Nintendo pode partir para os "social games" para se diferenciar no mercado

Por Vanessa Lee | 24 de Agosto de 2012 às 11h35

Nesses últimos dias, o presidente da Nintendo, Satoru Iwata, tem se pronunciado bastante sobre a nova geração de consoles, as expectativas de mercado para os portáteis com a existência dos jogos sociais para smartphones e tablets, e até mesmo como será sua entrada no mercado dos grandes com o Wii U.

Até onde pudemos acompanhar, a trajetória da Nintendo é única e a desenvolvedora é persistente, mesmo que com o passar dos anos seu lugar no mercado dos jogos eletrônicos tenha sofrido declínio.

Para não perder o "timing" tecnológico pelo qual a indústria vem passando, as apostas da Big N, para os próximos anos, está justamente em acompanhar a tendência e, nesse caso, os jogos sociais parecem ser a bola da vez para empresas que procuram algo para se diferenciarem.

Com todo um discurso sobre imersão que os jogos têm de oferecer, Iwata parece que anda pensando muito com seu travesseiro, e agora propõe uma discussão mais séria com as desenvolvedoras. Se tudo for mesmo para o caminho que o CEO quer, a Nintendo pode dar as mãos para as produções em social media.

Durante a E3 desse ano, a desenvolvedora apresentou a todos o serviço online MiiServe, demonstrando como seria conectar pessoas a um console. Este é o primeiro passo para a conexão (sem trocadilhos) dessa aventura na qual a empresa japonesa quer se meter. Carregando o chavão "conectar pessoas", a intenção pode ser levada a cabo e usar o Facebook como bode expiatório.

miiserve

Com as plataformas Wii U e o 3DS, que acabou de ganhar sua nova versão, o 3DS XL, Iwata pensou que a imersão e relação entre os usuários de seus consoles pode chegar a níveis nunca antes experimentados. Esse inter-relacionamento não é visto nos produtos que a Sony ou a Microsoft oferecem.

Entende-se, assim, um pouco sobre a dedicação dada à apresentação de seu Miiverse na E3, resultando em críticas negativas justamente por não oferecerem nenhum jogo novo, só esse produto praticamente.

É interessante observar o reflexo da conferência da Nintendo no evento, obrigando-nos a perguntar: é esse o caminho que a desenvolvedora realmente quer seguir, mesmo tendo recebido críticas nada positivas?

Assim como a inserção de jogos arcade, ou da criação de um console direcionado apenas a games independentes, com o Ouya, muito é discutido se com os jogos sociais não pode ser a mesma coisa? Pois o jogador que quer imersão de jogabilidade com certeza não terá nos games de internet algo tão profundo. Já sobre a conexão entre pessoas, isso, sim, pode ser possível. E é exatamente esse calo que a desenvolvedora quer apertar.

Os jogadores das plataformas da Nintendo, em sua maioria, têm realmente essa facilidade de relacionamento, como se a empresa fosse em si uma comunidade de jogadores. Porém, com toda a bagagem que ela tem, por quê isso? Tendo o lançamento do Wii U à frente, com jogos voltados para os hardcore gamers, por quê essa agora?

satoru iwata

A indústria de games pede muito das criadoras de títulos, mas sabendo da sua capacidade de hardware, que com o Wii U irá se equiparar aos videogames da atual geração (Xbox 360 e PS3), a Nintendo em breve poderá dar uma cartada inesperada, e a palavra de ordem de Iwata nesse caso é "empatia".

O StreetPass pode ser um exemplo bem-vindo do que estou explicando. Com ele, o jogador pode encontrar outras pessoas conectadas ao 3DS. Isso traz a tal da "empatia" que ele quer estimular e daí o surgimento da interação que outros consoles não oferecem: o interpessoal.

Ok, que quem joga online, MMORPGs ou FPSs, consegue ter essa familiaridade entre si, mas a ideia aí é ir para as ruas, ir além. "Chegamos a uma época em que até mesmo uma experiência single-player pode ter um componente social, que é muito importante. Acho que esse componente tem de ser obrigatório. A Xbox Live e a PSN não são exemplos, uma vez que as redes só comportam jogadores que não se gostam. Não se interessam um pelo outro enquanto gamers", disse.

Para Iwata, a internet consegue manter um equilíbrio entre as pessoas que as redes de plataformas não conseguem. Por isso a inserção de uma parceria em jogos para Facebook, bem como para smartphones ou tablets, porquê não?

Se o presidente da Nintendo anda meio sem amigos, não dá pra saber, mas se a ideia dele der realmente certo, a Nintendo pode ser grande pioneira na harmonia entre seres humanos. Uma boa alternativa para quando a criatividade na hora de produzir jogos acabar.

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