As empresas devem se preocupar com os wearables?

Por Colaborador externo | 03 de Abril de 2015 às 06h48

Por Judith Birtelli*

Nos últimos anos as empresas vêm encarando novos desafios de segurança e privacidade com a chegada da tendência 'Bring Your Own Device' (BYOD), na qual os funcionários são incentivados a utilizar smartphones, tablets e notebooks próprios para exercer suas funções no ambiente corporativo. Mas a grande tendência em termos de aparelhos pessoais para os próximos anos são os Wearables, ou 'aparelhos de vestir'. Diante disso a questão que se apresenta aos empresários agora é: Será que o "vista seu próprio aparelho" (em inglês Wear Your Own Device, ou WOYD) será uma nova realidade corporativa?

Analistas preveem que 2015 será o "ano do wearable". O Instituto de pesquisa IdTechEx prevê um salto de vendas de US$14 bilhões em 2014 para mais de US$70 bilhões em 2024. O grande despertar dessa tendência foi, sem dúvida, o desenvolvimento do Google Glass, mas esse entusiasmo é também atribuído ao tão esperado lançamento do Apple Watch e ao fato de que estes dispositivos estão se tornando mainstream.

As primeiras questões em torno do Glass nos levam ao cerne do debate sobre wearable: existe a preocupação real de que a pessoa usando possa estar gravando a conversa. Ao transpor essa questão para o ambiente de trabalho, o Glass pode ser usado para gravar informações valiosas, como uma reunião, áreas sigilosas de P&D e até mesmo locais privados como banheiros e vestiários.

Os chamados "smartwatches", por sua vez, podem fazer vídeos em reuniões sem dar pistas aos participantes de que estão sendo filmados. E os novos dispositivos estão cada vez menores, mais modernos, e mais parecidos com relógios comuns, o que dificulta sua distinção no dia a dia.

Google e Apple são apenas dois exemplos dessa primeira onda de tecnologia wearable. Na próxima onda, experts preveem dispositivos em peças de vestuário, encaixados em joias, inseridos diretamente na pele, e uma série de outras ideias igualmente espantosas e incríveis.

Questões de privacidade à parte, também temos que pensar na segurança. Wearables rodam com software e estes são vulneráveis a ataques. Por isso alguns órgãos de segurança e agências ao redor do globo estão banindo esse tipo de dispositivo antes mesmo de sua popularização.

Claro que qualquer um pode perceber que você está usando um Google Glass, mas conforme os dispositivos wearables vão ficando mais difíceis de detectar, aumentam também os riscos de privacidade. Então o que fazer - como funcionário, gerente, especialista, ou dono de um pequeno negócio - para garantir a segurança de seus dados corporativos?

Em primeiro lugar é preciso pensar em políticas para o uso. Aqui vão algumas ideias:

  • Definir tipos e usos de dispositivos pessoais aceitáveis - sendo wearable ou não;
  • Definir como esses dispositivos pessoais serão monitorados enquanto o funcionário estiver no escritório;
  • Estipular como será o uso de dispositivos fornecidos pela empresa quando o funcionário estiver fora do ambiente de trabalho;
  • Reforçar/expandir as políticas de mídias sociais para incluir questões BYOD/WYOD;
  • Detalhar as penalidades para a violação da política de dispositivos.

Meu intuito não é ser negativa a respeito do uso de wearable, pois acredito que podem ser de grande valia no ambiente corporativo. Veja um exemplo, o Centro Médico Beth Israel Deaconess, Boston, EUA, desenvolveu um sistema de recuperação de dados para Google Glass que permite aos médicos da emergência pesquisar informações específicas sobre os pacientes por meio de QR codes fixados na parede de cada quarto.

Claramente estamos na iminência de uma evolução WYOD, então é natural que os wearables estejam invadindo os locais de trabalho. E, como em relação a qualquer nova tecnologia, é tudo uma questão de estar preparado para usá-la de forma coerente, segura e correta.

*Judith Bitterli é Chief Marketing Officer da AVG Technologies

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