Análise | Seria o Philips SHB2505 UpBeat o fone nosso de cada dia?

Luciana Zaramela/Canaltech
Tudo sobre

Philips

Saiba tudo sobre Philips

Ver mais

A correria do dia a dia deixa a gente louco com tanta tralha para carregar de casa para o trabalho, e do trabalho para casa. E se você é desses que colocam tudo numa mochila, pegam o transporte público ou via app e só vai ver o que colocou (e o que esqueceu) de fato quando chega no escritório ou na empresa, certamente já pensou em simplificar seus objetos. Bom, para os amantes de música que não dispensam uma trilha sonora diária, uma solução bacana seria investir em fones discretos, práticos e com custo relativamente ok — além, claro, de ter um estojinho de carga sempre à mão.

Resumimos aí a premissa do Philips UpBeat SHB2505, modelo truly wireless lançado neste ano pela marca aqui no Brasil. Já adiantando: este é um fone para quem precisa de praticidade no cotidiano, sem abrir mão de curtir podcasts e músicas nem atender a ligações com mais facilidade, com um resultado sonoro bem ok pelo valor que se paga nele, porém sem perfumaria e extras que elevariam o seu custo. Mas falaremos detalhadamente sobre isso e outros tópicos adiante, neste review. Vamo lá?

Design & Ergonomia

Miudinho, bonitinho, leve e discreto — será que os SHB2505 vão aguentar o tranco e te fazer boa companhia sem machucar os ouvidos durante algumas horas de uso?

Bom, à primeira vista, a impressão que se tem do modelo é que ele não teve um custo muito alto de produção, já que tem um visual bastante plástico, com emendas evidentes e, acima de tudo, é bem levinho, ficando alocado em um setor de fones intermediários, sem muitos frufrus. O case de carga que acompanha os fones também leva essas características: apesar de não ser pequeno (nem grande demais), é frágil e muito leve, enquanto, ao mesmo tempo, é bem charmoso e conta com leds indicadores de carga para quando você coloca/tira os fones dos slots de carga ou pluga o case num computador para recarregar sua bateria interna. O estojo tem fechamento magnético, assim como acontece quando você coloca os fones dentro dele para carregar.

Eis os fones e seu case de carga (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Entendemos que a Philips não quer atingir uma parcela muito exigente de usuários com este modelo in-ear fechado, completamente sem fios. O acabamento dos buds fica aquém da média, entretanto eles contam também com led indicador de conectividade logo abaixo da logo da Philips, em cada lado. De formato ovalado, superfície brilhante e tamanho bem discreto, são fones ideiais para quem quer comunicação rápida e simplificada com o celular e usar em todo lugar, em buds que trazem somente o básico e pronto.

Os fones têm em seu corpo um pequeno ganchinho de borracha que se encaixa na volta da orelha para conferir mais estabilidade a quem usa, não dando aquele medo constante de que vão se desprender e cair no vão da plataforma do metrô ou na rua, por exemplo. Aliás, com três jogos de ponteiras de silicone (P, M e G), o conjunto todo ganha muito mais estabilidade que fones como os AirPods, da Apple, por exemplo.

Apesar de não impressionarem pelo design e nem pela construção, são fones bem legais para o que se propõem a fazer, principalmente focando num público-alvo dentro dos millennials, principalmente, que quer música aonde quer que vá. Ah, e lembrando: são fones resistentes a água, podendo ser usados na academia ou durante a prática de exercícios ao ar livre — mas nem pense em tomar banho ou nadar com eles.

O SHB2505 é pequenininho, muito discreto, quase imperceptível — e bem firme na orelha (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Bateria

Fones para o dia a dia precisam ter uma bateria que se preze, certo? Os SHB2505 estão um pouco abaixo da média nesse quesito, trazendo uma autonomia de 3h a 3,5h de playtime. O lado bom da coisa é que temos um case para emergências, que traz 9 horas adicionais para salvar seu dia, completando cerca de 12 horas, ao todo, no conjunto. Isso é incrível? Não, não é nada extraordinário perto do que temos disponível no mercado hoje em dia, mas lembrando que, se a Philips está mirando naqueles que querem fones pela praticidade, esse não será um grande problema.

Infelizmente, não há um recurso de quick charge, ou carga rápida, aqui. Então, considere que, se você usa os fones tocando música durante uma hora por dia, terá carga individual para até 3 dias. Mas você não vai sair por aí sem levar o case na mochila ou na bolsa, então... basta estar sempre com ele e o cabinho USB do lado (o conector do case, aliás, é micro USB). Os 4 leds do estojo ajudam a entender quando é hora de plugá-lo no computador.

