Análise | Jurassic World Evolution é o game que nos permite construir um sonho

Quem é da geração anos 1990 com certeza se lembra da revolução representada por Jurassic Park. Os dinossauros animatrônicos trazidos à vida por Steven Spielberg e sua equipe em um dos melhores filmes de todos os tempos já eram incríveis por si só, e a ideia se tornava ainda maior quando estava disposta em um parque para visitação.

O sonho do personagem John Hammond (interpretado pelo saudoso Richard Attenborough) foi tornado realidade para qualquer jogador com Jurassic World Evolution. O jogo lançado para PC, PlayStation 4 e Xbox One coloca o usuário na posição não apenas de administrador do parque, mas o torna responsável por absolutamente todos os seus aspectos, desde a pesquisa de animais para criação até aspectos como segurança, arquitetura e o cardápio dos restaurantes.

Após um breve tutorial introdutório que mostra o sistema de criação de dinossauros e ensina a realizar expedições em busca de mais fósseis para continuar a pesquisa, somos lançados no mundo com todas as suas ferramentas. De início, são poucas estruturas, criaturas e elementos disponíveis, mas logo nos primeiros minutos o jogador já tem a liberdade de agir como quiser.

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Isso, por um lado, significa pouca enrolação para os já iniciados no mundo da simulação e estratégia. Os elementos típicos de jogos desse tipo, como os recursos naturais, são substituídos de forma praticamente única pelo dinheiro. Afinal de contas, estamos falando de uma administradora de um parque incrivelmente lucrativo, com visitantes ávidos para gastarem suas verdinhas para verem os dinossauros de perto.

Não se empolgue, porém, com a presença de mais de US$ 2 milhões em sua carteira logo de início, pois o maquinário para tocar um parque dessa categoria é caro, enquanto a engenharia genética torna o processo de criar dinossauros mais custoso, mas também gera animais mais lucrativos e agradáveis aos olhos. Ao contrário do que dizia o velho Hammond, em Jurassic World Evolution é melhor que o jogador poupe um pouco nas despesas.

Rapidamente, também, o jogador vai perceber que o parque é um ecossistema vivo que envolve turistas, pessoal técnico, dinossauros e principalmente seguranças, afinal de contas ninguém quer que problemas aconteçam em uma atração que pode comer os turistas. A liberdade para fazer qualquer coisa logo de início chama a atenção, como já dito, mas também implica em um problema de equilíbrio que transforma a tentativa em menos estratégia e mais tentativa e erro.

Jurassic World Evolution dá liberdade ao jogador, mas é preciso usar esse privilégio com cautela (Imagem: Divulgação/Frontier Developments)

A ausência de tutoriais para elementos importantes do gerenciamento obriga o jogador a aprender muita coisa na prática. O bom senso, por exemplo, dita que todo viveiro de dinossauros precisa contar com alimentação, mas você sabia que para recarregar os comedouros é preciso ter uma equipe de tratadores que trabalha a partir de um prédio especializado? Não colocar carnívoros e herbívoros em uma mesma jaula soa óbvio, o funcionamento das redes de energia, nem tanto.

É preciso aprender tudo sozinho e, como viu nos filmes, logo vai perceber que nada dá “pouco errado” em um empreendimento dessa categoria. Toda ação em Jurassic World Evolution necessita de dinheiro, e sem ele fica difícil de consertar um parque sangrando. E a coisa começa a ficar cada vez pior na medida em que os visitantes ficam nervosos e os dinossauros mais agressivos, destruindo jaulas e avançando nos turistas. Só que, desta vez, o culpado não é um espião ou um desastre natural, mas única e exclusivamente você, mesmo sem ter a menor ideia do que está fazendo.

A balança se inverte completamente, entretanto, quando se domina as mecânicas, algo que não leva mais do que algumas horas. Quando se entende exatamente o que fazer e a ordem mais adequada de fazer o parque crescer, é fácil ver o lucro se multiplicando e permitindo mais e mais expedições, construções e dinossauros.

Uma boa avaliação vai te levar longe

Conhecendo as mecânicas, não é difícil gerenciar o parque. Um deslize, porém, pode colocar tudo a perder (Imagem: Divulgação/Frontier Developments)

O sistema de progressão de Jurassic World Evolution é igualmente livre. O título apresenta um sistema de missões e contratos com três departamentos específicos (Segurança, Ciência e Entretenimento), que cuidam dos três pilares centrais do parque. Elas indicam objetivos e um caminho a seguir, caso o usuário prefira seguir assim em vez da maneira livre também proporcionada.

Esses elementos garantem injeções extras de dinheiro e também o acesso a algumas estruturas e linhas de pesquisa. A verdadeira progressão, entretanto, está em uma dinâmica de estrelas, que indica a qualidade de suas atrações na visão do público. Consiga três e você “passará de fase”, liberando uma nova ilha das “Cinco Muertes”, um arquipélago nas proximidades da Costa Rica, com desafios diferentes e, no mais interessante, novos dinossauros para criar.

