Análise - Sniper: Ghost Warrior 2 é um headshot de tristeza

Por Felipe Santana Felix

Lançado em 2010/11 para PC, Xbox360 e PS3, o primeiro Sniper Ghost Warrior acabou por ser um game com boas ideias mal executadas. Infelizmente o mesmo ocorre com o segundo game, que continua apenas uma promessa.

Decepção a longo alcance

Sniper Ghost Warrior 2 entrega bons controles de sniper, porém toda "epopeia" é comprometida por um fraquíssimo enredo, falta de polimento e atenção às dinâmicas de jogo que acabam por enervar até o mais "zen" dos jogadores.

Modo campanha ou multiplayer, não importa: o título parece não ser uma evolução do game anterior e sim um DLC com melhores gráficos. Todos os elementos - bons ou ruins - do título de estreia foram mantidos de forma idêntica e isto demonstra pouca preocupação com a evolução da série.

Até mesmo as animações em bullet time para tiros bem realizados continuam idênticas, nada de novas animações para tornar a gratificação por um bom disparo mais excitante.

A única mudança considerável em relação ao primeiro título está no equipamento. Agora, o fuzil de assalto foi substituído por uma pistola e isto enfatiza ainda mais um dos pontos que poderiam ser mais bem trabalhados no jogo, o stealth.

Não importa a dificuldade. Em grande parte da aventura, ser notado significa morte e o que a princípio parece ser desafiador se torna irritante.

O game deixa bem claro quais são os desafios e as únicas formas possíveis de superá-los. Às vezes com alguns tiros, outras com facadas e quase sempre com o stealth. Essas imposições ocorrem de diversas formas e por meio de variados interlocutores. Às vezes por um parceiro, na voz de uma bela companheira, um comandante ou, no mais severo de todos os déspotas, o próprio sistema do jogo.

A única esperança de liberdade, o mapa "sandbox", é uma mera ilusão e com isso a possibilidade de agir como um atirador de elite, analisando o local, pensando em uma estratégia e um melhor posicionamento não existem em Sniper: Ghost Warrior 2. No final tudo é tão linear quanto o cano de um rifle.

Um detalhe importante que deve ser ressaltado é a diferença gráfica entre a versão de PC para as de console. Mesmo com a Cryengine 3 as versões de console contam com gráficos ruins, além de todos os elementos negativos já mencionados.

Próxima missão

Mesmo sendo escorraçado pela crítica, o primeiro jogo vendeu cerca de duas milhões de cópias, talvez, devido à carência de novidades no gênero shooter que foquem puramente a experiência de um sniper.

Todavia, o "sucesso" do primeiro game serviu apenas para a desenvolvedora mudar a engine do game, mantendo grande parte dos elementos anteriores inalterados.

Assim a decepção será maior para aqueles que esperavam uma evolução do primeiro jogo com mudanças contundentes, sistemas de pontuação para regiões do corpo acertadas ou até mesmo variações nas animações de bullet time com efeitos de raios-X ou coisas do tipo.

Caso a City Interactive tenha pretensões de lançar mais um título da série, o mínimo esperado para a terceira missão é uma evolução. O tema Sniper é algo muito instigante e os controles da franquia Sniper: Ghost Warrior são muito bons, mas ainda falta muita coisa para que seja a experiência divertida e memorável que uma simulação de Sniper merece.

Notas:

Enredo: 50

Arte: 62

Audio: 56

Jogabilidade: 85

Conjunto: 52

Nota Final: 61

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