Após reunião presencial e online, desenvolvedores enviam nova carta ao BIG

Por Wagner Wakka | 04 de Maio de 2018 às 16h20
photo_camera Divulgação

A conversa entre desenvolvedores de jogos e o Brazil’s Independent Games Festival (BIG) tem novo andamento. Após a reunião entre evento e coletivo para discutir uma carta aberta assinada por mais de 300 desenvolvedores com críticas e sugestões ao BIG, um grupo de 18 integrantes da indústria enviou novo documento aberto ao evento.

A nova carta apresenta 12 pontos essenciais que os desenvolvedores consideram problemáticos com o evento: a questão de representantes e o diálogo aberto; definição de o que é independente; a possibilidade de lista negra; a questão de curadoria; a seleção e avaliação de jogos participantes; feedback sobre jogos avaliados; categoria estudantil para o evento; pontos sobre o Big Starter; noção de conflitos de interesse; gratuidade e acesso ao evento; Big Brand; e tratamento com a comunidade.

Alguns dos pontos já foram destacados em reunião que aconteceu no último dia 25 em São Paulo. Desenvolvedores presentes e online questionaram os organizadores principalmente sobre a curadoria do evento e participação da comunidade na produção do BIG.

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“Desviar a discussão proposta pela carta e focar em ‘tom combativo e animosidades’ reflete uma cultura problemática, que ainda vê relações de trabalho como uma questão de coleguismo e amizade. Esse tipo de atividade pede distanciamento e supera essa personalização das relações de trabalho, e é essencial para o crescimento da cena”, escreve o grupo em resposta à carta de réplica enviada pelo BIG.

Gustavo Steinberg, diretor executivo do BIG, contudo, pede aos desenvolvedores que organizem uma representação para debater o tema com a organização do evento. “Eu não consigo conversar com tantas pessoas ao mesmo tempo”, enfatizou Steinberg em vários momentos durante reunião presencial. Os desenvolvedores, contudo, rebatem que a descentralização do debate é importante e pedem formas coletivas, como as cartas abertas, para dialogar com o evento.

“A reunião presencial pode ser facilmente pautada com um princípio de ‘vamos resolver isso aqui e agora’. No caso de um movimento coletivo e aberto como este, esse tipo de negociação não é possível, pois existe um tempo e circulação mínimos necessários para leitura, discussão e escrita coletiva. Esse é um processo mais lento, mas que ganha muito em transparência. Enfim, reiteramos que o debate público através de canais abertos é fundamental para garantir transparência e participação da comunidade de forma ampla”, escrevem os desenvolvedores. “O evento precisa ele próprio criar os espaços de moderação para a comunidade de expressar”, pontuam.

O documento completo está disponível abertamente via Google Docs.

Entenda o caso

No dia 17 de abril, um grupo de desenvolvedores apresentou uma carta aberta ao BIG com críticas ao evento e sugestões para a edição de 2018. A discussão começou em um grupo de Facebook, no qual integrantes da comunidade questionavam uma propaganda paga do evento. O debate então escalonou para a produção do texto.

Em seguida, Steinberg sugeriu a montagem de uma comissão e agendou encontro para o dia 25 de Abril. Contudo, alguns desenvolvedores manifestaram descontentamento em relação à reunião. A justificativa era de que o horário (18h de um dia útil) inviabilizaria a participação de muitos. Ainda, como o CCSP está localizado em São Paulo, isso centralizaria a discussão em apenas alguns participantes locais. O BIG então transmitiu a reunião online para participação com perguntas dos interessados que não puderam comparecer ao local.

Antes mesmo do encontro, no dia 23, o BIG respondeu com outra uma carta aberta rebatendo tópico por tópico os pontos apresentados pelo grupo. Com 28 páginas, primeiramente, a resposta do BIG excluía o rumor de que as pessoas que assinaram a carta inicial pudessem sofrer retaliações do evento.

O BIG Festival é um dos mais importantes festivais de jogos independentes da América Latina. O evento é gratuito ao público para teste dos jogos expostos. No ano passado, foram 768 jogos de 54 países distintos competindo ao prêmio de melhor jogo do evento. A edição 2018 ocorrerá em São Paulo e no Rio de Janeiro entre os dias 23 de junho e 1º de julho.

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