Não é um fone ideal para atravessar longas horas de viagem curtindo música sem parar. Aliás, ele não é voltado para longos períodos de escuta.

Close no case! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Conectividade

Apesar de termos aqui um modelo que ainda traz conectividade micro USB (em vez de USB-C, em pleno 2019), por outro lado temos Bluetooth 5.0 para uma comunicação sem fios de primeira. A conexão com o telefone é lisa, sem gargalos, principalmente para aqueles que não desgrudam do celular nem para tomar banho. Já para quem precisa deixar o celular tocando num cantinho enquanto levanta para fazer alguma coisa longe dele, pode ser que o Bluetooth não segure a estabilidade. A comunicação rola da seguinte forma: o celular (tablet, computador, etc.) envia o sinal para o fone da esquerda e para o fone da direita, individualmente, garantindo canais mais nítidos de cada lado.

Em nossos testes, os fones se saíram muito bem durante atividades domésticas, passeios com cachorro e trabalho no home office. No entanto, perderam conexão com pouco mais de 10 metros e sem barreiras em caminhada ao ar livre — que foi quando o iFood tocou a campainha e, em linha reta, caminhei até o portão, deixando o telefone onde eu estava. A música começou a repicar e os fones indicaram perda de conectividade.

Não há, aliás, nenhum aplicativo dedicado da Philips para você mexer ou melhorar o áudio dos fones. Muito menos outro tipo de conexão, como cabeada, por serem fones in-ear e bem pequeninos. É Bluetooth 5.0 para comunicação com o celular, computador ou tablet e micro USB no case para recarga. Ponto.

Um ponto legal é que os fones, depois de pareados pela primeira vez, se conectam automaticamente ao dispositivo. Basta abrir o case ao lado do seu smartphone e a conexão acontece automaticamente — primeiro no fone da esquerda, depois no da direita. Aí é só por na orelha e dar o play.

Controles

Os pequenos contam com um botão físico de cada lado, sob a logo da Philips, podendo efetuar alguns controles simples enquanto você está ouvindo música ou recebe uma chamada no meio-tempo. Pressionando uma vez o botão, você pausa ou reproduz uma faixa, em ambos os lados. No fone da direita, pressionar e segurar por cerca de dois segundos avança uma faixa. O mesmo procedimento no fone da esquerda faz retroceder uma faixa.

Tá vendo a logo da Philips? Ela é um botão físico que executa comandos simples (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Em chamadas, pressionar uma vez (seja qual for o lado) atende a chamada. Pressionar e segurar o botão faz a ligação ser cancelada. Simples assim.

Áudio

Antes de separarmos essa parte da análise em frequências e dar um resumo do "overall", vamos falar de uma característica legal dos fones: como truly wireless (TWS), cada um dos buds tem uma conexão independente, o que traz um resultado mais legal no Bluetooth, com separação de canais mais nítida e limpa, como comentamos acima.

A Philips colocou drivers de 6 mm em cada bud, ou seja... já dá para esperar o que você vai ter como resultado sonoro, aqui. Como são fones voltados a uma grande fatia de usuários que não se preocupa tanto assim com alta definição de frequências mas, ao mesmo tempo, faz questão de um grave legal, podem ser uma boa escolha no segmento intermediário e se tornarem o grande jack of all trades, vulgo pau para toda obra, sem um investimento astronômico que vai te fazer sangrar pelos bolsos.

Graves

O que você vai ouvir no SHB2505 é um som bacana, com graves levemente "pimpados" para agradar principalmente ao público jovem, mas nada extraordinário nem que o destaque. O fone aguenta bem o tranco na maioria dos estilos e traz graves agradáveis, que respeitam frequências vizinhas, enquanto soam mais suaves que profundos na grande maioria dos estilos, ou seja, nada de bufarem nos ouvidos. Para o dia a dia, é até legal poder contar com fones que entregam esse nível de áudio sem muita firula. Mesmo quem quer escutar música eletrônica na hora da malhação pode se beneficiar dos graves do SHB2505, pois eles têm um ganho legal.

Em Bad Romance, da Lady Gaga, há uma "briga" entre o baixo sintetizado e o contrabaixo elétrico, e essas frequências acabam se mesclando e tornando-se uma só. Nos fones, elas são bem perceptíveis, sem se embolar nos médio-graves. É um resultado satisfatório, principalmente levando em consideração o valor dos fones. Mesmo em músicas mais suaves, porém rica em instrumentos, como Home, de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, a quantidade de graves não chega a impressionar, mas é harmônica e na medida para o tipo de público que a Philips quer alcançar com o modelo. O baixo fretless que faz a base da música é leve, e chega igualmente suave aos ouvidos. Presente? Sim! Marcante? Não mesmo.

