedais, os controles estão mais amigáveis e dá para usar o joystick satisfatoriamente.

Apesar de ter tornado os ajustes mais simples - substituindo parâmetros que pouca gente entendia por sliders -, o jogo ainda exige uma certa paciência do jogador, que deve gastar alguns vários minutos ajustando e testando as configurações até encontrar o setup ideal. Outra opção, para não fazer tudo às escuras, é recorrer às centenas de vídeos disponíveis no YouTube que explicam cada ajuste e indicam setups ideais para cada perfil de jogador.

Realismo a toda prova

Superado esse obstáculo inicial, é chegada a hora de lidar com todo o realismo que Project CARS 2 traz consigo. Não adianta mentir: o nível de dificuldade é grande e a curva de aprendizado é longa, principalmente para quem já quiser percorrer os primeiros quilômetros pilotando uma Ferrari, Porsche ou Fórmula 1. O game é impiedoso e não demora muito para percebermos que anos de Forza ou Gran Turismo não ajudam em praticamente nada aqui.

Para ter ideia da gravidade da coisa, mesmo com todas as assistências disponíveis ativadas, muita gente pode sentir dificuldade para domar o monstro de centenas, talvez milhares, de cavalos que está pilotando. Não adianta ligar o ABS e enfiar o dedo no botão de freio que as rodas vão dar leves travadas e comprometer o esterçamento. Do mesmo modo, não adianta ativar o controle eletrônico de tração e atolar o dedo no acelerador após uma curva que o carro vai rodar, sim. E se você abusar da máquina, logo sentirá os freios desgastados, os pneus com pouca aderência e pagará o preço de se encontrar dolorosamente com o guard rail ou com um adversário mais lento.

O jogador precisa ter tato e "sentir" o veículo para tirar o máximo desempenho dele. No Xbox One é mais fácil ter toda essa sensibilidade, mesmo utilizando o joystick. Graças à vibração dos gatilhos, é possível sentir exatamente quando exageramos ao acelerar, frear e fazer curvas.

Mesmo com todas as assistências habilitadas, jogadores menos experientes ainda encontrarão dificuldades para lidar com os carros
Mesmo com todas as assistências habilitadas, jogadores menos experientes ainda encontrarão dificuldades para lidar com os carros (Imagem: Divulgação)

Toda essa meticulosidade também se reflete nos gráficos. Carros clássicos, de turismo, superesportivos e de outras 26 categorias são fielmente reproduzidos, desde suas linhas de design até o roncado dos motores e o barulho dos escapamentos. Os mais de 140 circuitos também estão extremamente caprichados e ficam ainda mais bonitos com as mudanças climáticas que acontecem durante as corridas. E não estamos falando apenas de sol e chuva, mas também de neve e gelo, o que obriga os jogadores a ajustarem toda a estratégia dos boxes e da corrida.

Inclusive, este é um aspecto que Project CARS 2 traz do seu antecessor e melhora: a possibilidade de ajustes. Aqui, praticamente todos os aspectos mecânicos dos 180 carros disponíveis no título podem ser ajustados individualmente, o que virtualmente faz cada um deles ser único. Se você não manjar de absolutamente nada de mecânica, uma inteligência artificial poderá ajudar a encontrar o ajuste ideal fazendo perguntas do tipo "O carro está lento nas retas?", "O carro está freando rápido demais?" e assim por diante.

180 carros de 29 categorias diferentes estão muito bem reproduzidos
180 carros de 29 categorias diferentes estão muito bem reproduzidos (Imagem: Divulgação)

Essa miríade de opções para acertar o carro do seu jeito também é levada às configurações de corrida. Apesar de ser extremamente caxias com aquilo que se propõe, o game dá uma aliviada e deixa o jogador definir o circuito, os tipos de carros que podem competir, as regras da corrida, quantas voltas ela terá e sob quais condições acontecerá. As possibilidades são infinitas.

Like a pro

Quem busca por algo mais próximo da realidade também na maneira de competir pode optar pelo modo carreira. Nele, criamos um piloto e escolhemos a partir de qual categoria queremos iniciar nossa jornada rumo à Tríplice Coroa do automobilismo. Fica a seu critério iniciar no kart, nas categorias de base ou já nas categorias de ponta.

À medida que corridas são vencidas, o jogador vai ganhando popularidade e sendo convidado para participar de desafios, corridas históricas e para ser garoto propaganda de algumas marcas. Assim como na vida de um piloto profissional, a glória não vem de maneira fácil. É preciso se empenhar para aprender o traçado das pistas em treinos livres, saber exatamente onde frear, como o carro se comporta sob chuva intensa, fazer pole positions e garantir pódios e campeonatos para alavancar sua carreira.

Os circuitos têm vida e uma corrida que iniciou em um dia ensolarado pode acabar durante uma forte nevasca à noite
Os circuitos têm vida e uma corrida que iniciou em um dia ensolarado pode acabar durante uma forte nevasca à noite (Imagem: Divulgação)

O esforço para dominar Project CARS 2 é recompensador para quem é fã inveterado do automobilismo e sempre se imaginou como um piloto profissional. Para essas pessoas, o título da Slightly Mad Studios pode ser o simulador definitivo desta geração de videogames. Mas, estranhamente, todo esse compromisso com a realidade que atrai um público mais fiel e apaixonado pelo esporte torna o game demasiadamente complexo para os novatos que querem experimentar o que há de mais próximo de pilotar um carro real em alta velocidade sem sair de casa. Para esse público, Project CARS 2 ainda é assustador e intimidador.

Project CARS 2 foi analisado no Xbox One com cópia digital gentilmente cedida ao Canaltech pela Bandai Namco.

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