Cisco anuncia superestrutura para garantir saúde da rede nas Olimpíadas do Rio

Por Igor Lopes | 16 de Outubro de 2015 às 00h39

42 campeonatos mundiais em 17 dias; 9 milhões de ingressos à venda; 5.000 horas de vídeo transmitidos para 4,8 bilhões de espectadores em todo o planeta. Isso sem falar nos 25.100 profissionais de mídia credenciados, que necessitam de uma boa conexão à internet para enviar fotos, vídeos e textos para suas sucursais em 205 países. Estes números gigantescos são referentes aos Jogos Olímpicos do Rio 2016, evento que a Cisco patrocina e é responsável pelo estudo, oferta e implementação da infraestrutura para que o evento esportivo mais conectado do planeta aconteça sem nenhum problema.

Desde o fim dos jogos em Londres, a empresa vem estudando as dimensões do evento brasileiro para entender o tamanho da rede necessária para atendê-lo. Mas isso é só parte do projeto: eles querem, também, desenvolver algo que seja útil para a população do Rio após os jogos. "Pensamos, antes de tudo, em um programa de legado - montar algo que continue após as Olimpíadas. Queremos ser lembrados nas Olipíadas do Rio como a empresa que não só apoiou o evento, mas também apoiou a cidade e deixou uma marca, algo positivo após a realização dos jogos", diz Rodrigo Uchoa, diretor de novos projetos da Cisco.

Dificuldade extra

Para garantir a perfeição da infraestrutura nas Olimpíadas, 5.400 profissionais da área de tecnologia estão envolvidos - muitos desses profissionais são engenheiros da Cisco. 60 toneladas de equipamentos foram importados pela empresa, entre elementos de estrutura de rede e servidores.

Ao todo serão ofertados 100.000 portas LAN, 7000 Access Points wireless (contra 1000 em Londres), 150 firewalls/IPS/IDS e 550 servidores corporativos.

Rio 2016

Vale lembrar que a Cisco responde pela infraestrutura que atenderá os profissionais envolvidos nos jogos, e ela garante já ter entregue 54% de tudo o que precisa ser feito até agosto de 2016. A rede disponível para o público espectador ficará sob responsabilidade das operadoras de telefonia. Elas estão estudando um consórcio, assim como fizeram na Copa, para instalação de antenas compartilhadas dentro dos estádios e espaços do evento.

Esta é a segunda vez que a norte-americana apoia os jogos Olímpicos - ela já esteve presente no evento de 2012 em Londres. Mas, nos últimos quatro anos, muita coisa mudou e a situação no Rio é bastante diferente daquela vista na Inglaterra. Basta pensar na recente explosão de dados: em 2012, existia 1 bilhão de smartphones, contra os atuais 2,5 bilhões; o número de usuários de redes sociais subiu de 1 bi para 2,5 bi; o número de usuários do Whatsapp passou de 90 milhões para 1 bilhão; Snapchat e Periscope ainda nem existiam; e vídeos em 4K deixaram de ser experimento para se tornarem realidade nas transmissões dos canais de TV.

E tem mais: ao contrário de outras sedes olímpicas, que destinaram áreas específicas e bem definidas das cidades para os Jogos, o Rio conta com 38 instalações de competição espalhados por quatro regiões diferentes, e tudo precisa ser interligado com o máximo de segurança e confiabilidade. "A infraestrutura é um grande desafio, mas encontrar pessoas capazes e treinadas é ainda mais difícil. Sem elas, você não consegue entregar um evento como esse", explica Rodrigo.

Legado

Exatamente por conta dessa dificuldade em encontrar mão de obra qualificada, Uchoa destaca não só um legado físico, mas também um legado de conhecimento para a cidade. "Após os jogos, todos os equipamentos da Cisco serão doados para que o Governo os utilize em projetos sociais ou educacionais. A Cisco garantirá 3 anos de manutenção dessa infraestrutura e esse contrato poderá ser estendido caso os equipamentos estejam bem empregados pela cidade", garante o executivo.

Além da Cisco, outras 11 empresas e instituições trabalham junto ao Comitê Olímpico Internacional para garantir o bom funcionamento de toda a infraestrutura, além da segurança das comunicações. "A defesa cibernética é um assunto complexo. Nessa discussão, incluímos não só empresas de tecnologia e segurança, mas também todas as agências do Governo relacionadas, como exército, forças armadas, ABIN... Imagine se um hacker invade o sistema que controla o tráfego do Rio? Ele compromete a reputação dos Jogos, mesmo que o ataque não tenha sido direcionado à nossa infraestrutura. Por isso o planejamento vai muito além", conclui.

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