EA e Konami: saiam da mesmice em seus games de futebol!

Por Vanessa Lee

No mundo do futebol virtual, nós vivemos de dois lados: o do Pro Evolution Soccer e o do FIFA. Estamos naquela fase chata a qual nunca deveríamos chegar, a “mais do mesmo”. Principalmente com a tecnologia no pé que está, podendo oferecer criações mais profundas.

Aficionados pelo esporte contemplam cegamente as inovações que as desenvolvedoras implementam nos títulos, mas se formos analisar friamente, tudo se condensa num gameplay direto: jogador + bola + campo + chute + gol. É isso. O uga-buga dos games, do jeito que os mais práticos querem. Então o mercado atende.

A imersão do jogador se resume a colocações superficiais dentro do game, que causam um impacto comercial gigantesco, sem haver apreciação do que poderia fazer desse tipo de game uma experiência contundente. Daí uma pergunta: será que não seria interessante existir um videogame de futebol, no qual seja possível usar de um personagem para mostrar o que acontece nos bastidores, nos vestiários, na vida pública do atleta, na relação dele com o time, com seu treinador?

Obviamente que não queremos um “GTA” futebolístico, mas por que não criar campanhas que fujam dos limites dos corriqueiros campeonatos, ou da administração de times, feitos através de um sistema simplório? Montar um time, escalar seus jogadores, vai além do sentido mecânico e isso a próxima geração poderia ter como princípio.

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Temos uma estrutura de jogabilidade praticamente pré-programada nas mãos da Konami e da Eletronic Arts, e ver outra produtora se aventurar nesse mercado é praticamente ilusório. De olho no futuro podemos tentar ajudar os criadores de jogos, através de opiniões construtivas, a traçar uma nova perspectiva sobre elementos que podem ser abordados nas reuniões de criação. Afinal, espaço pra isso nós temos: Twitter, Facebook, Fóruns... não tem desculpa.

Estamos satisfeitos por termos nas mãos dois grandes títulos, que a cada ano têm passado por transformações interessantes, e embora aqui no Brasil o futebol americano não seja tão popular, a série Madden é exemplar em termos de conteúdo para o gamer. Deveriam beber dessa água. Ou melhor, a própria Eletronic Arts é dona dessa fonte. Então por que não usá-la?

Por que não arriscar mais a fundo seu FIFA, com ideias frescas de gameplay, tirando aquela programação cabal de que jogo de futebol só melhora se os gráficos, movimentação e definições estratégicas forem mutantes? Mais uma pergunta no ar.

Ok, deve haver uma resistência a coisas novas nesse meio, mas todas as possibilidades devem ser testadas. Não estamos em tempos de frear a imaginação. Penso que as desenvolvedoras precisam usar de boas ideias, não apenas para suprir uma burrada anterior. A Konami que me desculpe, mas o PES 2013 pode não cobrir os erros passados de sua última versão, só porque o Neymar dança “Ai, se eu te pego” nas comemorações! Tem que trazer algo realmente novo, porque a concorrência não é mole e os números da empresa japonesa depõem contra.

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Temos duas grandes profissionais no ramo de fazer jogos e, por isso, gostaria mesmo de ver meu jogador favorito, com uma roupa ridícula, brigando com um companheiro no vestiário porque as jogadas não deram certo. Daí, nascer uma sugestão qualquer para que o atleta (virtual) reflita dentro de campo. Com isso, pode-se testar a sensatez do gamer; do cara que controla esse mundo de fora. Ver se ele leva seu craque para a balada, em véspera de campeonato, ou se faz o cara dormir e acordar cedo para uma dose de treinamento extra, que vai deixar o marrento pronto para fazer gol.

Assim como acontece na série NBA2K, no modo carreira, eles aproveitam bem essa característica profunda de entretenimento. Lá o jogador, após uma partida, pode participar de uma coletiva, na qual responde perguntas sobre o jogo. Uma espécie de conferência de imprensa, que espõe justamente a imagem que o controlador daquela figura quer passar. Um atleta antipático ou carismático, que todos gostam e apostam. Dependendo do feedback, portas podem se abrir para o que o jogador consiga entrar para um bom time da NBA.

Para o modo single-player, essa tática funciona muito bem, criando uma conexão com a pessoa, que nem sempre se reúne com os amigos para partidas. Cria-se aí a tal da imersão.

Aprimorar o que já temos é possível, e tanto a Konami quanto a Eletronic Arts podem fazer mais para que tenhamos um conteúdo melhor aprimorado e menos preguiçoso. Gráficos belos, comemorações engraçadinhas, uniformes licenciados... Sim, temos tudo isso, cada vez mais e mais. Só que chegamos num momento que a indústria de games tem que fugir do lugar comum. Tanto com o futebol, quanto com qualquer outro gênero que comece a ficar maçante.

Os FPSs que o digam.

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