IoT: operadoras tem uma mudança de mentalidade pela frente

Por Leandro Souza | 17 de Outubro de 2016 às 14h58

Um dos temas que abriram a programação de painéis da Futurecom é um que representa uma possível dor de cabeça futura para as operadoras. O influxo de dados que a Internet das Coisas poderá trazer dos próximos anos representará um desafio para as companhias de telecomunicação. Para muitos representantes do setor, uma mudança de mentalidade será inevitável.

"As operadoras precisam se preparar de forma massiva para receber IoT em suas redes. Será preciso mudar mentalidades, redesenhar redes e backbones, assim como o governo precisará mudar a regulamentação do setor", disparou Tarcisio Ribeiro, VP Global de Vendas e Serviços da Coriant, multinacional de soluções para tráfego de dados.

Segundo dados de diversas consultorias, de McKinsey a Gartner, em um período de 5 anos o parque de dispositivos conectados saltará de aproximadamente 15 bilhões para mais de 30 bilhões, produzindo uma carga de dados pesada para as infraestruturas tradicionais de telecom.

Para Juantxo Folch, diretor da espanhola Everis IoT, caso as operadoras não se preparem para a onda que a Internet das Coisas trará, as redes das operadoras e qualidade de seus serviços se tornarão problemas. "Atualmente, a maior dificuldade em projetos de smart cities que participamos ainda são as redes", explicou Folch.

Segundo o executivo europeu, as operadoras precisarão focar mais na entrega de seus serviços além dos investimentos físicos do que focar apenas em infraestrutura. Isso envolveria desenvolver acordos entre as próprias operadoras para criar uma banda própria e compartilhada para IoT, por exemplo.

"As redes 4G e 3G atuais não servirão para os número de sensores e dispositivos que virão com a Internet das Coisas", disparou Folch.

Apesar do desafio, as operadoras podem ver a entrada da IoT como uma grande oportunidade de aumentar seu valor de negócios. Quem aponta isso é André Ituassu, diretor de redes e sistemas da Oi. "IoT será um mercado novo, em que repensaremos nossos sistemas, processos e go to market. Vamos ter que pensar menos como operadoras e sim como provedoras de serviços simplificados, como um Uber", afirmou o executivo.

Na visão de Ituassu, o primeiro desafio será o de custo, já que os investimentos em infraestrutura serão inevitáveis. Entretanto, esforços como a da 3rd Generation Partnership Project (3GPP) em definir padrões para IoT serão importantes. Entretanto, a longo prazo o desafio - e as mudanças - serão muito mais profundas, e um bonde que as operadoras não podem perder.

"Nós já perdemos a onda de inovação que veio com as OTTs como Netflix e Uber, que agora estão faturando em cima de nossas redes. Enquanto isso, continuamos vendendo bits a bytes, mas para monetizar a Internet das Coisas, temos que mudar isso", finalizou Ituassu.

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