Opinião: o grau de impacto dos lançamentos do evento da Microsoft

Por Pedro Cipoli | 07.10.2015 às 18:36 - atualizado em 08.10.2015 às 16:08

Além dos novos Lumias, que já contavam com muitos rumores pela internet, o evento da Microsoft contou com uma boa quantidade de lançamentos. Tivemos algumas surpresas realmente bacanas, caso do Surface Book, ao mesmo tempo que algumas decepções, como a ausência de um scanner de íris nos novos Lumias. Montamos uma lista com as principais novidades para você ficar antenado. Confira!

Novos Lumias

Já faz algum tempo que os usuários do Windows Phones esperavam o lançamento de novos tops de linha, e os novíssimos Lumias 950 e 950 XL são extremamente bem-vindos. A estratégia é mesma utilizada pela Apple com os iPhones, já que ambos são basicamente o mesmo aparelho disponibilizados em tamanhos diferentes (5,2 e 5,7 polegadas). A atualização de especificações certamente vai agradar a quem pretende fazer um upgrade, trazendo o chip Snapdragon 808 da Qualcomm e 3 GB de memória RAM, configurações mais do que suficientes para uma excelente experiência de uso na plataforma.

Assim como o Lumia 730, os novos smartphones trazem tela com tecnologia OLED, só que agora com resolução Quad-HD, sendo os primeiros modelos com Windows 10 a trazer uma resolução tão alta. São 32 GB de armazenamento interno com possibilidade de expansão via cartão microSD para mais 128 GB (viu, Apple e Google?), e, claro, a última geração dos sensores PureView para a câmera traseira de 20 megapixels (abertura de f/1.9), contando com LED triplo (RGB) e lentes Carl Zeiss. É só olhar para o tamanho do sensor para esperar o melhor.

Evento Microsoft

Créditos: smartphoneandprice.com

O único ponto que muda no Lumia 950 XL em relação ao irmão menor, fora o tamanho, é a capacidade de bateria, que sai de 3000 mAh para 3300 mAh, lembrando que ambos suportam carregamento sem fios no padrão Qi, e no chip, que passa do Snapdragon 808 para o 810, que não deve sofrer de problemas de superaquecimento por contar com uma solução de refrigeração líquida*. Ambos estão habilitados para o Continuum, que permite ao usuário ligar o smartphone a um monitor e usá-lo como se fosse um PC convencional. Para isso a Microsoft criou o Display Dock, que oferece uma saída DisplayPort, uma HDMI e 3 portas USB.

Não podemos esquecer do novo basicão da empresa, o Lumia 550, modelo de entrada da Microsoft. Voltado para mercados emergentes, ele oferece uma tela HD de 4,7 polegadas, 8 GB de memória interna, chip Snapdragon 210 (quad-core de 1 GHz) e câmera traseira de 5 megapixels. Nos Estados Unidos, os preços sugeridos dos novos aparelhos são de US$ 549 para o Lumia 950, US$ 649 para o Lumia 950 XL e US$ 139 para o Lumia 550, infelizmente ainda sem previsão de chegar ao Brasil.

Nos parecem excelentes aparelhos, mas temos nossas dúvidas se esses novos Lumias ajudarão a popularizar o Windows do jeito que a Microsoft acredita, e por vários motivos. Ainda na terceira posição, a quilômetros de distância do Android e iOS, o problema da linha Lumia nunca foi o sistema, mas sim a quantidade e qualidade de apps. Por mais que a Microsoft adicione funções próprias e exclusivas, ainda é uma incógnita se os desenvolvedores se voltam para o Windows, algo que a Microsoft se esforça (sem sucesso) para fazer há tempos.

Junte isso a notícias sobre possíveis cortes da área mobile do Windows e um mercado altamente saturado, com usuários trocando de aparelhos cada vez mais raramente (que dirá de plataforma) para resumirmos as nossas dúvidas sobre o sucesso da plataforma. Sim, são excelentes aparelhos, mas, bom, os BlackBerries também eram, e você sabe o que aconteceu, não?

Surface 4 Pro

A quarta geração da linha Surface Pro promete ser 30% mais potente do que a geração anterior e até 50% mais potente do que um MacBook Air da Apple. A proposta é a mesma das gerações anteriores: ser um tablet com Windows extremamente potente, e, de fato, as especificações são bem promissoras graças à sexta geração de processadores Intel (Skylake), suporte para até 16 GB de memória RAM e até 1 TB de SSD. O preço da configuração mais básica começa com US$ 899 a partir de Outubro.

Evento Microsoft

Créditos: technewstoday.com

O Surface 4 Pro sozinho não chega a ser tão atraente, já que o seu verdadeiro potencial se revela com os seus acessórios. A Microsoft mostrou a Cover com teclado embutido, que segue a mesma proposta das gerações anteriores, uma caneta Stylus com capacidade de entender até 1024 níveis de pressão e pontas que podem ser compradas separadamente (além uma “borracha” na ponta superior), e um dock com 4 portas USB 3.0, duas saídas HDMI (ambas com suporte a 4K) e conexão RJ-45 para o cabo de internet.

Na prática, o que temos aqui é um "refresh de specs", sem grandes mudanças desde o Surface original (Surface 3S?). Descrito por muitos como "um excelente produto que eu jamais compraria" (com alguma razão, até), o Surface 4 ainda se apresenta como um produto caro criado para vender acessórios. Não podemos chamá-lo de "resposta da Microsoft ao iPad Pro" pois o Surface está no mercado há anos sem conquistar o consumidor. A Microsoft nos empurra essa proposta até hoje e o usuário ainda não vê sentido nela. Além do mais, ele leva a fama de ser útil somente com acessórios que o transformam em um notebook.

