Estudo do BNDES mostra a importância do mercado de jogos no Brasil

Por Redação | 04 de Abril de 2014 às 17h15
Divulgação

Não é novidade que os videogames e jogos eletrônicos ultrapassaram as barreiras da diversão e se tornaram fonte de renda para muitos usuários. Mas quem gosta desse tipo de produto sabe o quão difícil é ser um profissional da área no Brasil, tanto pelo alto custo dos títulos vendidos no por aqui quanto pela a falta de investimento do governo no setor. Mas um novo estudo mostra que o governo brasileiro está de olho nesse mercado e, a partir de agora, começará a dar mais atenção à indústria de games no país.

Os dados são de um levantamento feito pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP). Como informa o G1, a extensa pesquisa reuniu qual o estado atual da indústria digital de jogos no Brasil, apontando suas principais características, particularidades, necessidades e políticas públicas para que o setor possa receber benefícios do governo, que ainda não possui nenhuma linha de crédito voltada para a criação de games no Brasil.

No entanto, a realização desse estudo não garante - pelo menos por enquanto - que o BNDES criará linhas de investimento para o setor. Segundo Luciane Melo, gerente do departamento de pesquisa e operações do banco, o órgão pode propor regras específicas de financiamento que já existem, mas ainda não há um plano definido ou estruturado que beneficie os desenvolvedores brasileiros de jogos.

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"A ideia da pesquisa surgiu faz tempo. O banco identificou a necessidade sobre o segmento [de games] e a pesquisa é uma operação que o banco costuma fazer na área, levantando dados sobre segmentos promissores para a economia", comenta Luciane.

O que são as políticas públicas?

Assim como qualquer setor da indústria, o mercado de games teria algumas regras a serem seguidas pelas empresas e desenvolvedores. No caso dos jogos, o BNDES propõe as chamadas políticas públicas, que buscam compreender como funciona esse segmento no país levando em conta as dificuldades e peculiaridades que o compõe.

Após mapear todo esse ecossistema, o banco determinou cinco objetivos principais dessas políticas no Brasil. São eles:

  1. Desenvolver indústria de jogos competitiva e inovadora;
  2. Capacitar profissionais para criar, gerenciar e operar empresas de games;
  3. Promover acesso a financiamento que permita crescimento e competividade;
  4. Gerar ambiente de negócios que permita o crescimento sustentado;
  5. Gerar demanda por meio de compras públicas.

O estudo também sugere a criação de um observatório de games, um espaço interinstitucional para monitorar o que acontece na indústria globalmente e permitir que os desevolvedores brasileiros se antecipem às tendências e criem produtos que possam competir internacionalmente. Além da ideia do observatório, o governo tem planos de unir indústria e universidade para dar mais suporte e condições ao recém-formado para futuras vagas no mercado de trabalho. O governo também pode ter um papel importante que ajude a promover a produção, difusão e uso de conhecimento técnico e científico para que a indústria consiga atingir os objetivos e aumentar a competitividade e inovação.

Videogame é coisa séria

(Foto: Mashable)

Um dos indicativos que mostra a preocupação do BNDES com o mercado de games nacional aparece em alguns capítulos da pesquisa, quando ela conta a história dos videogames, como funciona o desenvolvimento de um jogo, desde a parte inicial envolvendo as ideias e conceitos e até como os desenvolvedores ganham dinheiro nesse mercado. O relatório identificou 133 empresas que desenvolvem títulos no Brasil e que a indústria local é bastante diferenciada, semelhante a startups e companhias que criam aplicativos.

Outro dado levantado pelo estudo é sobre a posição do Brasil no setor de jogos eletrônicos. Apesar de ser o quarto mercado que mais consome games no mundo, o país está longe de alcançar a maturidade de outros locais do globo, onde as políticas públicas, mesmo que mínimas, beneficiam e ajudam na formação dos profissionais da área. "O mercado brasileiro não é tão estabelecido quanto de outros países [como Estados Unidos, Canadá, França, Coreia do Sul e China] e se inserir nele não seria algo simples e barato", diz Davi Nakano, vice-coordenador da pesquisa.

Nakano também afirma que publicar jogos para PC ou consoles como Xbox 360 e PlayStation 3 não seria a forma correta de concorrer contra esses países. Em vez disso, o Brasil deveria priorizar seus investimentos em três ecossistemas distintos, sendo eles os "Serious Games", voltados para a educação e treinamento de profissionais, os "Mobile Games", jogos para dispositivos móveis (tablets e smartphones) e "Oportunidades associadas à introdução de novas tecnologias", que cria condições para monitorar as próximas tendências do mercado e permitir que o país apresente mais competitividade.

"É importante identificar este novo movimento desde o início. Há sempre abertura para novos competidores", diz Afonso Fleury, coordenador do estudo, que afirma haver chances do mercado de games nacional seguir o mesmo caminho da animação, que conseguiu se desenvolver e, aos poucos, alcançar a qualidade global - como os filmes "Rio" e "Rio 2", do brasileiro Carlos Saldanha.

E o que precisa melhorar?

(Foto: The Guardian)

De acordo com o BNDES, o setor de jogos eletrônicos no Brasil ainda precisa melhorar, principalmente em dois pontos. O primeiro é incentivar empresas de games no país a criarem mais propriedades intelectuais (jogos próprios) que possam virar franquias e serem comercializadas tanto nacional quanto internacionalmente. O segundo é melhorar a qualidade profissional na formação e oferta de empregos.

Para isso, o estudo levanta dez pontos essenciais que devem ajudar a indústria a alcançar esse patamar:

  1. Prêmios e concursos de jogos digitais originais;
  2. Subvenção, com pequenos aportes, para desenvolvimento de demonstrações e protótipos;
  3. Programa de avaliação por especialistas da viabilidade comercial de protótipos;
  4. Apoio e financiamento de desenvolvimento de protótipos originais até a comercialização;
  5. Criação de programa de atração e retenção de empresas internacionais do setor;
  6. Realização de chamadas específicas para jogos usando programas existentes;
  7. Subvenções com exigência de contrapartida para empresas em consolidação;
  8. Realização de eventos para aproximação de desenvolvedores e empresas;
  9. Empréstimos para contratação de consultorias de suporte;
  10. Criação de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Jogos Digitais.

Na opinião dos coordenadores do estudo, a indústria nacional de games tem potencial para ser "muito superior a outras indústrias" pois o Brasil "é um mercado de futuro", mas que antes de chegar a esse nível é preciso que governo e empresas criem novas oportunidades para capacitar e posicionar o mercado brasileiro nos próximos anos.

A pesquisa completa pode ser acessada na internet clicando aqui e aqui.

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