A Sony não quer mais saber de consoles portáteis

Por Felipe Demartini | 04 de Dezembro de 2019 às 11h53

A Sony não está mais interessada no mercado de videogames portáteis. Essa declaração, que já havia sido feita por outros executivos da fabricante, foi dada agora por Jim Ryan, CEO da divisão de entretenimento eletrônico da companhia, que afirmou em entrevista à imprensa americana que a marca não está mais envolvida nesse tipo de negócio e, sendo assim, não deve lançar um sucessor para o PlayStation Vita.

Relembrando a trajetória da companhia diante do aniversário de 25 anos do Playstation, Ryan elogiou o portátil, chamando-o de “brilhante” e afirmando que ele entregava uma ótima experiência para os gamers. Entretanto, logo na sequência, ele é taxativo, deixando claro que esse não é mais um segmento no qual a Sony deseja se envolver.

Basta olhar a trajetória do aparelho para entender isso. Lançado com pompa e circunstância em dezembro de 2011, o Vita foi ventilado como uma versão portátil do PlayStation 3 e um sucessor de peso para o PSP, primeira empreitada da fabricante no mundo dos portáteis e um lançamento incrivelmente bem-sucedido. A história do segundo aparelho, entretanto, foi bem diferente.

Seja por decisões esquisitas como a mídia usada para seus cartuchos, o que encareceu o preço dos jogos, ou o atrapalhado lançamento de uma versão set-top box que não durou muito tempo, o Vita começou a apresentar vendas abaixo do esperado já em seu segundo ano nas prateleiras. O apoio de desenvolvedores independentes ocidentais e produtores de JRPGs e visual novels orientais levou o aparelho adiante, mas não o bastante para que ele permanecesse no foco da Sony, com os fãs considerando o aparelho rapidamente abandonado em prol do PS4, que lidera a atual geração de consoles de mesa.

Números finais não foram liberados pela fabricante, mas dados estimados afirmam que o PlayStation Vita teve cerca de 16 milhões de unidades vendidas em todo o mundo durante seu ciclo de vida, encerrado neste ano. Apenas a título de comparação, seu principal concorrente, o Nintendo 3DS, também foi lançado em 2011 e, até hoje, acumula mais de 75 milhões de unidades vendidas.

A fala é semelhante às declarações de outros executivos da Sony, que anteriormente já haviam decretado uma saída da empresa do segmento de consoles portáteis. Foi assim em 2016, quando Jack Tretton, recém-saído do posto que hoje é de Ryan, afirmou que o Vita chegou tarde demais em um mercado que gostava de aparelhos portáteis, mas preferia dispositivos que não eram apenas voltados para os games, mas também realizavam outras funções, como os smartphones.

Da mesma forma, em 2015, Shuhei Yoshida, ex-diretor dos estúdios de desenvolvimento da Sony e um dos responsáveis por costurar as parcerias que deram uma sobrevida ao Vita, afirmou que o clima não era mais o ideal para um sucessor do portátil, novamente por causa do domínio dos games para smartphones. Entretanto, John Kodera, que hoje ocupa esse posto, afirmou que gostaria de ver a fabricante voltando a experimentar nesse mercado, mas, quem sabe, de uma forma semelhante ao Nintendo Switch, ofuscando as barreiras entre portáteis e consoles de mesa.

Nada de oficial, entretanto, foi anunciado. E enquanto o PlayStation Vita permanece oficialmente morto, um sucessor não aparece nem mesmo na forma de rumores, um grande sinal de que nada, efetivamente, está a caminho. Aos fãs, resta esperar e torcer, mesmo que essa vontade pareça ir contra qualquer traço de realidade.

Fonte: Game Informer

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