10 jogos para entender a cena independente

Por Durval Ramos | 09.09.2016 às 09:04

Os jogos independentes deixaram de ser, há um bom tempo, aquela coisa de nicho. Em uma enorme virada no mercado, eles deixaram de ser marginalizados pela grande indústria para se transformar em um dos braços fortes do mercado atual. Com muito mais visibilidade, os estúdios indies conseguem apostar em novas e ousadas ideias e, ainda assim, alcançar seu público, algo praticamente impossível de se sonhar anos atrás.

Parte dessa mudança está na facilidade oferecida pelas plataformas digitais. Steam, Xbox Live e PSN se transformaram em excelentes canais para unir esses produtores de conteúdo com os jogadores, que tiveram muito mais acesso a esses títulos. Assim, mesmo sem os milhões de dólares investidos em marketing, vários desses games acabaram chegando ao estrelato graças à divulgação boca a boca entre os jogadores.

E exemplos de casos assim não faltam. Limbo é um indie que até hoje segue sendo lembrado como uma das experiências mais memoráveis dos últimos anos, principalmente pela sua qualidade artística. Até mesmo o polêmico No Man’s Sky, ainda que tenha recebido um impulso absurdo no marketing por parte da Sony, tem seu valor no que diz respeito a pensar fora da caixa na qual a grande indústria insiste em trabalhar. É exatamente essa ousadia de fazer diferente que marca esse segmento cada vez mais popular.

Indies

Por isso, decidimos listar alguns dos melhores games indies dos últimos anos para que você conheça um pouco do que está sendo produzido fora do grande circuito. Muito além de Sony, Microsoft, Nintendo, Ubisoft e EA, há uma infinidade de pequenos estúdios trabalhando em ideias mirabolantes e criando novas maneiras de contar histórias. Conheça algumas delas.

1. Minecraft

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Talvez a maneira mais clara de mostrar que os jogos independentes deixaram de ser esse clubinho fechado é o fato de que Minecraft se tornou um monstro dentro da indústria como um todo — maior até que muitos jogos de grandes produtoras. Tudo bem que ele foi adquirido pela Microsoft e deixou para trás esse caráter independente, mas o que importa é que o jogo nasceu com esse viés indie, como o visual cúbico deixa claro. Desenvolvido por Markus “Notch” Persson, o título encantou exatamente pela liberdade oferecida ao jogador.

E o sucesso veio tão rápido que ele já se tornou um fenômeno ainda em sua fase Beta, sendo divulgado por jogadores em fóruns e vídeo no YouTube. A possibilidade de criar qualquer coisa com os blocos logo conquistou uma legião de fãs e fez do jogo uma máquina de imprimir dinheiro.

Disponível para: PC, PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, Wii U, iOS e Android

2. Braid

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Apesar de Jonathan Blow adotar o manto de “quero ser cult” que ainda permeia o mercado independente, não há como negar que Braid é um divisor de águas dentro do cenário. Em tese, o game é apenas mais um título plataforma com muitas semelhanças com Super Mario Bros, com a diferença de que ele tem um apelo artístico enorme, com todos o cenários sendo pintado em aquarela, o que já causa um impacto enorme logo de cara.

Porém, você logo começa a perceber que ele é muito mais que isso, principalmente quando percebe como a mecânica de voltar no tempo para corrigir suas falhas está atrelada à narrativa. Sem entrar no spoiler, trata-se de algo tão bem cuidado e pensado que é realmente difícil imaginar como algo desse tipo poderia ser feito em um jogo lançado por uma grande produtora. É de uma delicadeza rara.

Disponível para: PC, PS3 e Xbox 360

3. Inside

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Limbo é o game mais popular da Playdead, mas queremos destacar aqui o mais recente título da empresa. Lançado há poucos meses, Inside segue os mesmos caminhos de seu antecessor, mas aprimorando vários aspectos técnicos e narrativos. Mesmo sem falar uma única palavra, ele consegue contar uma história incrível, daquelas que fazem a sua cabeça explodir quando você se dá conta do que está acontecendo.

O jogo é bem simples, mas consegue envolver o jogador do começo ao fim. Mantendo o mesmo esquema de luz e sombra de Limbo, Inside faz com que você sinta toda a pressão e o desespero pretendidos na hora certa e sem apelar para os exageros que estamos acostumados a ver. Mesmo sendo bem curto, ele mostra como o bom domínio da linguagem dos videogames pode resultar em coisas incríveis. Nós do Canaltech chegamos inclusive a fazer um vídeo sobre o game.

Disponível para: PC, PS4 e Xbox One.

4. The Stanley Parable

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Outro exemplo de como um jogo independente consegue brincar com a linguagem para subverter a lógica do videogame. The Stanley Parable coloca o jogador na pele de um personagem comum que deve (ou não) seguir a narração que surge em sua história. É uma ótima sátira à ideia de que somos muito presos à linearidade oferecida pelo game design. Ao romper com essa limitação, surgem novas possibilidades inimagináveis.

O “problema” dele é que, por ser quase conceitual, ele acaba não sendo tão acessível para o público geral. Quem procura um título apenas para passar o tempo dificilmente vai encontrar o porquê de The Stanley Parable fazer tanto sucesso. Porém, basta entender as nuances escondidas nas entrelinhas para perceber como esse indie é genial.

