Resident Evil 6 abdica essência da série e abraça totalmente a nova geração

Por Vanessa Lee

Incontáveis noites sem dormir, jogando os primeiros dois jogos da série Resident Evil me fizeram muito feliz no passado. Ao ver os anos passarem e diversas produções da série ganharem vida, sob roteiros cada vez mais elaborados, tudo parecia muito bom... até Resident Evil 4 - tirando alguns spin-offs fracassados (Outbrake, Dead Aim e o mais recente Operation Raccoon City).

Já digo logo que não quero ser chata com relação à evolução da franquia e nem ficar choramingando nostalgia. Mas não dá para não levar em consideração o quanto ganhamos e o quanto perdemos da Capcom, ao reinventar essa saga. E eis que chegamos a Resident Evil 6, que chega com uma roupagem extremamente diferente, porém com os personagens conhecidos da galera, Chris Redfield e Leon Kennedy.

Chegamos a 2012 com mais um capítulo sobre bioterrorismo colossal. O novo episódio de Resident Evil veio atropelando qualquer lembrança que se tem sobre a série em sua essência original: história mais trabalhada, grande número de quebra-cabeças, zumbis clássicos e não corredores potenciais, estratégia e mais suspense. Pois bem, esqueça tudo isso.

Resident Evil 6 é um marco para a série, pois mesmo que RE 5 tenha coroado a estreia de um modo mais dinâmico de jogo, com mais ação, é nessa nova entrega que isso fica claramente visível e sem aquela timidez de “vamos tentar um novo estilo para a série, vamos aos poucos”. Não, a Capcom, sem medo, jogou nas mãos dos jogadores um game totalmente explosivo, cinematográfico, com ação do começo ao fim, novos personagens, tiroteio desvairado e gráficos infinitamente mais bonitos - caso este que faz a imersão no jogo ser maior. No entanto, tudo isso tomou todo o tempo de dedicação da produção, enfraquecendo a história.

O pretexto da vez é o seguinte: Em 2013, o presidente dos EUA, Adam Benford, decidiu revelar a verdade sobre o que aconteceu em 1998, na cidade de Raccoon, para que todos estivessem preparados para uma possível nova ameaça. Leon, sobrevivente do caos anterior e amigo pessoal do líder de seu país, acaba encontrando-se em um nova situação ainda mais aterrorizante: confrontar o presidente que agora não é mais o mesmo. A trama se estende para o Leste Europeu, onde está Jake Muller, filho de Albert Wesker e mercenário por natureza, porém nele existe um tipo de sangue raro, altamente poderoso, que pode mudar o rumo de todo o cenário de destruição que se estende desde os primórdios do segundo RE. Com ele está Sherry Birkin, filha do falecido Dr. William Birkin. Sua missão é proteger Jake. Enquanto isso, Chris Redfield, membro da Bioterrorism Security Assessment Alliance, chega à cidade ficticia de Lanshiang (baseada em Hong Kong), também sob a ameaça de um ataque bioterrorista.

Primeiro ponto que não vimos até então, exceto pela mecânica de gameplay de RE 2 (o meu favorito), as campanhas se dividem. Cada personagem traz um acompanhante, e no jogo você tem perspectivas diferentes sobre o mesmo evento, daí você escolhe qual delas quer seguir primeiro.

É interessante como as campanhas são realmente diferentes e umas contendo graus de dificuldade maiores ou menores, dependendo do personagem. O mais sossegado é o modo de Leon, que traz a agente Helena Harper para lhe dar retaguarda. Em sua parte da história temos alguns puzzles para resolver, maior movimentação sobre os cenários, porém tudo é muito objetivo. As hordas de zumbis são um pouco menores, no entanto o ‘boss’ compensa todo o resto. Suas armas são muito boas e, ao contrário de RE4, os combates corpo-a-corpo são mais contundentes. Leon dá mais piruetas e luta na base da porrada mesmo. Passar as fases com a faca se torna muito mais prazeroso, fora que Helena te dá uma assistência providencial, ao contrário da parceria que rolou entre Sheva e Chris, em RE5. Aqui, amigo é coisa pra se guardar e seus companheiros vão lhe ajudar de fato.