A Apple tem um posicionamento diferente com o iPad Pro, vendendo-o como o que ele realmente é, não como um "notebook se você comprar a Cover". Considerando o preço e a proposta de ser um notebook, ainda faz mais sentido comprar um notebook completo e não pagar um belo extra pelo "hype".

Surface Book

Se tem um lançamento que pode ser considerado uma excelente surpresa no evento da Microsoft, com certeza é o Surface Book, o primeiro notebook da empresa, por assim dizer. Ele não usa nem plástico nem alumínio, mas sim uma liga de magnésio que garante resistência ao mesmo tempo que o deixa mais leve e, ao contrário do Surface 4 Pro, ele não precisa daquela “aleta” para ficar em pé, se comportando como um notebook completo.

Evento Microsoft

Créditos: pcworld.com

Na região da tela, que funciona separadamente do teclado, há um processador Intel Core i7 de sexta geração (Skylake), que usa os gráficos integrados quando está destacado. Ao conectá-lo no teclado, o Surface Book passa a usar um chip dedicado da NVIDIA com memória GDDR5. E, ainda assim, consegue ficar até 12 horas fora da tomada, sendo uma engenharia de cair o queixo, o que a Microsoft chama da “notebook de 13 polegadas mais rápido do mundo”.

Em sua forma de notebook ele passa a ter um teclado completo, touchpad de vidro com capacidade de ler até 5 dedos simultâneos, portas USB e leitor de cartão. A tela é outro ponto de destaque, com 13,5 polegadas, sensível ao toque e trazendo resolução de 3000x2000 (3:2), mirando, claramente, no MacBook Pro Retina de 13 polegadas. Ele se mostra um dos primeiros híbridos ultrafinos do mercado com capacidade de rodar programas profissionais, já que a placa de vídeo dedicada (ausente em todas as versões do MacBook Retina de 13 polegadas) garante um bom desempenho 3D.

Evento Microsoft

Créditos: gotttabemobile.com

O Surface Book também suporta a caneta Stylus, uma boa pedida para os desenhistas profissionais. Não possui uma data oficial de lançamento, mas já tem um preço sugerido para a versão mais básica: US$ 1.499. Ou seja, preparem os bolsos.

O lançamento bem que poderia ser resumido no Surface Book, o único produto que é realmente inovador entre todos. Em primeiro lugar, ele é, sem dúvida, uma cutucada à Apple e seu MacBook Retina de 13 polegadas, sendo, ao que parece, inquestionavelmente superior. Algo como "finalmente temos uma alternativa ao Macbook", aproveitando o vazio de inovação da Apple com os Macbooks, que só atualiza as especificações sem mudar absolutamente mais nada desde o primeiro Retina.

Em segundo lugar, ele é verdadeiramente híbrido, um dos primeiros produtos com Windows que realmente honram o nome. Em teoria, mesmo sendo caro, o Surface Book substitui o Macbook e o iPad Pro juntos, unindo as principais características de ambos sem qualquer prejuízo de qualidade, já que também suporta uma caneta Stylus, sendo o primeiro Surface que vemos que realmente mostra algum valor para o usuário.

Microsoft Band 2

Band 2

Créditos: microsoftstore.com

A empresa aproveitou o evento para anunciar a segunda geração de sua Band (aliás, já checou a nossa análise da Microsoft Band de primeira geração aqui no Canaltech?), que agora conta com tela curva e barômetro (sensor de pressão atmosférica) e um design mais ergonômico (um problema da primeira geração. Ainda sem muitos detalhes, nem quando chegará ao mercado, ela terá o preço sugerido de US$ 249. Na prática, parece realmente ser o primeiro wearable da Microsoft que vale a pena conferir, já que, basicamente, apenas conserta os defeitos da primeira geração.

Xbox One e HoloLens

Evento Microsoft

Créditos: nerdist.com

Ambos permanecem os mesmos, mas ganharam algumas novidades. O Xbox One começará a ser disponibilizado em versões com 1 TB de armazenamento (a primeira versão tinha 500 GB) e finalmente contará com retrocompatibilidade com jogos do Xbox 360, que na verdade é uma correção da postura (desastrosa) que a Microsoft teve durante o lançamento oficial na E3.

Evento Microsoft

Créditos: microsoft.com

Já o HoloLens teve seu preço divulgado: US$ 3.000 para a edição de desenvolvedores, o que já é meio caminho andado para ele chegar às prateleiras. Ainda teremos que esperar até 2016 para ver o que os desenvolvedores criarão para ele, mas, considerando as demonstrações durante o evento, temos tudo para ficar ansiosos.

Conclusão

Pois é, novidade mesmo só o Surface Book, um dos primeiros produtos da Microsoft que oferece algum apelo desde o HoloLens. Não que os outros lançamentos não tenham o seu brilho, mas devem ser vistos como um "refresh de specs" puro e simples, uma atualização do que já estava no mercado. A Microsoft realmente caprichou nos Lumias, mas o sucesso (aliás, até mesmo a continuidade) da plataforma não depende da empresa. Depende dos desenvolvedores.

Tanto Apple quanto Google atualizam seus aparelhos e continuam no topo por já contarem com apps estabelecidos e desenvolvedores sempre motivados a continuar melhorando. Isso faz com que a Microsoft fique em uma posição difícil, já que tem que mostrar que é não só boa quanto, mas melhor do que ambas as empresas, o suficiente para que usuários troquem de plataforma. Ou seja: os consumidores precisam ver apps melhorando cada vez mais para mudar e, bom, desenvolvedores precisam que os usuários migrem para o Windows para melhorar seus apps. Complicado, né?

*Informações atualizadas