Em tempos difíceis, analistas criticam as soluções adotadas pela Nintendo

Por Redação | 11.02.2014 às 12:47

Este início de 2014 não tem sido muito bom para a Nintendo. Antes um dos principais sinônimos de video games em todo o mundo, a casa de Mario passa por sérias dificuldades financeiras enquanto vê seu mais recente console de mesa, o Wii U, lutando para reverter as baixas vendas e a perda cada vez maior do suporte de desenvolvedoras parceiras.

Para reverter as sucessivas baixas no faturamento e lucros, o presidente Satoru Iwata anunciou uma série de medidas, como a redução do próprio salário e de outros executivos-chave e a chegada de aplicativos e soluções para smartphones e tablets. Para especialistas de mercado ouvidos pela CNN, porém, tais soluções podem acabar por não salvar a Nintendo.

Na visão de Bill Pidgeon, que é analista independente de games, o principal problema está no fato das vendas dos aparelhos da “Big N”, desde o bem-sucedido Wii, não acompanharem a comercialização de software. Segundo ele, muita gente vê os aparelhos da marca como meros brinquedos e existem muitos casos de pessoas que compraram os dispositivos para jogar única e exclusivamente os títulos que os acompanhavam no pacote, desconhecendo completamente o resto da oferta de jogos.

Essa tendência está tendo seu efeito negativo agora, com a Nintendo perdendo o apoio de grandes empresas como Electronic Arts e Activision e confiando cada vez mais nas próprias propostas de jogos, que nem sempre servem como fator que motiva a compra de um console. Para Pidgeon, a continuidade dessa estratégia é um dos fatores que dificultam a recuperação da empresa.

Ganhos em curto prazo também não seriam a solução. Assim como companhias como Apple e Google, a Nintendo busca pensar no futuro, entregando soluções que durem por anos e anos, sem estar interessada em ideias rápidas que gerem lucros rápidos. Daí, então, a resistência às ideias de baixar ainda mais o preço do Wii U e lançar jogos de personagens como Mario e Donkey Kong em smartphones.

O grande foco da empresa, conforme explica Piers Harding-Rolls, que é diretor de pesquisa de games da consultoria IHS Technology, está na inovação. E foi justamente aí que o Wii U falhou, confiando em uma solução de segunda tela que foi rapidamente adotada pela concorrência, com resultados melhores, enquanto o próprio console da empresa ficou para trás com gráficos defasados e estrutura online precária.

É justamente por isso que, mesmo chegando ao mercado um ano antes do PlayStation 4 e Xbox One, o Wii U acabou ficando em posição abaixo de seus dois competidores. Isso se deve, também, ao foco nos usuários casuais, que não são viciados em video game. Esse público, porém, acabou se interessando pouco pela plataforma, que em muitos meses apresenta vendagens menores que sua antecessora.

Apesar disso tudo, Harding-Rolls acredita que a inovação continua sendo o melhor caminho para que a Nintendo proteja sua marca e tradição. Na visão dele, porém, é preciso tomar cuidado com essa estratégia, já que ela pode consumir recursos rapidamente sem trazer ganhos consideráveis em troca. É uma aposta arriscada, mas que a “Big N” parece estar disposta a fazer.