Futurista avalia potencial de transformação e desafios da realidade virtual

Por Rafael Romer | 18.07.2016 às 09:47
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

A realidade virtual (RV) ainda pode estar dando seus primeiros passos, com diversas empresas e entusiastas desenvolvendo diferentes dispositivos e interações com a tecnologia. Mas isso não significa que ainda não podemos tentar projetar quais serão algumas das transformações e desafios dessas plataformas para nossa sociedade no futuro e como elas poderão modificar a forma que interagimos com outras pessoas e objetos.

Na tentativa de compreender alguns destes impactos, diversos pesquisadores e futuristas têm se dedicado ao estudo da tecnologia RV com o objetivo de levantar questionamentos e buscar possíveis orientações de como a realidade virtual pode evoluir.

"A futurologia cria espectros de possíveis futuros que nós visualizamos para, a partir daí, podermos enxergar qual o melhor futuro que queremos seguir. Funciona como uma inspiração", explicou a cofundadora da consultoria de inovação e futurologia Diip, Camila Ghattas, durante um debate no evento do setor BRVR, realizado no último sábado (16), em São Paulo.

Ghattas desenvolve, atualmente, uma plataforma de pesquisa em realidade virtual que busca entender qual o comportamento de consumidores no ambiente virtual de compras através do uso de um Oculus Rift.

Com a plataforma, a equipe mede informações que vão desde o tempo que pessoas interagem com cada produto até e trajeto em um ambiente virtual, que podem ser utilizadas como forma de entender o impacto da RV no chamado retorno sobre investimento (ROI) de empresas ou ainda na forma como companhias podem criar melhores planos de desenvolvimento de novas experiências de usuário.

"A realidade virtual traz uma mudança muito grande: da Internet da Informação para a Internet da Experiência", comentou Ghattas. "Isso é muito válido. Temos que pensar como promoveremos experiências, e não só em como entregar informações para as pessoas".

A partir dos dados coletados, a futurista já indica algumas das observações que tem feito com a análise de interações com a realidade virtual.

A ativação do mecanismo de empatia, por exemplo, parece ser mais forte com a RV. Segundo ela, a tecnologia tem o potencial de engajar emocionalmente o usuário com mais força no mundo virtual do que através de outros meios. Isso exigirá que companhias repensem, por exemplo, a experiência de uso de suas plataformas, que não mais poderão ser "multicanal", mas sim "omnicanal": uma experiência unificada e otimizada para qualquer tipo de acesso.

Já do ponto de vista tecnológico, a pesquisadora destaca que a realidade virtual também abre uma nova janela para a quantificação e exploração de dados sobre o comportamento de pessoas a partir da forma como elas interagem com o universo digital.

"A gente consegue quantificar o movimento de uma forma que em uma interação física é muito difícil", avalia. "Isso traz novos tipos de insight para todos tipos de projeto. É uma macrorrevolução que beneficia todas as indústrias".

Mas apesar dos potenciais transformadores, ainda há algumas questões não resolvidas pela indústria e que precisam que desenvolvedores busquem criar soluções criativas, de acordo com Ghattas. O desafio do modelo de pagamentos na realidade virtual é um desses problemas não resolvidos - já que inserir manualmente números de cartão de crédito não é uma modelo viável para o consumidor. As interfaces de interação também são outro aspecto que precisam ser repensados, uma vez que dispositivos como mouses são incômodos para lidar com a RV.

"Se a gente quer ser pioneiro de mercado e lançar plataformas mais relevantes, a gente tem que se arriscar para encontrar os caminhos que apontam para esse futuro", encerra a futurista.