Em fevereiro, Brasil pode ter redução de IPI e imposto para importação de games

Por Redação | 21 de Janeiro de 2013 às 12h45
photo_camera Felipe Felix/Canaltech

Felipe Felix e Rafael Romer

Os gamers devem ter mais um motivo para comemorar em fevereiro além do carnaval: a tão esperada desoneração dos games pode finalmente acontecer. Segundo Moacyr Alves, presidente da Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games (ACIGAMES), a desoneração foi sinalizada pelo Ministério da Cultura através do pedido de que os jogos eletrônicos fossem incluídos no programa Brasil Maior, plano criado pelo governo federal com o intuito de fomentar a indústria nacional.

Se confirmada a desoneração, o IPI sobre games pode cair dos atuais 10% para 2% e o imposto sobre importação de 25% para também 2%. “Há vários outros produtos que estão na frente [na lista de itens a serem desonerados], mas o ministério da Cultura tomou como prioridade dois setores: o primeiro é games e o segundo, animação”, afirmou Moacyr. "O plano Brasil Maior funciona mais ou menos como o desconto da linha branca de imposto, e é um período de teste", completou.

Atualmente, a carga tributária sobre o setor chega a 72,8%. Ao Canaltech, Moacyr afirmou que a diminuição nos impostos não é certa, mas tem "mais de 70% de chances" de acontecer. "Nosso maior empecilho é a receita federal", disse.

A afirmação acorreu durante a segunda edição do Fórum Nacional do Comércio de Games do Brasil, que reuniu representantes do varejo, distribuição e produção dos jogos eletrônicos na sede da Federação do Comercio de São Paulo neste sábado (19). A reunião contou também com a participação de representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, do Ministério da Justiça e do Sebrae-SP. A ex-Secretária Executiva da Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura, Ana Paula Dourado Santanna, e o representante do Ministério das Ciências e Tecnologia, Rafael Moreira, foram convidados, mas não compareceram ao evento.

Foram revelados também dados de uma nova pesquisa sobre o mercado brasileiro de games, realizada pela consultora americana Newzoo e encomendada pela ACIGAMES. De acordo com o levantamento, o número de gamers brasileiros cresceu 15% entre 2011 e 2012, e já chega a 40,2 milhões de jogadores – considerando PCs, consoles e plataformas móveis. A pesquisa também revelou que cerca de 30,2% dos jogadores do país utilizam consoles como principal plataforma, contra 21% em PCs. O levantamento afirma também que hoje existem cerca de 9,2 milhões de Xbox 360 no mercado, contra 8,4 milhões de PS3. Em relação a 2011, os brasileiros também gastaram 32% mais dinheiro em games no ano passado. A pesquisa deve ser levada ao governo e a representantes da indústria na tentativa de incentivar o interesse pelo mercado brasileiro.

Segundo o Diretor do Departamento de Tecnologias Inovadoras do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, João Batista Lanari, outra pesquisa comissionada pelo ministério, que será realizada pela Universidade de São Paulo (USP) a partir deste mês, também deverá mapear o mercado brasileiro de games para pautar futuras ações do governo na área.

Lanari admite que as articulações sobre o assunto no governo ainda são fracas, mas defende que entidades de classe que representem os games, como jogadores e a indústria, façam mais pressão junto ao governo. "Os grupos de pressão dos jogos eletrônicos ainda são embrionários. Lá no governo a gente não sente essa focalização nos jogos eletrônicos", afirmou. Outra reunião entre governo e representantes de classe deve acontecer ainda neste semestre, em Brasília.

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