Microsoft desenvolve caneta para tablet capaz de prever como será utilizada

Por Redação | 13.10.2014 às 10:50

Apesar de ir contra o que Steve Jobs pensava a respeito de sua funcionalidade, desenvolvedores de diversas companhias têm trabalhado obcecadamente em novos modelos de canetas para dispositivos touch. Jobs afirmou uma vez que "se você vir uma caneta, eles estão fazendo errado", quando falava sobre tablets, mas ainda assim a Apple incluiu em seu iOS 8 funcionalidades que melhoram muito a utilização do acessório no iPad.

Agora, a Microsoft quer introduzir um modelo em que o corpo da caneta é envolvido por sensores multitouch capazes de detectar como o usuário a está segurando. O acessório foi criado para ser utilizado em conjunto com um tablet que possui uma função de reconhecimento semelhante. Juntos, a caneta e o tablet são capazes de medir com precisão o posicionamento e a maneira como o usuário toca a tela.

Ken Hinckley - do Laboratório de Pesquisa da Microsoft - acredita que o mercado está caminhando para um momento em que a utilização de canetas será tão comum na computação quanto a própria tecnologia touch é hoje em dia. Mas, para isso, é necessário que o acessório se torne mais inteligente e com a capacidade de, por exemplo, realizar uma previsão do que você deseja fazer e conseguir se ajustar automaticamente à tarefa - o que é o caso da nova empreitada da companhia.

Segundo o Fast Company, a principal maneira de se "ler" a mente de alguém é através da observação daquilo que ela faz com as mãos. "Os seres humanos codificam grande quantidade de informação na forma como seguram as coisas", afirmou Hinckley em uma conversa com o site. "Por exemplo, se você quiser adivinhar as cartas que um jogador de poker tem, não olhe nos olhos dele. Olhe para suas mãos. Olhe como ele segura suas fichas, a maneira como segura suas cartas, como ele faz uma aposta. Se você souber identificar, as mãos dizem tudo".

É por isso que Hinckley é tão interessado em ensinar nossos computadores a ler a linguagem de nossas mãos. Uma caneta que pode detectar como está sendo segurada pode prever o objetivo com o qual ela será usada. Por exemplo, se você estiver segurando o acessório como uma caneta, o tablet do futuro pode prever que você quer escrever ou desenhar. Ou ainda, se você segurar a caneta como um estilete enquanto está digitando um texto, o equipamento entra automaticamente em modo de edição, permitindo "cortar fora" o conteúdo que você não quer.

Hinckley e sua equipe estão estudando a linguagem biomecânica do punho há três anos e meio e acredita que desenvolver um acessório capaz de fazer todas essas identificações ainda é um grande desafio. É necessário que os desenvolvedores entendam o que todos os 27 ossos, mais de 30 músculos e aproximadamente 50 nervos estão fazendo enquanto seguram a caneta. E então é preciso criar um sistema suficientemente inteligente para identificar o toque, processar o que aquele toque significa em termos práticos e se adaptar às características individuais do usuário. "Tem havido surpreendentemente pouquíssimas pesquisas sobre como as pessoas seguram as coisas", conta Hinckley.

Até agora, Hinckley e sua equipe da Microsoft Research identificou cerca de 30 diferentes maneiras de se agarrar as coisas, mas ele diz que a maioria são discrepantes: você nunca vai pegar o seu tablet como uma bola de beisebol, por exemplo.

O que se conseguiu identificar até agora foram 30 maneiras de segurar o acessório e seu tablet. Mas, mesmo a maior parte desses padrões não sendo aplicável de forma prática, a caneta pode compreender o contexto de uma quantidade de maneiras de segurar que seria suficiente para revolucionar a computação para tablets. Já existe tecnologia, por exemplo, para detectar se o usuário está ou não desenhando, pintando ou editando um documento em uma tela apenas pela forma como ele segura a caneta.

Apenas com esses avanços, já é possível concordar com Hinckley quanto a quão absurdo é pensar na extinção das canetas para dispositivos touch. Somos adaptados à manipulação de objetos com o punho e tornar a utilização das mãos na computação em algo possível e, acima de tudo, funcional pode significar um grande passo rumo a uma maior e extremamente acessível praticidade cotidiana.

Assista abaixo a um pequeno vídeo que mostra um pouco do funcionamento do protótipo da Microsoft: