Terceiro console mais vendido da história, Game Boy da Nintendo completa 25 anos

Por Caio Carvalho | 21.04.2014 às 18:11 - atualizado em 22.04.2014 às 09:53
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Muito antes da praticidade dos tablets e smartphones, surgiu no final da década de 80 um aparelho que iria reinventar a forma como jogar videogame fora do sofá da sala de estar. Era nessa época, mais precisamente no dia 21 de abril de 1989, que a Nintendo lançava no Japão a primeira versão do Game Boy, um dos dispositivos de maior sucesso da companhia.

Desenvolvido por Gunpei Yokoi, o Game Boy tinha o objetivo de unir as principais características dos gadgets da linha Game & Watch, que possuíam apenas um único jogo, com a variedade de títulos oferecida pelo NES, o famoso Nintendinho aqui no Brasil. Apesar de não ser o pioneiro entre consoles portáteis – em 1979, chegava ao mercado o Microvision –, o acessório pode ser considerado o que hoje são os celulares inteligentes, cuja portabilidade permite que qualquer pessoa, em qualquer lugar, faça uso de uma máquina com funcionamento independente de outros equipamentos. E claro, que caiba na palma da mão.

Yokoi e sua equipe queriam que o Game Boy expandisse esse conceito de portabilidade. E conseguiram. Com configurações modestas, o aparelho veio equipado com uma tela de 2,6 polegadas com resolução de 160 x 144 pixels, memória RAM de 8 KB e CPU de 8 bits que rodava a 4,19 MHz – especificações bem distantes do Full HD e dos processadores quad-core presentes nos gadgets atuais. O console era alimentado por 4 pilhas AA que duravam até 30 horas seguidas, cabia facilmente dentro do bolso da calça e custava aproximadamente US$ 100.

Outro diferencial do Game Boy foi o conceito de cartuchos intercambiáveis, que já existiam na época, mas que a Big N ajudou a estabelecer. Havia também o cabo Game Link, um dos primeiros periféricos do aparelho, que permitia que dois jogadores disputassem partidas entre si, cada um com seu Game Boy. Isso ajudou não apenas a consolidar os personagens da série Pokémon, como também a incentivar encontros entre fãs e usuários para duelarem entre si nas arenas da franquia.

Falando nos monstrinhos, foi no portátil da Nintendo que eles fizeram sua estreia. Outros jogos conhecidos também foram lançados para a plataforma, como Super Mario Land, Alleyway e o inconfundível Tetris, que vendeu mais de 30 milhões de cartuchos. Mesmo com bons títulos e vendas arrasadoras, nada era muito grandioso visualmente, já que a tela de 2,6 polegadas exibia imagens pixeladas apenas nas cores preta e branca. O som era a mesma coisa: ruídos e barulhos que quase não faziam sentido algum.

No entanto, o "grey brick" (tijolo cinza), como ficou conhecida a primeira versão do console, criou um legado que dura até hoje nos dispositivos de ponta lançados por várias empresas. Basta ver os sucessores do Game Boy original, como o Game Boy Pocket (1996), o Light (1998) – que vinha com uma luz externa que permitia jogar no escuro –, e o inovador Color (1998), que tinha um display LCD que exibia imagens coloridas. Não vamos nos esquecer do Advance (2001), o primeiro a vir com um design horizontal presente nos lançamentos seguintes da Nintendo, como o DS e o 3DS, e copiado pelo PSP e PlayStation Vita, da Sony.

25 anos após chegar ao mercado, o Game Boy continua sendo o terceiro console mais vendido da história com mais de 118 milhões de unidades – incluindo as vendas do Game Boy Color. No dia em que foi lançado, em 1989, o bom e velho "tijolão" vendeu 300 mil unidades no Japão em duas semanas e 40 mil apenas no primeiro dia quando foi comercializado nos Estados Unidos, em julho do mesmo ano. O aparelho deixou de ser fabricado em março de 2003, mas seus jogos ainda estão disponíveis pela loja virtual da Big N através do 3DS.

Game Boy

Embora o gadget tenha ajudado a estabelecer a Nintendo como uma das maiores companhias de jogos eletrônicos do planeta, a gigante japonesa não preparou nenhum tipo de evento para comemorar a data, nem mesmo soltou um pronunciamento sobre o aniversário do produto. Fato é que boa parte dos dispositivos móveis atuais que possuem suporte para jogos, sejam eles tablets, smartphones ou consoles de mão, deve isso ao legado do Game Boy que, mesmo com gráficos e efeitos sonoros bastante simples, é responsável por consolidar a portabilidade no mundo dos videogames.

E para matar a saudade, veja abaixo alguns dos comerciais da família Game Boy: