Análise do Jogo: "Trine 2"

Por Ultra Downloads
Plataforma: PC, Xbox 360, PlayStation 3 Desenvolvedor: Frozenbyte
Distribuidor: Atlus Gênero: Aventura, Plataforma, Puzzle

Enquanto o ano que se passou teve uma série de títulos multiplataforma que o grande público aguardou ansiosamente, o mercado de jogos independentes ligado às plataformas de distribuição digital também trouxe suas grandes surpresas.

Trine 2 pode ter chegado próximo das festividades do natal em um período de recesso por muitos, mas nem por isso devemos dar uma atenção menor ao título. Para quem ainda não está familiarizado com a franquia, estamos falando da sequência direta de um dos jogos de plataforma, puzzle e side-scrolling (como a cenário lateral de Mario) mais inventivos dos últimos tempos.

Desenvolvido pela finlandesa Frozenbyte, Trine chegou no ano de 2009 como se não quisesse nada, mas sua jogabilidade inovadora, em que é possível controlar três personagens diferentes ao mesmo tempo, aliada a belíssimos gráficos, rendeu atenção até demais, e vendeu o assombroso número de 400 mil cópias em todas as plataformas.

Trine 2 continua tudo aquilo que já era bom no antecessor. Voltamos a ver as caras de Zoya, uma ladra que usa como arma um arco e flecha e utiliza um gancho para se pendurar pelos cenários; Pontius, um bravo cavaleiro que usa sua espada e escudo ou martelo para acabar com os inimigos; e Amadeus, um mago que levanta objetos e conjura caixas e plataformas de metal.

O nome do jogo faz alusão ao objeto Trine, uma peça mágica e mística em que os três personagens entraram em contato no primeiro jogo e uniu seus corpos e mentes, possibilitando assim o controle simultâneo dos mesmos.

A trama do segundo game une novamente nossos heróis através do Trine, que os chamam para salvar um reinado distante que sofre da influência dos goblins. No começo eles não sabem bem porque estão lutando, mas pelo caminho descobrem personagens que os influenciam a enfrentar o maléfico Goblin Rei.

Logo de cara, é possível dizer que Trine 2 está muito maior e mais complexo que o antecessor. Os cenários em campos abertos agora contam com iluminações diretas do entardecer do sol, em meio ao contraste de floresta e templos em ruínas. O jogo está graficamente mais exuberante em todos os sentidos, mostrando uma paleta de cores ainda maior que o antecessor.

A jogabilidade continua igual, com o manejo de um controle para movimentar seu personagem pelas laterais do cenário, pensando em formas para resolver puzzles e momentos de ação, com diversos personagens entrando em cena para matar ou morrer.

A interação com o cenário também volta, com Zoya sendo utilizada para alcançar locais altos que escondem segredos e poções de experiência, Amadeus fazendo de suas caixas mágicas facilidades para resolver puzzles e pular entre plataformas, e o martelo de Pontius sendo usado para quebrar locais inacessíveis do cenário.

O humor característico do trio também retorna, e contam com muito mais diálogos através da fases, continuando o característico clichê medieval: Zoya é uma ladra e pensa na riqueza que pode adquirir, Amadeus é um mago, estudioso, sensível e medroso, e Pontius é um cavaleiro gordo que só pensa em comer -- com ele sendo responsável pelos diálogos mais divertidos dos três.

O segundo jogo de Trine mostra um amadurecimento em diversos níveis, já que é possível encontrar referências na complexidade dos puzzles, assim como em alguns inimigos que se enfrentam.

Como todo bom jogo que envolve quebra-cabeças, Trine 2 remete alguns deles à brilhante série Portal, da Valve, quando nos deparamos com espelhos mágicos que fazem uma espécie de portal de um lugar ao outro e devem ser movidos para alcançar um determinado local do cenário.

Outra referência (que obviamente não poderia faltar) são inimigos caranguejos que lembram em demasia àqueles de Donkey Kong Country Returns -- já que, se estamos fazendo um jogo de plataforma, porque não homenagear a boa e velha Nintendo, que é mestre nesse gênero, não é mesmo?

Mas ao mesmo tempo que o jogo traz novas fórmulas e puzzles, o processo pode ficar um tanto complexo demais e até tedioso quando a solução não vem de imediato à mente. Os quebra cabeças aqui exigem junção de objetos criados pelo mago, assim como a utilização do gancho de Zoya -- e acabam por se tornar muito mais complexos que os da própria Valve.

Isso pode quebrar um pouco a ação do título, espaçada demais em silêncios para sair de situações mais complexas. Outro ponto fraco são os combates que ocorrem com inimigos. É possível acabar com dezenas deles indo de um lado para outro com os ataques de Pontius, sem oferecer desafio algum.

Ou também, os combates com os chefes das fases, que pouco oferecem coordenação e raciocínio, apenas um pouco de destreza no manejo do controle. O pior de tudo é o chefe final, que com algumas poucas flechas da ladra acaba em poucos minutos na maior decepção do jogo.

Faltou um pouco de explicação por parte do jogo para refrescar a mente dos jogadores das habilidades de cada personagem. Por exemplo, tem muita gente que pode não se lembrar que o mago pode levitar quando em cima de duas de suas caixas mágicas.

Mas apesar destes deslizes, Trine 2 ainda brilha em seus pontos fortes, com fases muito bem construídas, que oferecem desafios a todo instante aos jogadores, à jogabilidade sólida e a excelente parte gráfica -- fazendo deste, com tantas cores vivas, o oposto do monocromático Limbo, no gênero puzzle-plataforma.

Trine 2 oferece ainda extras como poemas que podem ser encontrados nas fases e um bom sistema de multiplayer, com jogadores interagindo entre si para resolver quebra-cabeças. Este é um dos mais belos jogos graficamente deste ano e um excelente título de ação-puzzle-plataforma e side-scrolling para se jogar.