Rio 2016: a um mês dos Jogos, cientistas descobrem 'super bactéria' nas praias

Por Redação | 05.07.2016 às 21:35
photo_camera Folha de S. Paulo

Como se já não houvesse preocupações suficientes para os Jogos Olímpicos do Rio, uma equipe de cientistas anunciou nesta terça-feira (5) a descoberta de uma 'super bactéria' em algumas das mais populares praias da cidade. A notícia é, no mínimo, problemática, já que no próximo mês centenas de milhares de turistas chegarão ao Rio, correndo o risco de serem infectados pelos microrganismos que são resistentes aos medicamentos disponíveis.

Para explicar a descoberta dos cientistas, a CNN publicou uma reportagem especial sobre o assunto, e para isso entrevistou a professora do Instituto de Microbiologia da UFRJ e coordenadora da pesquisa, Renata Picão. O estudo foi feito a partir de amostras de água de cinco praias, onde foi detectada a presença de Klebsiella pneumoniae Carbapenemase (KPC).

De acordo com a pesquisadora, este tipo de bactéria é gerado a partir de resíduos hospitalares, que são escoados nas praias e na Baía de Guanabara, mostrando que o Rio de Janeiro ainda enfrenta sérios problemas de saneamento básico. “Descobrimos que as ameaças ocorrem em águas costeiras em uma variedade de concentrações e que eles estão fortemente associados com a poluição”, explicou Renata Picão à CNN.

Aparentemente, a 'super bactéria' não é responsável por prejudicar a saúde de pessoas saudáveis, mas quem estiver com o sistema imunológico debilitado corre o risco de desenvolver infecções pulmonares e urinárias, podendo até vir a óbito.

Segundo a companhia de tratamento de água do Rio, a Cedae, os critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde têm sido seguidos: "Cinquenta e um por cento do esgoto da cidade agora é tratado. Sete anos atrás era apenas 11%." Vale lembrar que, quando o Rio fez a sua oferta para sediar os Jogos de Verão em 2009, a promessa era limpar as águas poluídas e conectar 80% das casas à rede de esgoto.

Apesar das preocupações, a pesquisadora afirma que os locais de competição de esportes na água não devem ser mudados, já que ainda não se sabe muito sobre os riscos. A ideia é que o alerta sirva caso os atletas sejam infectados pois, por se tratar de uma bactéria multirresistente, é necessário que os médicos saibam de sua existência.

Fonte: CNN