Análise: Playstation All Star Battle Royale é um misto de pancadaria e festa

Por Felipe Santana Felix

Quando Battle Royale foi anunciado, chuva ácida caiu do céu e gafanhotos invadiram a Terra enquanto amaldiçoavam e afirmavam que a rival japonesa copiaria Smash Bros. Parte da história é realmente verdade. A ideia de ter grandes personagens, próprios e exclusivos, se batendo aleatoriamente em uma arena cheia de plataformas foi totalmente “chupinhada” da criadora de Mario, porém diversos elementos do jogo transparecem a identidade da Playstation e até mesmo de seus jogadores. Isso diferencia muito All Star Battle Royale do histórico Party Game da Nintendo.

Quebre a perna

A principal diferença entre o original e o “clone” está no objetivo principal. Em Smash Bros. os jogadores devem retirar o adversário da plataforma, já em All Star o objetivo é aniquilar seus oponentes. Esqueça qualquer elemento estratégico que poderia fornecer uma vantagem territorial importante; para se dar bem o jogador deve encontrar a melhor maneira de castigar seus oponentes. Essa única mudança faz com que o gameplay do jogo seja totalmente diferente.

Para explodir os adversários é preciso acertar um dos especiais, separados em níveis de poder crescente. Para adquirir os especiais o mais rápido possível, todos na arena estarão em constante quebra pau para acumular energia, portanto combos, contra-golpes e até mesmo itens aleatórios no mapa ditarão o tom das partidas.

Alguns personagens se encaixam nessa dinâmica de forma fácil, por serem porradeiros por natureza. Outros são um pouco mais complexos por mesclar combos corpo a corpo com ataques a distância. Essa variedade comportamental dos lutadores acaba tornando o game complexo.

Teste de elenco

Um dos grandes objetivos de All Star Battle Royale é enaltecer os personagens exclusivos do videogame da Sony.

A ideia é muito boa para uma empresa que tem uma bela quantidade de títulos e personagens únicos, porém a quantidade de personagens carismáticos da Sony para um bom primeiro lançamento não foi suficiente. O game teve de contar com alguns reforços como o novo Dante (DmC), Heihachi (Tekken), Big Daddy (Bioshock) entre outros, além de colocar duas versões de Cole (Infamous).

Se compararmos o plantel de All Star ao título inspiração, o portfólio de personagens é muito mais violento e bem menos carismático. Não é possível sentir um amor fofo por Sweet Tooth (Twisted Metal) e o resto dos brutamontes violentos. Personagens menos agressivos como Sly Cooper, Parappa e até mesmo Sackboy são bem divertidos mas não possuem um apelo tão intimista quanto outros criados na década de 90.

Mesmo gostando de todos os personagens que vi, a sensação é de que ainda falta algo de saudosista no elenco do jogo que faça o jogador sorrir e ter boas lembranças.

Palco pronto

A equipe de desenvolvimento conseguiu acertar não só nos cenários utilizados como nos elementos de interação e composições de arte. Cada um dos locais de batalha possui sua própria dinâmica de interação. Dois bons exemplos são arena de Little Big Planet, que se montada no decorrer dos três minutos de luta e a LocoRoco que possui plataformas retrateis e uma incrível interação entre arte infantil e realista. Em todos os cenários é necessário se atentar aos elementos variáveis do ambiente.

Toda essa dinâmica acaba influenciando no quebra pau de forma bem e frequente, seja com a Hydra de GOW ou os Mechas de Metal Gear Rising Revenge, além disso diversos tipos de armas e itens surgem para dar vantagem aos lutadores. Definitivamente a equipe da Santa Mônica Studios acertou em cheio na hora de planejar a arenas de combate, dando ao grande encontro dos personagens da Sony palcos extremamente divertidos.

Ser ou não ser

A diferença gritante entre as mecânicas dos personagens e a complexidade dos variados tipos de combos são um belo atrativo aos que gostam de jogos de luta. Em contrapartida, a dinâmica de câmeras, cenários coloridos e composição de efeitos traz aquele gosto de comida de mãe que só Smash Bros tem.

Essa mistura faz de Royale um jogo maleável, podendo ser jogado entre amigos pouco habilidosos em um bom sábado de ressaca, de forma casual e divertida, ou aproveitado por gamers hardcores em competições domésticas cheias de rivalidade e apostas.

Por isso Playstation All Star Battle Royale é uma boa mistura de party game e jogo de luta, na medida certa para os fãs dos consoles da Sony.

Primeiro Ato

Para um primeiro título, Playstation All Star Battle Royale é um bom jogo. A Sony até tentou dar um contexto ao jogo inserindo um modo história e fichas dos personagens mas o conteúdo foi totalmente mal feito, chegando a dar asco. Com isso ficou claro que o objetivo da empresa era ver a aceitação da dinâmica de combate do game - que acabou tornando Battle Royale uma experiência mais complexa que a obtida em Smash Bros.

Depois desta experiência com All Star Battle Royale a esperança é que a próxima edição do game venha com um portifólio de personagens mais carismático, com personagens que se possa olhar e ter boas lembranças de seu jogo e não apenas escolher pelo alto nível de porradorismo. A sony também terá de se preocupar com uma base mais sólida para reunião de todos os personagens e mostrar uma bio muito mais adequada do que a apresentada. Tenho certeza que podemos esperar um próximo jogo muito mais completo já que o primeiro laboratório foi bem aceito.

Avaliação:

Enredo: 58
Arte: 93
Áudio: 80
Jogabilidade: 90
Conjunto: 90

Nota final: 82

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