Usuários brasileiros de Internet das Coisas estão mais preocupados com segurança

Por Redação | 20.10.2015 às 09:25

A F-Secure, empresa especializada em segurança e privacidade digital, divulgou recentemente o resultado de uma pesquisa feita com 8.800 pessoas do Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Argentina, Colômbia, México, Itália, Suécia e Índia. O estudo tem como objetivo fazer o mapeamento do quanto a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) já está sendo adotada nestes locais e mostrar o quão preocupados estão os usuários em relação a questões de segurança e privacidade da plataforma.

De acordo com o estudo, 30% dos usuários brasileiros entrevistados afirmaram que compraram uma Smart TV nos últimos 12 meses, enquanto os outros países alcançaram a média global de 23%. Além da televisão, as pessoas estão adotando outras categorias de produtos IoT, como os dispositivos vestíveis e que se conectam à internet.

"Seja no âmbito local ou global, esta enquete indicou que as pessoas estão adotando cada vez mais a Internet das Coisas. O avanço para esta plataforma acontece simultaneamente com o fato de que o usuário está cada vez mais preocupado em preservar a privacidade e a segurança de seus dispositivos IoT. É importante destacar que o Brasil está à frente de outros países em relação à conscientização sobre a questão da segurança e da privacidade deste ambiente", afirma Lidiane Rocha, gerente sênior de marketing da F-Secure para a América Latina.

A pesquisa ainda revela que 80% dos 800 brasileiros que responderam a pesquisa disseram estar preocupados com a possibilidade de ataques hacker ou contaminação do dispositivo por algum vírus ou malware. A média global de preocupação chegou a 70%. "Um sinal da maturidade dos usuários locais de dispositivos IoT é a fatia que se diz preocupada com a possibilidade de perder sua privacidade ou ver seu equipamento ser monitorado por alguém não autorizado. No Brasil, 79% dos entrevistados estão preocupados com essa possibilidade, contra 69% dos participantes globais", comenta a gerente.

Ainda segundo o estudo, 70,63% dos brasileiros dizem acreditar que a internet vem se tornando um ambiente perigoso e que isso os motiva a mudar suas atitudes no mundo digital. Cerca de 43,62% dos usuários do Brasil também dizem que têm estudado sobre as mais recentes ameaças digitais e procuram informações sobre estratégias e soluções para evitar esses males.

Outro detalhe é que 89,5% do grupo analisado dizem ter interesse em obter mais infirmações sobre as ameaças que cercam o mundo do IoT. Rocha ainda diz que a pesquisa revelou que "71,12% dos participantes mostram preocupação com a possibilidade de serem vigiados remotamente por alguma agência de inteligência de países por onde seus dados passam por conta da utilização de serviços na nuvem".

Mika Stahlberg, diretor de Pesquisa de Ameaças Estratégicas, diz que as preocupações são compreensíveis, levando em conta o tipo de dispositivo que vem sendo usado. "Além do propósito de entretenimento, a adoção da IoT está voltada para produtos relacionados a melhoria da qualidade de vida. E produtos como câmeras de segurança, fechaduras inteligentes e carros inteligentes também desempenham papéis importantes na segurança física. Por isso, as ameaças online assumirão um papel real à medida que mais pessoas comecem a usar esses dispositivos. As pessoas estão certas em se preocupar com isso", explica.

O pesquisador também afirma que observou que roteadores para uso doméstico foram mais atacados nos anos recentes, o que indica que os criminosos consideram os dispositivos inseguros e uma boa oportunidade de invasão. "Os dispositivos IoT se tornarão alvos cada vez mais populares para ataques, precisamente porque as pessoas não pensarão em protegê-los. Já vemos isso ocorrendo com roteadores domésticos, que proporcionam um bom exemplo de como os dispositivos IoT podem ser comprometidos. Os hackers podem usar roteadores para monitorar e manipular o tráfego da Internet, e grupos como o Lizard Squad já os usam para criar serviços botnet vendáveis", comenta.

No ano passado, a F-Secure realizou um estudo semelhante que, comparando com o atual, mostra que os consumidores estão a cada vez mais comprando dispositivos de uma categoria mais ampla de produtos. Entre as categorias em crescimento estão dispositivos para fitness e "life tracking" (aumento de 3% para 5%); para monitoramento residencial (de 1% para 4%); e para streaming de TV (de 4% para 6%).

Stahlberg deixa claro que muitas destas categorias ainda são novas e diversos dos produtos não são tradicionalmente associados à fabricação de produtos de TI. Com isso, os problemas de privacidade e segurança devem continuar crescendo.

"Os fabricantes estão se focando na facilidade de uso e se apressando em colocar seus produtos no mercado, o que está levando a uma situação em que há uma ampla gama de dispositivos com funcionalidade limitada e algumas vulnerabilidades de segurança. Os problemas específicos de segurança enfrentados por esses dispositivos não são muito diferentes da TI tradicional, mas o crescimento das redes para acomodar esses dispositivos está expandindo os desafios tradicionais de segurança. As pessoas e os fabricantes precisam começar a pensar em maneiras de garantir que as redes de dispositivos IoT sejam gerenciáveis – essa é a única forma de evitar que a situação de segurança fique fora de controle", completa.