Mudança de perfil pré-pago do Brasil pressiona telecom, diz CEO da TIM

Por Rafael Romer | 28 de Outubro de 2015 às 15h49
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

A transformação do perfil de consumo do usuário de telefonia móvel brasileiro já está pressionando o mercado de telecomunicações do país, afirmou o presidente da TIM, Rodrigo Abreu, na manhã desta quarta-feira (28) na Futurecom.

De acordo com o executivo, preocupa a queda nas receitas de voz que estão sendo observadas há algum tempo, em taxas aceleradas de 10% por trimestre. Hoje, a média de minutos por SIM card da companhia é de 120 minutos por usuário, considerado muito "aquém" do que poderia ser observado pelo setor. "A cada divulgação de resultado de operadoras, a gente vê um impacto bastante importante na queda das receitas de voz e na composição das receitas totais das operadoras", comentou.

Aliado a isso, a média de SIM card por usuário também está caindo conforme as tarifas de interconexão entre operadoras está sendo reduzida. No caso brasileiro, os aplicativos de mensagem instantânea utilizados por 80% da base de usuários têm substituído as ligações tradicionais, mesmo com as taxas de interconexão mais baixas. Esse movimento tem levado à uma queda no número de chips pré-pagos - em 2012, a taxa era de 2 SIM por pessoa, média que já começa a cair e deve atingir a marca de 1,59 SIM por pessoa em 2018, similar de 2008.

"Isso leva a um mercado pré-pago completamente diferente daqui para frente. Com essas mudanças, a base total de linhas de voz vai cair", avalia. "Ela já começa a cair: julho foi o primeiro mês da história da telefonia móvel que a base total de usuários caiu e podem cair até em uma trajetória mais acelerada, dependendo dos processos de oferta, consolidação e hábitos de uso".

Por outro lado, a base de usuários únicos continuará a subir, com uma expectativa de atingir 138 milhões de usuários únicos em até 3 anos. "O perfil de usuário vai mudar e o que era importante no passado - ter uma base de usuários grande para ter um efeito de comunidade grande - passa ser em alguns casos um impedimento, porque leva a custos elevados de usuários que potencialmente têm efeito líquido negativo sob o resultado das operadoras".

Aliado a transformação do padrão de consumo, dois outros fatores pressionam os negócios da companhia por aqui, segundo Abreu: o momento econômico negativo de alta inflação e câmbio flutuante e o crescimento do uso de dados, que já atingiu 300 MB por usuário 3G por mês neste ano e deve crescer 10 vezes até 2019, pressionando a infraestrutura de operadores.

Rodrigo Abreu

Fusão

Assim como a afirmação de ontem do presidente da Telecom Itália, Marco Patuano, Abreu também negou os rumores de uma possível proposta de fusão entre a companhia e a Oi ou com o fundo russo Letter One. "Até o momento, não existe absolutamente nada", disse.

O CEO afirmou que o plano de investimentos da TIM no Brasil independe de movimentos de consolidação do setor no país, mas que a empresa analisaria propostas de consolidação se elas surgissem, ainda mais com as perspectivas de mudança da regulamentação de concessão. "Se e quando houver necessidade desse tipo de análise, nós vamos fazer", comentou.

Mesmo sem ter mesmas obrigações de concessão de outros players do mercado, Abreu também apontou para a a necessidade de revisão das regulamentações de concessão da telefonia fixa no país, classificando a legislação como "anacrônica". "Enquanto não resolver as obrigações, os ativos e a duração da concessão, é muito difícil imaginar um cenário com visibilidade positiva para uma estabilidade de um plano de negócios de investimento", afirmou.

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