10 jogos para relembrar os dez anos da trajetória do Xbox 360

Por Carlos Ferreira

Em novembro do ano passado, o Xbox 360 chegava à sua décima primavera. Uma trajetória bastante respeitável e longa – sobretudo para uma indústria que, há não muitos anos, baseava-se em ciclos de não mais do que meia década, na melhor das hipóteses. Ao longo de dez anos, o 360 ganhou dezenas de títulos inesquecíveis, enquanto deixava claro que a Microsoft realmente havia chegado ao mercado de consoles caseiros para ficar.

xbox 360

Por mais natural que seja, entretanto, não tem como encarar sem algum pesar o anúncio recente da Microsoft. Em nota oficial, a companhia afirmou que vai interromper a produção do aparelho, restando às prateleiras apenas os consoles que ainda constarem em estoque. “O Xbox 360 significa muito para todos na Microsoft”, disse o chefão da divisão do Xbox, Phil Spencer.

Ele continua: “Embora nós tenhamos atravessado uma jornada incrível, a realidade de fabricação do produto com uma década de idade começa a nos arrastar para fora do jogo. É por isso que tomamos a decisão de interromper a fabricação de novos consoles Xbox 360. Nós vamos continuar a vender o estoque existente, conforme a disponibilidade de cada país”.

Halo Reach

Biblioteca de respeito

Embora tenha passado penúrias nos seus primeiros anos – sobretudo em razão do que foi definido como a “pressa” da Microsoft em lançar a plataforma -, o Xbox 360 certamente deixou um belo legado. Com 78 bilhões de horas jogadas mundo afora, o console trouxe já no seu nascimento pedradas como Gears of War, Halo, Dead Rising e BioShock. Isso para não falar nas dezenas de games multiplataforma, como GTA IV, Rock Band 3, Call of Duty: Modern Warfare 4, Dark Souls e tantos outros.

Portanto, além de levantar as taças em um brinde ao velho companheiro, vale a pena resgatar alguns dos games que não apenas marcaram o ciclo do 360, mas que também lançaram as bases para a atual e também para as próximas gerações. Sem mais, confira abaixo dez jogos para relembrar nos dez anos de vida do Xbox 360.

BioShock

Embora tenha sido posteriormente lançado também para o PlayStation 3, BioShock foi uma das estreias que sem dúvida fez muita gente optar pela Microsoft – mesmo ao preço de, eventualmente, encarar as famigeradas “Três luzes da morte”.

Hoje um clássico inconteste da 2k, BioSchock não apenas trouxe uma história de ficção científica incrivelmente densa e bem escrita, como ainda provou que o gênero FPS (tiro em primeira pessoa, na sigla em inglês) é muito mais do que headshots em um ambiente de Segunda Guerra Mundial de precisão histórica questionável.

De fato, enquanto lutava para encontrar uma saída da utopia científica concebida pelo visionário (e também um tanto insano) Andrew Ryan, era até bem fácil que você se esquecesse de que se tratava de um jogo de tiro. E isso tanto pela imersão proporcionada pela trama e pelos personagens incrivelmente cativantes quanto pela mecânica de jogo igualmente afinada e inovadora – com sua mescla de escopetas e superpoderes junkies.

Fable II

Uma das melhores criações de Peter Molyneux, Fable II trouxe ao Xbox 360 em 2008 um mundo medieval fantasioso amadurecido – ora cômico, ora impudico, invariavelmente divertido e por vezes até dramático. Enquanto lutava para salvar Albion e sua própria pele, você ainda podia formar sua própria família – gerando, por sua vez, conquistas duvidosas como “The Swinger” e “The Bigamist”.

Forza Motorsport 4

Forza Motorsport concentra a típica história da “alternativa” que ganhou vida própria. Inicialmente uma resposta ao sucesso colossal da série Gran Turismo (exclusiva do PlayStation), a criação da Turn 10 Studios chegou à sua quarta iteração com um título incrivelmente afinado – chegando mesmo a despontar de GT em várias críticas especializadas.

Forza Motorsport 4 ainda trouxe como chamariz extra para série uma bem firmada parceria com o programa Top Gear, da rede britânica BBC, trazendo as vozes de Jeremy Clarkson para dentro do jogo – disponível em descrições e também no modo Autovista, que permitia uma visão bastante detalhada de alguns bólidos. FM 4 ainda foi o primeiro da franquia a utilizar o Kinect, mesmo que de forma bastante sutil.

Gears of War

Juntamente com Halo, Gears of War é um daqueles títulos que evocam imediatamente o próprio conceito do Xbox 360 – belos gráficos, modos multiplayer acelerados, distopias científicas. Embora os três games da série tenham feito um belo estrago, entretanto, é possível apostar em certo “charme” exclusivo do primeiro título.

Curiosamente, Gears of War teve sua jogabilidade característica atrelada ao que era ainda uma limitação da forma como o potencial do Xbox 360 era explorado. Com número reduzido de espaços abertos amplos, GoW trazia os locust para muito perto do seu retículo de mira – em uma série de combates próximos capazes de gerar níveis incríveis de tensão, sobretudo nos níveis mais difíceis. Ademais, embora tenha sido adicionado de última hora, o modo multiplayer é hoje prontamente lembrado por quem jogava à época.

