Análise do Jogo: F.E.A.R. 3

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Alma voltou, mas antes de mais nada, preciso dizer que não será ela que te levará ao topo do medo em F.E.A.R. 3. Só pra começar. O jogo com as conhecidas siglas da galera, que significam First Encounter Assault Recon, foi acolhido pela primeira vez em 2005. Um shooter inovador até então, no qual terror e ficção científica se misturaram. O nome do game não foi escolhido de forma aleatória, óbvio, pois MEDO (em sua tradução) é no que a produtora Monolith Productions se focou na hora de desenvolver sua história. O melhor: deu certo.

O gênero se destacou entre os gamers orfãos de Doom e Quake, e deu vida nova para um estilo que precisava de fôlego. Outros bons shooters foram desenvolvidos, com certeza, mas F.E.A.R. ganhou notoriedade por conta dos vários sustos e por fazer muita gente desistir na metade do jogo. Ver vultos e vozes soltas no ar, sob sussurros desconhecidos e amedrontadores, não são para qualquer um. Sair matando inimigos, numa sequência frenética, é uma coisa; se sentir um esquizofrênico enquanto joga e, do nada, ver uma criança de aparência demoníaca imortal é outra.


F.E.A.R. 3
não foge a regra de seus antecessores e desafia o jogador a enfrentar mais uma saraivada de terror embebida em tiroteio.

O trunfo inicial do jogo se dá por dois motivos: John Carpenter, diretor cinematográfico, e famoso por filmes como "O Enigma de Outro Mundo", se responsabilizou pela cinemática, e Steve Niles, criador da graphic-novel "30 Dias de Noite", foi quem assumiu o roteiro. A desenvovedora, Day 1 Studios, mostrou que unir grandes nomes do terror pode gerar uma grande ideia. O projeto colocado em prática tomou a forma que podemos ver nos consoles agora.

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Em F.E.A.R 3, os irmãos Point Man e Paxton Fettel retornam. O segundo, no entanto, foi vilão no primeiro jogo, como algumas pessoas irão reconhecer. Já Point Man tem como missão encontrar Alma, que está prestes a dar a luz a mais um membro dessa família nem um pouco convencional. A busca acontece sob a ajuda de Fettel, que enche seu irmão de instruções e chega até a ajudá-lo no modo cooperativo, com seus poderes de telecinese, explodindo coisas e se transporta para o corpo de seus inimigos. Além disso, como o protagonista não tem a capacidade de enxergar o sobrenatural, Fettel acaba sendo um personagem chave.

Point Man fica com os comandos tradicionais, empunhando diferentes modelos de armas e parando o tempo por alguns segundos para conseguir matar seus oponentes em câmera lenta e obter maior objetividade sobre seus alvos. Mas é aí que o game escorrega: na escolha das armas. Nesse caso, não temos um padrão para agarrar. Não dá para saber o que vem pela frente, ou seja, se você está com um controle de munição errado, esqueça, pois alguns oponentes são ridiculamente indestrutíveis e isto pode dar dor de cabeça, ou melhor, voltar o capítulo do início pode se tornar a solução mais fácil, senão morrer vai ser uma constante.

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Mas voltando ao que diz respeito às armas, essas são péssimas; fracas e ineficazes. Chegar no mano a mano pode ser a melhor coisa que você fará. Economiza-se munição e a vida segue. O negócio é encarar os caras, descendo a mão mesmo e esperando que eles caiam na terceira pancada. Pode parecer exagero, mas não é. No começo é até divertido, mas depois começa a ficar chato e desnecessário. Aviso: não adianta mudar o nível de dificuldade, que parece não surtir diferença alguma.

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Pelo caminho, algumas armadilhas poderão lhe pregar peças. Durante algumas partes dos cenários, labaredas poderão surgir do chão e lhe queimar. Calcular o tempo entre uma labareda e outra é o que o fará passar por elas. As barricadas se destroem a cada tiro tomado, então procure se proteger em pilastras de cimento - morrer desse jeito será quase impossível.

Com gráficos aprimorados, F.E.A.R 3 irá exigir ainda mais da sua máquina, ou melhor, dos PCs. O detalhismo é grande e os cenários mais diversificados. As cores mais carregadas dão um tom mais diabólico para os ambientes fechados. Mas tudo nesse jogo parece ter recebido um equilíbrio maniqueísta. Ao fazer as alterações em opções de vídeo, para poder jogar no “full”, a mudança para uma alta definição não é tão notória. Ou seja, mesmo com a resolução média, você consegue um aproveitamento semelhante ao deixar a máquina no talo. A única sensação mais plausível nessa diferença é a do peso, pois sem uma plataforma forte o bastante, o delay torna-se pedra no sapato para os mais perfeccionistas, caso contrário pode mandar ver.

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Uma coisa que irá chamar a atenção dos brasileiros é que, em determinada fase, Point Man sairá de um esgoto, repleto de corpos, e dará de cara com uma favela do Rio de Janeiro. Ele terá de aniquiliar inimigos à luz do dia, entrando e saindo das casas, que se transformam em labirinto. O que me faz pensar: o Brasil nunca esteve tão em voga como nesse momento, seja no cinema, como nos games - salvo a lembrança de Modern Warfare 2, em que matar traficantes na Rocinha consegue ser mais difícil que qualquer outro combate FPS já feito.

Sobre os controles, uma dica: quem joga no computador provavelmente vai apelar para o tradicional teclado + mouse, porém, mesmo que nas opções de configuração de joystick não haja opção para a inserção de controle tradicional, você pode plugar um controle de Xbox 360 na entrada USB da máquina que fica tudo bem!

F.E.A.R. 3

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Como o foco do game é tensão e medo, vale se preparar bem para essa etapa da história de Alma, pois a menina aparece algumas vezes de forma perturbadora, mas o que te fará dar um solavanco para trás serão as aparições de inimigos, que surgem por trás sem mais nem menos. Nessas horas, o "instinto justiceiro” fala mais alto que a fralda, daí é só incorporar o Rambo e sair alvejando a galera - no jogo, é claro.

Som alto, bem alto. Isso ajuda na adrenalina que o jogo oferece, o que é bom. Com uma trilha sonora na medida, sombria e intensa, o negócio é pegar o embalo e aumentar mesmo o volume para tornar a experiência mais divertida.

Seguindo o que já foi visto, F.E.A.R 3 funciona como se deve, porém, pode se tornar cansativo a medida que se progride na história. Olhando de um modo geral, a sensação que dá é que o caminho para chegar onde se quer poderia ser mais curto e com menos enrolação. Mas como o legal é atirar e se arrepiar, o terceiro titulo da franquia é o melhor de todos.

F.E.A.R. 3

Gráficos: 8,5
Som: 9,5
Jogabilidade: 8,9
Diversão: 8,5
Nota Geral: 8,9

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