'Nós só estamos começando', diz diretor da Rovio, em palestra na USP

Por Rafael Romer | 17 de Abril de 2013 às 15h28

Longe de ser um objetivo final, o impressionante número de 1,7 bilhão de downloads parece não passar de mais uma simples etapa no caminho da empresa finlandesa responsável por Angry Birds, Rovio. “É um bom começo, mas nós só estamos começando”, afirmou Peter Vesterbacka, Diretor de Marketing da empresa, a uma plateia de alunos da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) nesta terça-feira (16).

Conhecido como "The Mighty Eagle" ("A Poderosa Águia", em tradução livre), Vesterbacka falou durante exatamente uma hora sobre a história, particularidades e futuro da Rovio e da sua série de maior sucesso.

Construção lenta, sucesso rápido

Diferente do que muitos acreditam, a Rovio não foi uma "história de sucesso da noite para o dia", nas palavras do executivo. Fundada em 2003 pelos estudantes finlandeses Niklas Hed, Jarno Väkeväinen e Kim Dikert, a empresa levou seis anos antes de chegar ao estrelato puxado pelo hit mobile dos pássaros nervosos.

Segundo o executivo, o erro da Rovio na época foi ter chegado "cedo demais" ao mercado, um problema que pode ser quase tão ruim quanto chegar atrasado. Segundo ele, foram necessários mais de 50 jogos antes da empresa emplacar um sucesso. Na era pré-iPhone e em um país dominado por grandes empresas, como a Nokia, divulgar e produzir games para o mercado primitivo de smartphones era um desafio que dependia de muito networking com fabricantes e operadoras para emplacar seus títulos.

Peter Vesterbacka

Peter Vesterbacka, Diretor Executivo da Rovio

Após oito meses de desenvolvimento, Angry Birds foi lançado em dezembro de 2009, quando a empresa contava com uma equipe de 12 pessoas, e demorou para chegar ao primeiro lugar de lojas de aplicativos como a App Store ao redor do mundo, como contou Vesterbacka. "Mas quando decolou, decolou". No seu primeiro ano de idade, o jogo atingiu a marca de 50 milhões de downloads e, pouco tempo depois, dobraria o número para 100 milhões com apenas 15 meses de existência. O único jogo a atingir esse número anteriormente foi o clássico Tetris, que demorou 20 anos para fazê-lo. Hoje, a Rovio possui mais de 600 funcionários.

Parte do sucesso do jogo se deve ao seu aspecto casual, e ele é jogado por pessoas de diferentes idades. Outra parte importante do game são os próprios personagens, segundo Vesterbacka, que atraíram a simpatia do público logo de cara.

Além disso, manter o game sempre atualizado também desempenhou um papel importante para a empresa não só conquistar novos downloads, mas manter o interesse dos jogadores. Em 2009, por exemplo, o jogo tinha 63 níveis. O mesmo game hoje tem mais de 300 níveis. "Alguns de nossos competidores disseram que nós estávamos matando a indústria, oferecendo muito valor por pouco dinheiro. Mas é o que fazemos, nós não queremos dinheiro, nós queremos fãs felizes", brincou.

A empresa também aproveitou o valor de seu produto para diversificar ao máximo a oferta de itens de Angry Birds. Segundo Vesterbacka, 45% do faturamento da empresa no ano passado veio de produtos físicos com os personagens, como brinquedos e roupas. O investimento na marca agora é um dos focos na empresa. "Nós não paramos em games, desde o começo nós não nos vimos como uma companhia de games", explicou o executivo. Entre as iniciativas da Rovio estão a produção dos Angry Birds Toons, série animada semanal com os pássaros, e até um filme que deve chegar às telonas em 2016.

Brasil

Vesterbacka deixou claro ainda que o Brasil está na mira da expansão da Rovio, que deve receber produtos da marca, como o refrigerante dos Angry Birds, já vendido em países da Europa e Estados Unidos, em breve. Com iniciativas também na área da educação, o executivo afirmou que já conversou com pessoas do governo brasileiro para convidar o ministro da Educação Aloizio Mercadante para apresentar os projetos da empresa na Finlândia.

Com escritórios na China, Reino Unido, Japão e Estados Unidos, a companhia pode avançar em direção à América Latina. "Nós não temos ninguém na América Latina ainda, mas 1% dos nossos funcionários são brasileiros", brincou o executivo, que trouxe para a apresentação um dos seis funcionários do país, o gerente de projetos para a América Latina, Igor Burattini. "Mas há espaço para muitos outros", completou. Segundo Vesterbacka, um dos focos da empresa agora é aumentar a presença da Rovio no continente, principalmente através do intercâmibo de empreendedores e estudantes de startups.

Refrigerante Angry Birds

Refirgerantes dos Angry Birds já estão entre os mais consumidos em países como a Finlândia (Reprodução/Internet)

Nesta quarta-feira (17), a Rovio anunciou uma parceria com a maior empresa de shopping centers da América Latina, a Brmalls, que colocará playgrounds itinerantes dos Angry Birds em 32 empreendimentos da rede. Segundo a Brmalls afirmou através de sua assessoria de imprensa, as cinco regiões brasileiras receberão os eventos, que contaram com um investimento de aproximadamente R$ 5 milhões para a construção dos espaços. Os playgrounds têm estreia prevista para julho deste ano em shoppings de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Curitiba, e contarão com atrações como tirolesas, parede de escaladas, pelúcias, estilingues e até uma roda gigante dos personagens. A ação deverá circular por outras capitais brasileiras ainda este ano, e tem previsão de terminar só em 2014.

"Nós só temos duas coisas para nos preocupar na Rovio: nossos fãs e nossa marca, é só isso. Se é bom para nossos fãs e nossa marca, nós faremos. Uma coisa que posso dizer é que só estamos começando", finalizou.

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