Disponível para: PC.

5. Undertale

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Outro game que rompe com a narrativa clássica, mas ainda se mantendo palatável para quem não está tão interessado nessa discussão sobre linguagem e meio. Com um visual retrô, Undertale coloca o jogador em uma jornada clássica de RPG por um mundo de monstros. O objetivo é sair desse lugar, mas ele traz várias mecânicas que escapam da lógica clássica.

A maior prova disso é que você não precisa atacar para sobreviver a um combate. Você pode simplesmente negociar com o inimigo, chegar a um consenso e até fazer amizade com alguns deles. E, a partir de uma ideia tão diferente, ele mostra o quanto os RPGs tradicionais estão engessados dentro de um único formato.

Disponível para: PC.

6. Super Meat Boy

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Um dos principais responsáveis pelo levante independente dos últimos anos. Ao contrário dos últimos exemplos, Super Meat Boy deixa um pouco de lado essa vontade de romper com o clássico e de explorar outras facetas do meio para voltar às origens: um árcade bastante básico, mais muito desafiador. Controlando um herói feito de carne, o jogador precisa passar pelos mais variados e insanos obstáculos — que vão quase sempre levá-lo à morte certa.

A popularidade de Super Meat Boy nasceu exatamente dessa dificuldade aliada a uma simplicidade incrível, o que ajudou nessa divulgação orgânica entre os jogadores. Ele era tão divertido que as pessoas começaram a recomendá-lo umas para as outras até o ponto de ele se transformar em um sucesso.

Disponível para: PC, Xbox 360, PS4, PlayStation Vita, Android.

7. Hotline Miami

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Hotline Miami é um daqueles jogos que, se tivesse uma visibilidade maior, certamente seria proibido em muitos países. Abusando da violência e do politicamente incorreto, o jogo conquistou muita gente pelo ritmo da ação, pela ótima trilha sonora e por também exigir muita habilidade e estratégia dos jogadores.

O barulho causado em torno de seu lançamento foi tão grande que não demorou para que a exclusividade do PC acabasse e ele logo ganhasse versões para consoles. Além disso, ele ainda recebeu uma sequência há pouco tempo, que manteve toda a essência do jogo original — além de ousar ainda mais em pontos ainda mais polêmicos, com direito inclusive a uma controversa cena de estupro.

Disponível para: PC, PS3, PS4, PlayStation Vita e Android.

8. FEZ

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FEZ é mais um dos indies que ajudou a alavancar o “gênero”, muito por conta da figura de seu criador. Assim como Jonathan Blow, Phil Fish é um daqueles autores que conseguem se destacar mais que sua obra — e, no caso, isso não é algo tão bom assim. Ele dedicou tanto sua vida à criação do game que chegou a virar estrela de um documentário sobre isso. Porém, o que sempre é lembrado é seu comportamento agressivo e seu desdém com a indústria como um todo.

Porém, mesmo ignorando as polêmicas que cercam seu criador, FEZ merece nossa atenção pela sua jogabilidade inventiva. Mesmo com um visual retrô bastante poligonal, ele sabe usar muito bem a ideia de perspectiva para criar situações realmente diversas e trazer diversas reviravoltas. Com uma mudança no ponto de vista do cenário, tudo muda e você ganha novas possibilidade e desafios.

Isso sem falar que o pequeno Gomez, um simpático herói bidimensional que adquire o poder de ver e controlar a tridimensionalidade do mundo, é um dos personagens mais carismáticos dos últimos anos.

Disponível para: PC, PS3, PS4, PlayStation Vita e Xbox 360.

9. Gone Home

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O que você faria se, um dia, acordasse em sua casa e descobrisse que toda a sua família desapareceu e que a única pista é um bilhete escrito por eles dizendo para você não tentar descobrir o que houve? Esse é o estranho ponto de partida de Gone Home, um jogo focado na exploração e na descoberta.

Talvez este seja um dos títulos mais “convencionais” dentre os games indies listados aqui, mas não quer dizer que ele seja genérico ou sem graça. Toda a história e a forma como as coisas são apresentadas ao jogador envolvem do começo ao fim e fazem com que você fique cada vez mais ligado àquele enredo e na busca por respostas.

Disponível para: PC, PS4 e Xbox One.

10. The Binding of Isaac

Indies

Eis um jogo bastante perturbador. Afinal, que outro adjetivo classificaria um game cuja história traz uma mãe obstinada a sacrificar seu filho após ter recebido uma mensagem divina pedindo por isso para testar sua fé? Assim, o jogador controla o pequeno Isaac em sua tentativa de escapar dessa casa de loucos para poder sobreviver. O problema é que, para isso, ele precisa enfrentar alguns monstros bem estranhos.

Parte do charme do título está na criação procedural de mapas, ou seja, os desafios são criados de maneira aleatória cada vez que você avança, o que faz com que um jogo nunca seja igual ao outro, deixando tudo ainda mais desafiador.

Disponível para: PC, PS4, PlayStation Vita, Wii U, New Nintendo 3DS e Xbox One.