Análise do Jogo: The Adventures of Tintin - The Secret of The Unicorn

Quando disseram que As Aventuras de Tintin seriam mostradas para o pessoal da nova geração, em uma produção para os cinemas com a assinatura de Steven Spielberg, confesso, bateu uma nostalgia muito boa. Considerando que se trata da adaptação de uma aventura envolvendo um dos personagens mais icônicos apresentados ao público brasileiro dos anos 90, ficar emocionada é minha obrigação.

Originalmente, o personagem Tintin surgiu nos quadrinhos de ficção e aventura do escritor belga Hergé, em 1929. Suas explorações sempre renderam boas histórias, que resultaram em um sucesso após o outro. Sua reputação é tamanha que, anos mais tarde, mais precisamente em 1986, animações adaptadas foram produzidas, como já dito, chegando ao nosso país na década de 90, pela TV Cultura.

No entanto, ao contrário do que algumas pessoas pensavam, que o filme iria ser feito com atores de carne e osso, tudo foi feito sob computação gráfica, com a mesma captura de movimentos usadas em Avatar, ou seja, a essência original das animações foi esquecida, e é isso o que você vê também em The Adventures of Tintin: The Game, jogo baseado na versão dos cinemas, que também tem os dedos de Spielberg e Peter Jackson em seu desenvolvimento.

Tintin, um jovem jornalista que viaja pelo mundo com seu inseparável cão Milu, compra um presente para seu amigo Haddock, porém o presente, um galeão antigo, é logo roubado. Pouco tempo depois, descobre-se que nele havia parte de um mapa de tesouro, fazendo com que Tintin e seus amigos ingressem em uma jornada em sua busca. O mais curioso é que é aí que o protagonista e o capitão Haddock se conhecem pela primeira vez.

A estética da produção cinematográfica, obviamente, tem um abismo de diferença para o que foi realizado para os consoles, mas os contornos têm sua qualidade e acabam sendo interessantes. A estrutura visual contemporânea pode causar estranhamento para os mais fanáticos pela originalidade da produção dos anos 80, mas para quem vai jogar, e não assistir, esse pode ser o menor dos problemas.

O game tem um colorido acinzentado, que dá o ar de mistério que a narrativa propõe. Para os que se apegam mais ao gameplay do que ao visual, esse será realmente um fator desnecessário de se observar, considerando que os traços originais dos personagens permanecem, dado o capricho da arte final.

The Adventures of Tintin: The Game mistura dois tipos de perspectiva: 2D e 3D. Deu certo, pois a direção conduziu bem os eventos entre um plano e outro, fazendo com que a conexão entre as fases não pareça estúpida.

Sob a visão 2D Tintin explora uma mansão, um navio, esconderijos subterrâneos, o deserto do Saara e outras partes em um total de 20 fases. Os cenários são variados e neles você terá de usar cálculos de física, pular e escalar paredes - algo como Angry Birds + Príncipe da Pérsia - para conseguir passar pelos oponentes que insistem em cruzar o seu caminho. Com a furtividade, você pode pegar seus inimigos desprevenidos e socá-los até que desmaiem. É até engraçado ver isso, porque Tintin nunca foi muito chegado à violência, mas a trilha sonora divertida desvia essa tensão.

A jogabilidade em si é muito simples e até crianças podem se divertir a vontade. Os comandos são mostrados na tela; se você usar quatro botões nas ações ainda assim é muito.

No meio do caminho você irá encontrar baús com caranguejos de ouro colecionáveis. Além disso, a intensa busca pelos mapas é o que lhe guia nessa aventura. São três deles e para encontrá-los você deverá resolver alguns puzzles, assim liberarando ou destravando certos objetos que lhe conduzem a um próximo objetivo, que no futuro direciona o jogador ao encontro de um tesouro perdido. E caimos na frase clichê: “o ouro não pode cair em mãos erradas”. Daí é só partir atrás da “dinheirama” antes que seja tarde.

Na parte 3D, você participa de perseguições, corre de uma inundação e perambula por outros cenários, porém o mote de ação que você terá sob essa perspectiva deve concluir uns 10% apenas do game.

Kinect e PS Move

Não se engane ao pegar o jogo e se deparar com o selo do Kinect ou do Move no topo da embalagem, pois muita gente pensa que o game inteiro é comandado pelos sensores de movimentos, mas não é o que acontece. Essa estrutura não foi pensada como um todo. Em um modo de jogo, que deve ser selecionado no menu, você entra em “trials” de fases, que lhe desafiam a lutar com espadas, andar de moto, pilotar aviões... Você deve completar os desafios em um curto espaço de tempo. Daí sim, você pode esquecer o controle por um momento e se divertir de corpo inteiro. Alguns ítens desbloqueáveis estarão no final de cada provação.

Também é possível jogar sozinho ou no multiplayer por turnos.

Cooperativo

O jogo em cooperação acontece depois que você termina o modo “história”. O Capitão Haddock é atingido na cabeça e nesse momento você entra em seus sonhos utilizando personagens diferentes com habilidades diversas. Haddock consegue atravessar portas e, embora esteja revivendo as suas experiências recentes, os ambientes são baseados em sonhos.

No total são seis personagens jogáveis, em cerca de 25 a 30 níveis. Com o sistema de coleção, você adquire novos ítens que podem ser usados quando o jogador quiser revisitar a aventura.

Para crianças e adultos, The Adventures of Tintin: The Game é um game casual, que consegue fazer valer as suas 20 horas pela diversão descompromissada e direta. Não é um clássico dos games, mas também não deve ser sacrificado. Porém, vamos dar um dica valiosa para o seu bolso: melhor esperar o título chegar a um preço acessível antes de se arriscar a levá-lo.

Gráficos: 8,5
Som: 9,5
Jogabilidade: 8,9
Diversão: 8,5
Nota Geral: 8,9

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