Médios

Na mesma faixa, Home, percebemos uma ênfase maior em médios e uma certa falta de definição nessa frequência — algo melhor percebido no refrão "Home, Let me go home, home is wherever I'm with you", principalmente quando entra o fraseado de "metais", que vem fraquinho e com pouca presença. Essa faixa, especialmente, tem muitos instrumentos gravados em muitas trilhas, e boa parte deles de frequência média. Vários vocais, guitarra, violão, piano e metais tocando ao mesmo tempo acabam se tornando um pouco embolados no modelo da Philips. O final da música também soa atrapalhado em toda a gama média. Claro que essa percepção é subjetiva e não afetará ouvidos não-audiófilos, visto que as vozes estão bem localizadas na mixagem e não vão perder nem um pouco de presença no resultado.

Em Comfortably Numb, do Pink Floyd, temos um resultado diferente, pois a música, pelo menos no começo, traz menos instrumentos competindo entre si — apesar de que a voz de Roger Waters é belamente harmonizada com uma base harmônica de guitarra e teclados muito bem posicionados na mixagem. Em termos de médios, o resultado, nessa canção, é melhor, já que o ganho da voz é consideravelmente maior que o da orquestração do refrão (onde, aí sim, entram vááárias faixas de instrumentos de cordas, teclados, sopro, violão e backing vocals). A faixa do Pink Floyd soa bacana e vai agradar a maioria das pessoas que preferem um som legal nos ouvidos com mobilidade e discrição, ao invés de um som de altíssima definição em um headphone grandalhão. E ah, não nos esqueçamos do solo: a guitarra de David Gilmour chega cintilante, bonita, nas notas médias. Até que nas agudas também, principalmente quando a orquestração cresce na base do solo dele. Mas, respeitemos: a banda tem masterizações e mixagens impecávels.

Agudos

Para fechar a análise de frequência, vamos dizer o seguinte: agudos existem, mas não em nível satisfatório. Os fones não trazem muito brilho nem abertura para chimbais, percussões de meia lua, pífanos, sons sibillantes e pratos, principalmente. É uma frequência aparentemente comprimida, mas lembre-se que temos aqui drivers de 6 mm em fones fechados de segmento intermediário, ou seja... não dá para esperar um milagre. O resultado não poderia ser diferente. Para arrematar essa percepção, vamos de Soul Bossa Nova, clássico de Quincy Jones que embalou de programas de futebol, passando a trilha de filme do Woody Allen e chegando a jogo de videogame. É desafiador para qualquer fone reproduzir bem essa gravação (remasterizada) de 1962, que traz uma chuva de flautas, pífanos, cuíca e uma percussão super enfática. Ou seja: agudos "a dar com pau", até mesmo nos metais. Soul Bossa Nova soa embolada no SHB2505, porque o fone não dá a ambiência necessária para reproduzir os agudos sem que eles se misturem enquanto a música cresce. O piano que faz a base, por exemplo, some. Os pífanos e flautas são engolidos pelos metais (sax, tuba, trompetes e trombones). A bateria está ali, presente, constante, acompanhada de maracas, meias-luas e vários itens agudos da percussão. Todos recuados. O solo de flauta perde expressão para a base de tuba marcando como baixo. Então o que temos aqui são agudos murchos, que são facilmente atropelados por médios, médios-agudos e até graves. Tudo bem, a música é uma prova de fogo.

Vamos para uma mais fácil: Oingo Boingo, Stay — um clássico nos anos 1980. As gravações dessa década tendem a ser mais ricas em médios e médios-agudos, o que se confirma nos fones da Philips. Vocais, teclados, bateria (eletrônica, claro) e guitarra atropelam a marcação de chimbal e as notas mais altas cantadas. A música inteira soa abafada, falta ambiência e brilho. Então, sim, a faixa de agudos é a mais mirrada deste fone, que naturalmente traz um corte considerável dessas frequências. A menos quando a música tem uma mixagem beeeem bombada de agudos, como é o caso exeplificado pelo refrão de Friday I'm In Love, do The Cure, com a percussão. Mas a música soa plástica, nada natural.