Caso você escolha já começar com Jake, prepare-se, pois no caso do garoto aí os combates são mais constantes e as armas um pouco mais escassas. O que faz total sentido, já que ele tem poderes genéticos que lhe dão força suficiente para acabar com os oponentes na unha. De qualquer forma, é bom evitar as saraivadas de tiro, pois queira ou não ele é de carne e osso e pode se ferrar numa investida mal pensada. Contando com a ajuda de Sherry Birkin, confesso que essa campanha foi a que mais me atraiu, isso porque estou considerando um personagem totalmente novo. Nesse caso, a Capcom mandou bem e nos apresentou um cara que pode render um jogo só pra ele.

Para os fãs do bombadinho Chris Redfield, o cara está lá para quem quiser, no entanto, encontramos um cara totalmente desgastado pelo tempo de serviço na BSAA. Melancólico e frustrado, seu gameplay já começa com o personagem caindo de cara na bebedeira. Com seu passado nada tranquilo, em que perdeu muitos amigos e companheiros de missões, a culpa é um dos motivos que o fazem recuar, até que Piers Nivans aparece para tirar o cara da fossa e encarar novamente mais uma missão cheia de riscos. O gameplay dessa campanha não foge muito do que vimos em RE5, exceto pelas armas, combos de combate corpo-a-corpo e maior interatividade com os cenários.

Inventário e Armas

O sistema de inventário é uma chatice. Confuso e nada ágil, os jogadores poderão perder momentos valiosos de fuga enquanto pegam uma granada ou mesclam as ervas de health. Uma burrice para quem prezava a agilidade que até no Resident Evil 5 ainda era possível. Além disso, os inventários não foram padronizados, ou seja, muda a cada personagem. Não existe aquele lance de se acostumar com uma mecânica, pois quando for começar uma nova campanha é como se você zerasse seus conhecimentos.

Já com relação às armas, desinteressante é a maneira como elas surgem. Não tem estratégia. Nem na hora de matar os bosses. Nesse ponto, vou me dar o direito que resgatar o que era bom do passado para abrir um comparativo. Antes tínhamos aquela coisa: vamos deixar arma ‘A’ pra matar bicho ‘Y’, certo? Então, nesse caso esqueça. Óbvio que tem armas mais fortes que outras, só que não tem mais graça e nem aquela adrenalina peculiar que os games antigos tinham. Pra viver nesse game não é preciso estratégia, é só sair atirando ou passando a faca que a bicharada cai por terra.

Extra Ada Wong

Após terminar as três histórias, você ganha uma a mais, a de Ada Wong. Taí uma personagem sempre misteriosa e ambígua. Seu objetivo dessa vez é recuperar o G-Vírus criado pelo Dr. William Birkin, pai de Sherry. Suas aparições são inconstantes, mas esconde-se uma campanha aí, e é através dela que você verá todos os passos da personagem, enquanto todo mundo se esfola atrás de objetivos distintos.

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Resident Evil 6 é um game de ação pura - e agora com legendas em português.

Sem pagar saudosismo barato, é importante dizer que o novo game responde às expectativas dessa nova geração, que procura algo mais visceral e menos intelectual. Sem amarras com a história, o jogo também não faz questão de oferecer quebra-cabeças decentes, aqueles que nos faziam pensar mais e passar alguns momentos sinistros de medo. Não dá pra se arrepiar de angústia e nem levar susto mais, ou seja, a principal essência do game passou. Agora lidamos com um shooter em terceira pessoa, que lembra de longe a série Resident Evil.

NOTAS

  • Enredo: 80,7
  • Jogabilidade: 84,0
  • Arte: 90,5
  • Audio: 80,0
  • Conjunto: 84,0

Nota Final: 84

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