Entrevista: conversamos com Nadezhda Golubenko, Produtora da Crytek

Por Felipe Santana Felix | 14.08.2013 às 08:50

Este ano, a Level Up Games resolveu utilizar a Anime Friends para lançar três novos jogos: Elsword, Assault Fire e Warface.

Com os lançamentos, integrantes das equipes de desenvolvimento de cada um dos jogos vieram ao Brasil e nós conversamos com a produtora Nadezhda Golubenko, da Crytek. Ela é responsável por um dos melhores Shooters do momento, Warface.

Canaltech: Antes de falarmos sobre Warface, quero saber o que você achou da Anime Friends.

Nadezhda Golubenko: Eu e a equipe ficamos impressionados com a quantidade de pessoas no evento, não imaginávamos tanta gente. Digo, esperávamos um público grande, mas a quantidade de pessoas, o envolvimento de todos com os jogos e nossa apresentação, tudo foi incrível. Inclusive pudemos ver o campeonato que estava acontecendo no evento e foi impressionante. Todos aqueles jogadores gritando e vibrando.

CT: Bom, a Crytek tem em seu portfólio o primeiro FarCry, a franquia Homefront e o fantástico Crysis. Podemos dizer que a especialidade de vocês é fazer Shooters?

NG: Não sei se é nossa especialidade, mas somos muito bons nisso! (Risos). Gostamos de jogos de tiro. Em nosso país, e em todo lugar do mundo, estes jogos são populares e se falarmos em FPS a coisa é mais profunda. Shooters em primeira pessoa geram uma incrível sensação de imersão aos jogadores e com isso é possível se sentir na pele do personagem e realmente fazer parte do jogo. Por isso esse gênero é popular entre o público e entre nós, desenvolvedores.

Outra coisa interessante é que os jogos de modo geral dão a oportunidade de fazer coisas impossíveis na vida real, como voar, ou em nosso caso, fazer parte de uma guerra.

CT: E War face é o primeiro Free to Play da Crytek, certo? Por que ingressar em um modelo de negócio e desenvolvimento diferente do já trabalhado por vocês?

NG: Sim, este é nosso primeiro Free to Play. Há alguns anos decidimos ter essa primeira experiência com o modelo e a razão para isso é que o formato começou a ser muito popular ao redor do mundo e resolvemos tentar. A coisa começou pela Ásia, e acabou se popularizando ao redor do mundo com uma quantidade imensa de jogadores.

Em termos de qualidade, os jogos com este modelo comercial estão se desenvolvendo tanto que já chegaram ao patamar de jogos AAA. Como a Crytek tem em sua política desenvolver apenas jogos nessa linha, pensamos: "Por que não?", então decidimos fazer nosso primeiro free to play.

CT: Qual a melhor coisa de desenvolver um jogo neste sistema?

NG: Em relação ao desenvolvimento, posso dizer que escutar a comunidade é a melhor parte de todas. O modelo de free to play não nos limita a um produto final como nos consoles, assim, o jogo precisa estar em constante evolução para entregar uma experiência cada vez mais positiva aos usuários e isso é feito por nós e pela comunidade.

Escutando os jogadores podemos desenvolver coisas para eles, melhorar o ambiente e fazer um jogo cada vez melhor para todos.

E para o público, acho que a coisa mais legal é não ter a obrigatoriedade de pagar para jogar e de poder colaborar com suas opiniões para a evolução do jogo.

CT: E como vem sendo a aceitação do jogo ao redor do mundo?

NG: Posso falar da experiência que tivemos na Rússia, onde lançamos o beta primeiro. Desde o início nós fizemos perguntas à comunidade para que as pessoas interagissem com o game e dessem sua opinião. Recebemos opiniões positivas e nossas estatísticas também foram positivas em relação aos números de jogadores e frequência de jogo.

CT: Atualmente o mercado brasileiro está cheio de free to play Shooters além de Warface, a própria Level Up publica outros quatro além dele. Quais os elementos que o jogo de vocês possui para se tornar um dos mais amados por nossos jogadores?

NG: Primeiro de tudo, o visual. Warface é graficamente magnífico. Outra coisa, o game estará em constante evolução e totalmente à disposição por ser de graça.

E uma das coisas mais interessantes de Warface, além do que já mencionei, são os novos conteúdos. Todo dia o jogo terá novas missões. Isso, aliado aos demais conteúdos, com certeza vai resultar em uma bela atração. Estamos fazendo um game fantástico.

CT: Um elemento interessante no atual mercado do ocidente, especialmente no Brasil, é o renascimento do cenário competitivo. Warface foi pensado para um dia fazer parte do cenário de eSport?

NG: Bom, eSport é um campo muito interessante e queremos chegar nesse ponto, mas no momento não temos muitos detalhes sobre como podemos fazer. Certamente é uma área que queremos estar presentes. Não agora, mas um dia!

CT: Certo. Vamos falar sobre gráficos. Warface foi desenvolvido com uma das engines mais impressionantes do mercado, a CryEngine3. Em termos de qualidade, os jogos feitos com a engine de vocês ficam ou não melhores em computadores do que em consoles?

NG: Falar sobre computadores e consoles não é muito justo por serem plataformas diferentes. Existem preferências de plataforma. Eu geralmente jogo em computadores e é só isso que direi sobre o assunto.

CT: Este ano vimos na E3 um dos exclusivos desenvolvidos por vocês para XboxOne, Ryse Son of Rome. Se não estou enganado, este é o primeiro título de ação mêlée da Crytek. O Sucesso do jogo pode desencadear mais títulos do gênero? Um MMORPG grátis, talvez?

NG: Não posso falar muito sobre Ryse, até porque não faço parte da equipe, e também não posso falar sobre novos projetos, pois no momento estou totalmente envolvida com Warface. Desculpe!

CT: Certo! Então você tem alguma mensagem para os jogadores brasileiros que já estão jogando Warface?

NG: Gostaria de dizer que foi realmente maravilhoso ver a comunidade brasileira, vocês são muito empolgados. Espero que os homens, e as moças, continuem jogando Warface, criando times e grupos para se divertirem juntos.

CT: E para aqueles que ainda não jogaram?

NG: Acho que eles definitivamente devem experimentar, é uma experiência magnifica e nós faremos o possível para deixá-la ainda melhor.