Os pequeninos na palma da mão (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Isolamento passivo de ruído

Não pense que estes intra-auriculares fechados vão te trazer um bom nível de isolamento do mundo exterior, porque não vão. A proteção contre ruídos externos é bem básica e você vai, sim, em volume médio, ouvir seu cachorro latir, os carros passarem, o pessoal do metrô conversar, o gato miar, seus colegas de trabalho baterem papo etc. Não vai ouvir é a chuva caindo do lado de fora, o barulho do ventilador ou ruídos agudos e ambientes do gênero. Talvez a Philips não tenha "caprichado" mais nesse quesito para A) manter níveis de conforto mais altos; e B) deixar que os fones sejam versáteis a ponto de serem usados por quem está na rua, seja caminhando ou pedalando, e quer ouvir o que acontece ao redor. Aí é legal.

Microfone

Apesar de toda a praticidade envolvida, usar os foninhos para fazer ligações no seu dia a dia não passa de um quebra-galho, uma função que a Philips botou nos fones para que eles não ficassem para trás da concorrência nem te deixassem na mão quando seu telefone tocasse. Então temos aqui um microfone médio, mas que funciona em situações de emergência. A sensibilidade do componente é ruim, sua voz soa magrinha através dele... como se você estivesse falando de um celular de entrada, dos mais baratinhos. Dá para ouvir e conversar? Opa, claro que dá! E em ambientes movimentados, tipo no metrô? É melhor você usar o microfone do celular, mesmo.

Pelo preço que se paga nos fones, é bem ok, na verdade. Para atender a uma ligação no escritório, gravar e enviar um áudio no WhatsApp ou Telegram e fazer chamadas em locais tranquilos, quebra um bom galho.

Nos nossos testes aqui no Canaltech, as impressões que tivemos variaram de "você está falando dentro de uma caixa?" a "parece que você está num banheiro pequeno e fechado". O povo aqui não perdoa... mas, tecnicamente, é um microfone razoável, quebra um galho e deixa sua voz um pouco abafada, enlatada. Mas até que dá para falar no handsfree, sim. Ah, e nada de assistentes de voz integrados, aqui. É enxuto.

Preço e onde comprar

O valor do SHB2505 varia de R$ 430 a R$ 500 no e-commerce nacional. Pelo valor, os fones sem fio são bastante honestos, estando à venda em várias lojas online e também nas físicas.

Specs

  • Resposta: 20 Hz a 20 kHz
  • Tamanho do driver: 6 mm
  • Sensibilidade: 90 dB
  • Entrada de potência máxima: 5 mW
  • Impedância: 16 ohms
  • Bluetooth: 5.0
  • Bateria: 3 horas de playtime + 9 horas de carga no case

O que tem na caixa

Caixa do SHB2505 + apetrechos, fora os manuais (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

A caixinha dos UpBeat é pequena e simples, trazendo o básico:

  • Philips SHB2505
  • Estojo de recarga
  • Cabo micro USB
  • Manuais
  • Três pares de ponteiras de silicone

Veredicto

O SHB2505 é bem um fone UpBeat, como o próprio nome indica, ou seja, voltado a um público que curte um som mais enérgico, com mais ênfase nos graves que nas demais frequências e ideal para quem dispõe de pouco tempo, pouco espaço na mochila e quer total liberdade sem fios — desprezando apetrechos muito grandes, como fones over-ear ou on-ear.

São fones ok, com construção razoável e preço idem. Nada extraordinário, também nada mal. Pelo valor, são fones in-ear honestos e entregam o que prometem: pareamento automático, conveniência. praticidade, bom som, conforto e establidade, podendo inclusive serem usados por quem pratica exercícios e sua bastante.

A bateria pode desapontar quem precisa de mais tempo de autonomia dos fones fora do case, mas se esse não for o seu caso, ter um estojo de recarga com mais uma boa dose de nove horas extras é um ponto interessante a se considerar na hora da compra. É guardar no estojo e ganhar carga.

Um intermediário sem fios que pode ser um bom parceiro para quem quer praticidade e mobilidade (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Aqui vai um comentário sincero: vários fones chineses genéricos dão conta do recado ou são até melhores em especificações do que o modelo que testamos hoje. Mas a qualidade sonora do UpBeat é legal e os fones podem ser seus próximos aliados, caso você não queira gastar rios de dinheiro em modelos da Apple ou da Samsung, por exemplo. Para quem quer uso diário e versatilidade, sem exigir muito de qualidade e alta definição, são uma boa escolha — tanto para o escritório, quanto para a academia ou mesmo para trabalhos domésticos ou escritório, principalmente por serem TWS. Então, para esses fins, o SHB2505 pode ser o fone de cada dia de muita gente.

Considerando a relação custo-benefício: para o design e ergonomia, nota 8. Para a construção, nota 6,5. Para o áudio, nota 7. E para a bateria... nota 7, também.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.