Fallout 3

Com certeza não falta quem considera Fallout como a melhor série de videogames focada em uma realidade pós-apocalíptica — talvez a transposição mais fiel do feeling de filmes como Mad Max para dentro do entretenimento eletrônico à época.

Lançado em 2008, além de oferecer à exploração toda uma terra devastada virtual, Fallout 3 foi igualmente sublime na hora de explorar as relações humanas entre o que restou da espécie – algo que New Vegas bem soube dar continuidade.

Senão, vale aqui um destaque para o objeto de adoração em uma das últimas comunidades humanas das wastelands: uma bomba nuclear por detonar reunia à sua volta todo um séquito liderado por um pregador alucinado que via na fissão atômica uma mensagem de redenção e evolução. (Naturalmente, você pode detonar a dita bomba em certa missão bem pouco filantrópica).

Braid

As dezenas de milhares de downloads de Braid logo em suas primeiras semanas de Xbox LIVE Arcade mostram não apenas que se tratava de um grande jogo, mas também que se tratava de algo praticamente inédito – pelo menos da forma como se apresentava. Basicamente, uma colcha nova feita com retalhos velhos... Mas belos.

Embora à primeira vista se trate de um jogo de plataforma old school, basta entrar pela primeira fase para ver que o herói improvável que atende por “Tim” tem diante de si um mundo igualmente belo, criativo e repleto de questões morais que repelem noções simplistas de “bom” e “mau”. Ademais, literalmente uma obra de arte interativa, com cores lembrando pinturas impressionistas e uma belíssima trilha sonora.

Batman: Arkham City

Em um momento em que o público andava desconfiado em relação a qualquer coisa que envolvesse um sujeito com a cueca por cima das calças, a então desconhecida Rocksteady surgiu com o que certamente é um dos títulos mais memoráveis da sétima geração. Mas se Batman: Arkham Asylum serviu para mostrar que, sim, era possível devolver o respeito aos super-heróis dentro do entretenimento eletrônico, foi com seu sucessor que a fórmula inovadora alcançou seu real potencial.

Batman: Arkham City elevou a novos patamares a trama intrincada, a atmosfera lúgubre e as mecânicas de combate impecáveis que fizeram com que Asylum tomasse público e crítica de assalto em 2009. E isso com uma proposta bastante coerente: o temível sanatório para supervilões precisava de novas instalações... E nada mais adequado do que arrendar toda uma parte marginalizada de Gotham City para isso, certo?

Quer dizer, era ano de eleição e, ademais, o que poderia dar errado? Seja como for, não seria demais pedir: Façam o mesmo pelo Super-Homem!

Halo: Reach

Outra marca prontamente associada à segunda geração do console da Microsoft, Halo teve na cartada final para o console um de seus episódios mais memoráveis. Embora a escolha tenha soado sacrílega para muitos fãs, Halo: Reach audaciosamente deixou de lado o imbatível Master Chief para focar suas história nos membros condenados do Noble Team – trazendo consigo um nível de imersão e uma aura dramática até então inédita na série.

Mas o modo multiplayer, um dos pontos fortes da franquia, também ganhou novo tratamento. Embora a Bungie tenha apostado em algo como “não se mexe em time que está ganhando”, Reach trouxe um MP bastante funcional e com uma adição importante: a habilidade de correr.

Portal 2

É bem verdade que os dois jogos da série Portal entrariam sem muito esforço nesta lista. Afinal, foi com o primeiro game que uma fórmula igualmente simples e genial de jogo foi apresentada pela primeira vez – espécie de demonstração técnica glorificada com mais qualidade e personagens carismáticos do que boa parte dos games com aportes polpudos.

Assim como em Arkham City, entretanto, a segunda interação conseguiu expandir à perfeição a receita original – e sem deixar de fazer seus acréscimos próprios. Dessa forma, a mecânica de jogo à prova de críticas do primeiro game apenas ganha funcionalidades novas em um mundo menos “esterilizado”, enquanto que a inconfundível GLaDOS ganha a companhia (e o antagonismo) do robozinho Wheatley. Isso enquanto ao jogador é permitido desvendar a história perdida por trás dos disparates da Aperture Science.

Mass Effect 2

Mass Effect é uma daquelas séries tão envolventes que, após algumas poucas horas, é fácil mesmo se esquecer de que se trata “apenas” de um jogo. Mas se o primeiro game apareceu com uma versão mais adulta – e sexualmente permissiva – de Star Wars e Jornada nas estrelas, foi mesmo no segundo que a BioWare mostrou do que a série era capaz.

Ao retirar algumas mecânicas provadas ineficientes ao longo do primeiro game – incluindo o válido, mas desajeitado “Mako”e o superaquecimento constante das armas –, Mass Effect 2 apresentou uma jogabilidade muito mais refinada, embora sem jamais se descuidar da política intrincada e das histórias paralelas anunciadas pelo antecessor. É verdade que Mass Effect 3 também seguiu o bom caminho das pedras – embora tenha metido o pé na água ao final, de acordo com alguns fãs indignados.

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