Videogames podem ficar de fora do Vale-Cultura

Por Caio Carvalho | 04 de Fevereiro de 2013 às 09h00
photo_camera Divulgação

Há alguns dias, você viu aqui no Canaltech sobre como o Vale-Cultura poderia impactar o mercado nacional de jogos eletrônicos. Pois é, poderia, já que agora a inclusão de games no projeto está ameaçada. Conversamos com Kao Tokio, especialista e pesquisador na área de games, que nos explicou melhor o assunto.

Durante a última Campus Party, em São Paulo, o presidente da Acigames, Moacyr Alves Jr., nos disse que existem dúvidas dos gestores do projeto sobre como a inclusão dos games no Vale-Cultura pode estimular o mercado brasileiro. "A visão deles é que, pelo fato da mídia ser importada, logo não agregaria valor ao produto fabricado no Brasil".

É curioso saber que o governo ainda levanta esse tipo de dúvida, como destaca Tokio. "A dúvida deixa de ser verdade a partir do momento que se entende que vários tipos de empreendimentos voltados para jogos eletrônicos têm sido realizados no país. A Microsoft, por exemplo, já fabrica o Xbox 360 no Brasil; as mídias físicas também começam a ser produzidas por aqui; também temos todo um processo de localização para o nosso idioma, seja na dublagem ou legenda. Com isso, nota-se que existe um alto investimento de companhias internacionais para a fabricação de mídias eletrônicas aqui mesmo no Brasil".

Vale lembrar que o mercado nacional de games está em plenta ascensão. Não só grandes empresas inserem parte de seu capital para a produção de mídia brasileira, mas também desenvolvedores, startups e outros projetos estimulam a criação de títulos independentes que chegam ao usuário todos os dias e para vários tipos de plataformas, como tablets, PCs e smartphones. "É um absurdo pensar que filmes de Hollywood irão se beneficiar do Vale-Cultura, enquanto jogos eletrônicos talvez não. Por que não tratar os videogames também como forma de entretenimento?", afirma Tokio.

"Profissionais brasileiros não estão preocupados em fazer apenas jogos mais trabalhados para consoles da atual geração, mas também títulos educativos de qualidade e que podem servir como aplicações em sala de aula. Se o Vale-Cultura estiver vigente também para a venda de videogames, esses pequenos negócios poderão crescer e se expandir no mercado nacional".

Perguntado sobre o que os jogadores brasileiros podem esperar da inclusão ou exclusão dos games no Vale-Cultura, Kao Tokio disse que todos devem aguardar por uma implementação mais sólida da produção de jogos eletrônicos no Brasil.

"Por meio do jogo, aprendemos regras formais, regras de convivência, uma série de elementos que influenciam nosso cotidiano. Algumas pessoas insistem em dizer que jogo não é educativo, mas é importante entender que os videogames ajudam os usuários a falar sobre determinados assuntos de uma maneira muito mais abrangente. Acho que devemos ter outro olhar sobre os jogos eletrônicos no Brasil e entendê-los como parte de um processo educativo-cultural", conclui.

Sobre o Vale-Cultura

O Vale-Cultura é um benefício de R$ 50 mensais para quem recebe até cinco salários mínimos. O valor pode ser usado em serviços e produtos culturais como teatro, cinemas, livros e DVDs, e não precisa ser gasto necessariamente de uma vez só. O projeto de lei foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro do ano passado, mas ainda não está completamente formatado. De acordo com Kao Tokio, a previsão é que a implementação do benefício aconteça a partir de setembro deste ano.

Saiba mais sobre o Vale-Cultura e veja como ajudar a colocar os videogames no projeto.

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