Estruturas destravadas, dinossauros pesquisados e upgrades são transferidos de ilha a ilha, mas o dinheiro obtido na primeira não passa para as outras. Cada uma delas também apresenta aspectos diferentes em termos de tamanho, exigindo mais organização, terreno, com elevações ou barrancos que impedem as construções (esqueça a ferramenta de nivelamento, ela é cara e de dificílima utilização), ou clima, com tempestades que podem destruir o parque completamente.

Em Jurassic World Evolution, turistas felizes significam dinheiro entrando e parque crescendo (Imagem: Divulgação/Frontier Developments)

Além disso, a toda poderosa Ilha Nublar, cenário do Jurassic Park e também dos novos filmes da série Jurassic World, está presente e serve como um modo “sandbox”. Liberado quando se atinge quatro estrelas em qualquer um dos outros cenários, o local é plano e limpo, trazendo dinheiro infinito para que o jogador possa construir seu parque dos dinossauros sem a necessidade de cumprir missões ou se preocupar com o clima e outros elementos.

Destravar essa etapa não é difícil e ela, com certeza, será onde os jogadores passarão a maior parte do tempo. Entretanto, o usuário estará restrito aos prédios desenvolvidos nas outras ilhas e aos dinossauros descobertos em expedições realizadas nelas. Ou seja, o mundo é livre, mas a construção do parque final, digamos assim, está diretamente relacionada ao trabalho feito, ou não, nas Cinco Muertes.

É mais um elemento interessante de progressão, que, novamente, dá liberdade ao jogador ao mesmo tempo em que demonstra a importância de seguir as indicações na tela. As mãos de quem está no controle, porém, jamais estão atadas e há sempre a possibilidade de escolha e também de mudança no meio do caminho, sem que a evolução seja afetada negativamente.

Novamente, entretanto, entra em jogo a questão do balanceamento. Principalmente em Matanceros, a ilha mais fácil, e uma vez dominando as mecânicas, é fácil para o jogador criar um parque lucrativo e saudável, mesmo que com poucos dinossauros. Habilitar novas ilhas libera novas linhas de pesquisa e genoma, mas elas não precisam ser cumpridas necessariamente no mesmo local do destrave.

Sendo assim, o jogador pode “burlar” o sistema, liberando ilhas e retornando à anterior e mais lucrativa, realizando todo o desenvolvimento e expedições necessárias naquela que gera mais lucros. Depois, pode retornar apenas para aplicar tudo isso na prática, o que facilita muito a obtenção das três estrelas, a liberação de um novo cenário e, logicamente, o reinício desse processo.

Esse aspecto também traz um elemento de monotonia. Como tantos outros games de estratégia, construir ou realizar pesquisas toma tempo, mas não há muito o que fazer simultaneamente em Jurassic World Evolution, principalmente no início do game, quando estamos economizando, ou mais adiante, quando o parque já está estabelecido. Realizar expedições ou desenvolver tecnologias, então, acaba se tornando um jogo de espera não muito agradável.

Ver um parque grande e funcionando é uma das maiores alegrias de Jurassic World Evolution (Imagem: Divulgação/Frontier Developments)

Talvez, porém, esse seja exatamente o objetivo, principalmente quando se leva em conta os gráficos bonitos do jogo e a vida aplicada sobre os cenários. Há muito acontecendo o tempo todo, com dinossauros se alimentando em um viveiro, turistas tirando fotos em outro, um carnívoro tentando encontrar falhas de segurança ou rangers realizando seus trabalhos. É bonito de ver o parque em pleno funcionamento, algo que, também, não deixa a desejar em performance.

Talvez esse caráter contemplativo seja, no fim das contas, um dos intuitos da Frontier Developments com o game. No primeiro Jurassic World, vimos a personagem Claire Dearing (Bryce Dallas Howard, que também dubla o game) tão atribulada com a administração do parque que é incapaz de achar tempo para ficar com os sobrinhos, quanto mais admirar as maravilhas da ciência diante de si. É fácil, em Evolution, se deixar levar e não observar exatamente o que está sendo construído ali.

Esse aspecto acaba sendo mais emocional e subjetivo, mas deve atingir em cheio aos fãs. Se você se encantou com os parques funcionais vistos em Jurassic Park e Jurassic World, é melhor se preparar para passar por isso tudo de novo, só que agora estando no controle de tudo. A vida sempre encontra um caminho e, neste caso, uma das franquias mais incríveis do cinema parece ter um jogo que, mesmo com alguns tropeços, reflete de forma interessante a magia das telonas.

* Jurassic World Evolution foi analisado no PC, em cópia gentilmente cedida ao Canaltech pela Frontier Developments.

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