Análise do Jogo: Capitão América - Super Soldier

Por Ultradownloads
photo_camera reprodução / sega

Ao pegar o game Capitain America: Super Soldier nas mãos para jogar, visualizei a produção com um pouco de preconceito, confesso. Quando liguei o console para testá-lo, um amigo apareceu, viu na tela o que ia rolar, disse: "Capitão América? Humm. Jogo de super-herói, né?", e saiu da sala. O que ele quis dizer com aquele tom eu já imaginava, pois era a mesma coisa que estava falando pra mim mesma quando peguei o game nas mãos. Mas não desisti e achei que poderia valer a pena a experiência.

A minha vontade é ser simplesmente direta quanto a análise do game, mas vocês têm tanto direito de saber mais sobre a produção da SEGA quanto eu. Logo adianto, assim como aconteceu com o título Thor: God of Thunder, esse não será o jogo da sua vida. Por mais clichê que possa parecer é isso mesmo.

Aos que acreditam que essa é uma adaptação do filme para o console, um equívoco. O que o jogador verá será um roteiro original. Com elementos tanto do cinema quanto das histórias em quadrinhos, o estúdio se desvencilhou da história idealizada para o longa-metragem e oferece uma trama inédita, independente e com mais possibilidades criativas. Por isso, temos uma trama que se passa no período narrado na produção hollywoodiana, mas que não é vista nas telonas. O foco dos jogos está nas primeiras missões de Steve Rogers com o uniforme de Capitão América e seu primeiro encontro com a Hydra e soldados nazistas. O palco desse confronto é o castelo do Barão Zemo, na Bavária.

A jogabilidade tem como introdução o uso do escudo e alguns golpes que combinam soco e pontapés, alguns saltos mortais e agarrões. A primeira impressão sobre o gameplay, capenga de início, não pode ser dada como o veredito final. É uma questão de costume, pois a primeira vista tudo é muito fácil e de mecânica repetitiva, o que pode fazer com que os jogadores menos altruístas dêem para trás. Mas se você é curioso o bastante e paciente, acredite que o que é de início fraco tem o poder de se transformar em uma diversão interessante.

Com a principal arma do Rogers, o escudão com a famosa estrela ao centro, tudo é possível. Além do mais óbvio, defender-se, ele dá o poder de ricochetear balas, o que é importante em confrontos com os bosses, arrastar adversários a distâncias consideráveis e espancar inimigos gigantes enlatados em suas armaduras de ferro, que aparentam ser os mais difíceis de derrubar, mas não é bem por aí. Com uma combinação de golpes precisa, ou apenas com o escudo mesmo, você os derrota numa sequência em câmera lenta que dá um peso maior aos ataques. O poder do slow motion muda as coisas e, provavelmente, a percepção de quem joga.

Quem jogou Batman: Arkham Asylum terá a impressão de repetir a dose nesse título da SEGA, pois o gameplay se assemelha bastante, desde a combinação de combos até o momento em que o herói lança o escudo em direção a pontos específicos, como botões, barras de aço para quebrá-las e gerar caminhos independentes, ou até mesmo na direção de um inimigo à espreita, acertando-os enquanto marcam bobeira olhando para o lado oposto.

A combinação de combos é resistente e é eficaz na maioria das vezes; não é nenhum “bicho de sete cabeças”, menos ainda massante. Se o que vale aí é diversão, esses recursos respondem bem ao que o jogador deseja.

Para alguns jogadores, algumas ações, como achar passagens para se contornar um caminho; pendurar-se em barras de ferro; subir plataformas ou pular de um ponto a outro – o que lembra um pouco Prince of Persia - pode parecer coisa de criança, pois é tudo previamente marcado e óbvio (deixando claro o foco do jogo no público casual), transformando as sequências de plataformas na verdade em um jogo de ritmo, no qual o seu sucesso se reverte em recompensas, neste caso, em encher a barra de ataque especial do Capitão.

O fator de regeneração do personagem é o menor dos seus problemas, pois morrer no game é muito mais difícil do que não morrer. Como qualquer FPS atual, basta parar lá onde ele não receba ataques que sua vida volta a ter segurança, o que diminui mais ainda a dificuldade do game.

Em relação aos inimigos, não espere uma gama muito grande deles, pois são repetitivos mesmo, considerando que você está indo direto para a “boca do leão”, que é a facção Hydra, uma organização espelhada no nazismo, e onde os uniformes não mostram muita variação.

Os gráficos não são de todo o mau. Entre o protagonista e os inimigos está tudo ok. O dever de casa foi feito. A renderização foi trabalhada com cuidado, a roupa do herói recebeu destaque nos detalhes, o que engloba as vestimentas dos outros soldados também. Já o resto dos cenários, objetos e conteúdo geral das ambientações são mais desleixados. O que não representa mal algum. No quesito jogo belo, o game consegue se elevar bem mais do que os games anteriores de heróis propostos pela mesma produtora.

Sob uma batida militar, de tambores rufados ao fundo, a trilha emerge sobre o gameplay como o clima do jogo pede. Com sirenes de ataque aéreo em alerta e o som batido da música clássica contundente das grandes obras de guerra. Induzindo ao heroísmo, a música acompanha o jogador pela ação empurrando-o a querer ser o próprio Capitão América.

Ao todo são oito horas de jogo, que parecem ser bem menos por conta da sua facilidade. Tentar o modo hard pode ser um jeito mais interessante de se aproveitar a experiência ao máximo.

Dada às expectativas, o jogo se mostrou morno, porém divertido. Nada que comprometa a reputação da SEGA. No entanto, gastar uma grana considerável ao comprá-lo não é uma das atitudes mais louváveis, então se a vontade de jogá-lo bater, uma dica: espere o próximo Preço Justo.

Gráficos: 7,5
Som: 8,0
Jogabilidade: 7,5
Diversão: 7,5
Nota Geral: 7,5

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