Tecnologia a favor dos atletas brasileiros nas Olimpíadas 2016

Por Igor Lopes | 18.10.2015 às 16:28 - atualizado em 18.10.2015 às 16:40

Em uma Olimpíada, a comunicação é fator fundamental para que comissão técnica, atletas e organização otimizem seus trabalhos. Por isso mesmo, a utilização de tecnologia de ponta tornou-se uma das grandes preocupações do COB (Comitê Olímpico do Brasil) para garantir que todos os envolvidos nos jogos de 2016 possam trocar informações em tempo real, com a maior eficiência possível.

O COB conta, já há um ano, com o apoio da Cisco para prover soluções de comunicação e videoconferência (WebEx). Mas, agora, essa parceria deu mais um passo importante. A norte-americana está fornecendo para o Comitê uma estação de colaboração imersiva de última geração, primeira deste modelo a ser instalada no Brasil. a IX5000 possui três telas LCD de 70 polegadas, câmeras 4K de ultra definição e áudio com qualidade de cinema. Para o streaming em Full HD, é necessário uma conexão de 2 a 4 Mbps - nada extraordinário se comparado à realidade das bandas atuais.

Daqui, o Comitê poderá se conectar a outras 54 estações de vídeo colaboração, 30 câmeras HD de vídeo monitoramento, 200 vídeo fones, 25 switches de rede e cinco servidores, além de 200 pontos ligados ao WebEx e Jabber. As licenças, assim como todos os equipamentos, também foram cedidos pela Cisco para os próximos três anos, com possibilidade de renovação da parceria caso a empresa julgue que o COB esteja fazendo bom proveito da estrutura.

centro de controle cob

Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de esportes do COB, mostra a sala de colaboração imersiva (Foto: Cisco/Divulgação)

“Estamos vivendo uma verdadeira revolução na gestão esportiva no país e o apoio de iniciativas como esta da Cisco contribui para atingirmos um patamar nunca antes alcançado em termos de organização das entidades esportivas. Estamos muito felizes em ter a oportunidade de utilizar equipamentos de alta qualidade fornecidos pela Cisco em prol do desenvolvimento do esporte nacional”, afirma o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

A sala de colaboração imersiva promoverá uma grande economia com custos de viagem - hoje, este orçamento está na casa dos 40 milhões de reais ao ano, que podem ser enxugados bastante com o uso da nova tecnologia cedida pela Cisco. "Essa economia pode representar o que investimos no Diego Hypólito e no César Cielo, por exemplo. É um dinheiro a mais para novos investimentos em atletas promissores", explica Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de esportes do COB.

Tecnologia usada na prática

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Teleconferência utilizada no Panamericano de Toronto 2015 (Foto: Divulgação/Cisco)

Os equipamentos de telepresença já são usados pelo COB há algum tempo. A diferença, agora, é a qualidade superior dos novos equipamentos. Quando a atleta Laís Souza acidentou-se nos EUA em 2014, seus exames já foram compartilhados com uma junta médica via teleconferência. No Panamericano de Toronto este ano, a videoconferência foi fundamental para a comunicação das 5 sub-vilas que contavam com a presença de brasileiros. "Sempre que estamos em mais de uma vila, a comunicação se torna uma questão mais complicada. Em Toronto, foram 1050 pessoas comunicáveis 24/7 através do WebEx. Isso representa não só uma economia, mas também uma mudança radical da cultura de trabalho", explica Marcus Vinícius. "Às 7 da manhã tínhamos uma reunião com representantes de todos os países envolvidos. Na sequência, tínhamos uma reunião com os times das 5 sub-vilas, também online, para que às 10h já pudéssemos nos encontrar. Ao longo do dia, temos a central de controle para coordenar a movimentação da delegação. Todos têm celular com chip e, assim, é possível saber a localização de todos. Se acontece algum problema, podemos ativar o carro ou a pessoa que estiver mais perto da ocorrência e esse tipo de tecnologia consegue nos ajudar bastante nessa questão".

De acordo com Marcus, em Toronto, mais pessoas puderam trabalhar diretamente com a equipe a partir da sede no Rio, sem necessariamente terem que viajar para o Canadá. "Não é um simples Skype: os atletas podem treinar a distância, os médicos podem acompanhar. Temos muitos treinadores e atletas fora do país e, com os novos equipamentos, podemos compartilhar informações e também apresentações", diz Marcus Vinícius.

Além dos equipamentos de telepresença cedidos pela Cisco, o COB também conta com o apoio da Microsoft, que fornecerá smartbands e uma infraestrutura em Azure para cruzamento de dados. No banco de dados, há informações de todos os resultados dos atletas de todo o mundo ao longo dos últimos 76 anos e assim, é possível fazer um cruzamento para prever resultados. Por exemplo: é possível saber quem compete melhor de manhã ou à tarde, como se dá a queda de rendimento à medida que a idade daquele determinado atleta avança e como ele vem se desenvolvendo nos últimos meses. Assim, é possível fazer um planejamento esportivo para otimizar os resultados dos atletas - e também definir quem tem mais chances de medalha e, por isso, quem deve levar maiores investimentos. A responsável por fazer este trabalho no COB é a ex-jogadora de vôlei de praia Adriana Behar, que ocupa o cargo de gerente geral de planejamento esportivo na entidade. "Eu vou receber informações em tempo real dos atletas, que usarão a Microsoft Band. Tem algo alterado? Tem stress? Mudou algo? Então, eu posso entrar em contato com aquela pessoa pela video conferência, perguntar se está tudo bem e agir o quanto antes", explica. "A médio prazo, estamos discutido até mesmo o uso do Hololens para treinar virtualmente os atletas", acrescenta Helbert Costa, gerente geral de estratégia do COB.

O que esperar dos Jogos Olímpicos 2016?

"Se tivéssemos acesso às informações que temos hoje, a prata poderia virar ouro facilmente", comenta Behar. O Comitê Olímpico Brasileiro tem uma equipe de 22 profissionais para estudar a chamada "ciência do esporte". Fisiologia, bioquímica, nutrição, preparação mental, até meteorologia e geociência: tudo isso é jogado em um grande banco de dados para otimizar os resultados de cada atleta. "Com a inteligência esportiva e machine learning, conseguimos determinar o padrão do atleta vencedor. Dessa forma, conseguimos até estabelecer uma meta bastante possível para 2016, que é estar em 10º. lugar no quadro de medalhas. Nos Jogos de Londres ficamos em 20. lugar", explica Adriana.