Futebol Feminino: será que o projeto para os consoles pode sair do papel?

Por Vanessa Lee | 30 de Agosto de 2012 às 08h50

Era uma vez uma brasileira, gamer, que resolveu organizar uma petição para que a Eletronic Arts desenvolvesse jogos de futebol feminino para os consoles. Não que vamos ter algo agora, mas Fernanda Schabarum conseguiu uma resposta positiva do produtor executivo de FIFA.

O homem por trás do principal título sobre o esporte para os vídeogames, David Rutter, abriu o jogo e foi sincero ao dizer que ‘é inevitável que as mulheres apareçam como atletas em um jogo de futebol’.

Embora a informação seja colocada de forma subjetiva, conter a empolgação com o relato deve ter sido inevitável para essa garota. E para outras meninas que querem, a todo custo, a popularização do esporte feminino.

A petição também pode ajudar a quebrar o estigma de que homens precisam só jogar games de homens. Não temos que entrar numa linha discursiva machista ou feminista, só precisamos encarar a notícia como algo que só tem a nos agregar. Porém, é legal chamar atenção para que o papel do futebol feminino não seja posto como algo secundário. Nada de conteúdo especial dentro dos próximos FIFAs que saírem, ou expansões especiais. Jogo de futebol feminino precisa ter um título só pra si, com as principais craques na embalagem.

A mensagem precisa ser passada de maneira positiva e unilateral. E a Eletronic Arts tem a reputação e públicos necessários para alcançar esse respeito.

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Trabalhar com um FIFA voltado às mulheres remete a um trabalho duplo, já que a desenvolvedora, ano após ano, corre atrás de direitos sobre os times apresentados, licenciatura dos uniformes e outras burocracias para colocar o jogo no mercado. Uma pedrada que nem sempre as produtoras tem saúde para enfrentar, e por isso desistem dos projetos no meio do caminho.

Rutter recebeu muitas propostas ao longo dos anos, na EA, com cobranças de comunidades e até mesmo com um certo número de homens se posicionando a favor. Só que estamos no meio de um vai-não-vai muito chato, que hora nos diz que vai acontecer e hora aparece uma notícia que desmente tudo.

Em entrevista ao site Kotaku, ele desmistificou o assunto, dando margem para que acreditemos que vai rolar, sim. “A resposta daquela época é a mesma resposta de agora. Todos os anos, recebemos uma grande quantidade de sugestões no nosso estúdio. Temos que nos focar no que podemos fazer em um ano. É o caso de priorizar o que precisa ser feito, e então concluir aquilo da melhor maneira possível. Incluir mulheres no jogo é sempre algo considerado, e não vamos dizer que isso não vai acontecer”, disse o produtor.

Em novembro de 2000, a Nintendo lançou Mia Hamm 64 Soccer (Eita joguinho ruim). Ok, foi uma boa tentativa de explorar esse nicho, mas foi falido. Apesar do gancho macabro, os erros do passado não precisam se repetir e apesar da resposta superficial de Rutter, Fernanda Schabarum expressou paciência e confiança de que mais cedo ou mais tarde veremos um título feminino rodando nos consoles. “É uma questão de marketing. Nós conversamos sobre o jogo da Mia Hamm [para o Nintendo 64] e ele concordou que aquilo foi um desastre. Isso foi um bom exemplo de um timing errado e de uma abordagem errada”, disse ela também ao site americano.

Jogadora das séries FIFA e Pro Evolution Soccer, a estudante de Engenharia Alessandra Ramos concorda que deva existir uma preparação do estúdio, para que a produção seja feita com cuidado e, além disso, seja um jogo para as garotas se orgulharem. “Não adianta querer algo e eles nos entregarem um jogo sem muitos atributos, só para dizerem que o fizeram. Vamos torcer para que a EA repense a realização de um game sobre o futebol feminino. Temos atletas incríveis, que merecem esse destaque. Está na hora de haver uma mudança na indústria de jogos eletrônicos, através da qual possamos integrar mais o público feminino, sem taxações”, disse.

Quando isso for feito, é importante saber que não veremos algo equiparado aos times masculinos. Deverá ter uma mecânica diferente, pois no esporte temos espíritos de competição distintos e por isso toda a estrutura é única. Precisa haver uma melhor reflexão na hora de projetar o título, pois existem questionamentos contundentes que devem ser levados em consideração, como: há a necessidade de formar uma equipe nacional ou jogar só profissionalmente? Se qualificar em uma competição mundial ou seguir o calendário de uma das ligas?

Parafraseando Jim Ryan, chefe da Playstation Europa, ‘estamos lidando com um público feminino, que pode ser considerado o Santo Graal oculto para as distribuidoras de jogos’.

Bom, o primeiro passo foi dado.

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