Como a equipe alemã de vela está se preparando para as Olimpíadas com tecnologia

Por Rafael Romer | 16 de Março de 2016 às 09h13
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Mirando em bons resultados nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, a equipe alemã de vela tem buscado melhorar o desempenho de seus atletas da forma mais alemã possível: ao invés de depender exclusivamente da habilidade de seus velejadores, o time quer transformar "mitos em fatos", atingindo o máximo possível de ganho de eficiência através da análise de dados de desempenho de seus velejadores com uma tecnologia desenvolvida em parceria com a SAP.

Diferente de outras modalidades como corrida ou ciclismo, nas quais os atletas basicamente competem entre si para chegar do ponto de partida ao final no menor tempo possível, o resultado de uma disputa de vela é influenciado por diversas variáveis, que vão desde a orientação de correntes marítimas à força e direção do vento.

Todos fatores mudam de disputa para disputa e exigem decisões rápidas, em tempo real, dos velejadores. Além disso, eles precisam confiar em sua habilidade no manejo do barco para enfrentar esses desafios e garantir um bom resultado final.

Mas como quase tudo no mundo atual, essas variáveis agora podem ser medidas e transformadas em dados concretos com o uso de sensores embarcados nas velas. Eles são capazes de coletar informações como velocidade, direção de correntes e intensidade do vento a cada nova disputa ou treinamento dos atletas.

E é exatamente isso que o time alemão tem feito nos últimos cinco anos: através de sensores integrados a uma plataforma personalizada apelidada de SAP Sailing Analytics, a equipe passou a coletar todas as informações sobre seus atletas com o objetivo de orientá-los sobre acertos e erros durante os trajetos. Com esse esforço, a expectativa é que o time seja capaz de tomar decisões mais eficientes durante as competições.

"Antigamente, a vela era um processo baseado puramente na experiência: quanto mais tempo você velejasse, maior a oportunidade de ganhar", explicou o responsável pela equipe alemã de vela, Marcus Baur. "Mas se nós vamos de um trabalho baseado apenas na experiência para decisões baseadas em fatos, todo o cenário muda. A experiência é importante, mas nós temos um feedback mais ágil do que está acontecendo".

A equipe também tem usado tecnologias preditivas para medir os padrões de correntes marítimas e direção do vento nos locais onde seus atletas competem, na tentativa de poder prever quais seriam as melhores "trilhas" para serem navegadas em cada local de disputa.

Isso já foi feito, por exemplo, na Baía de Guanabara, onde o time europeu utilizou boias marítimas com sensores e GPSs para fazer cerca de 3 mil medições para a construção de um modelo preditivo dos padrões de mudança da maré do local. "Agora temos uma aproximação da realidade que permite fazer previsões. Antes da corrida, podemos dizer que a corrente vai se comportar de tal forma e qual será a vantagem ou desvantagens de cada decisão", afirmou Baur.

A expectativa é que as novas ferramentas tragam uma vantagem competitiva considerável para a Alemanha, mesmo que ela tenha de ficar de fora do período das competições. Pela regulamentação do esporte, esse tipo de tecnologia pode ser aplicado exclusivamente em treinamentos ou análises prévias ou posteriores às competições, nunca durante as disputas - quando os velejadores são impedidos de receber instruções de terceiros ou usar qualquer ferramenta que não seja uma bússola.

Popularizando a vela

Além de auxiliar as equipes feminina, masculina e paraolímpica do país, o projeto também tem o objetivo paralelo de tentar tornar a vela um esporte mais popular para o público geral. Por acontecer longe da praia e depender de múltiplos fatores invisíveis ao púbico, como o vento e correntes marinhas, Baur avalia que a vela ainda é uma modalidade "difícil" de ser compreendida pela população e por isso acaba chamando menos atenção durante eventos como as Olimpíadas.

Com o uso dos sensores e GPSs embarcados nas velas, no entanto, os dados gerados em tempo real podem ser transformados em imagens e informações concretas para o expectador, indicando, por exemplo, quais barcos estão mais rápidos, quais as distâncias percorridas e até quem está em qual posição na disputa.

A plataforma também foi liberada gratuitamente e pode ser utilizada até por praticantes amadores de vela para acompanhar seu desempenho, o que também deve estimular a prática do esporte por um número maior de pessoas.

"A vela estava no escuro antes, agora nós acendemos uma luz. É um efeito muito positivo", comentou o diretor alemão. "Nós estamos só no início de tornar esse esporte um interesse público".

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