Profissionais da área de games discutem o mercado dos anos 90 até os dias atuais

Por Natalie Rosa | 23 de Março de 2015 às 12h42
photo_camera Foto: Divulgação

Muitas pessoas têm o desejo de trabalhar com games e fazer disso uma profissão. Pode parecer um sonho, mas a carreira está a cada dia mais ao alcance dos interessados. Essa foi a pauta de algumas palestras que aconteceram no 1º Tudo Geek Show, que aconteceu em Curitiba no último fim de semana. O evento é o primeiro a falar de tecnologia, games e seus derivados na sul no país.

O Tudo Geek Show recebeu diversos convidados interessantes, entre eles o professor Rafael Dubiela que, além de ser professor e coordenador do curso de jogos digitais na Universidade Positivo, foi um dos responsáveis pela criação do game Outlive, um projeto do estúdio brasileiro Continuum Entertainment.

Rafael Dubiela palestra

Dubiela comentou em seu painel um pouco da história da Continuum e as suas criações. O estúdio começou em 1997 como uma brincadeira de oito amigos curitibanos que acabou dando certo. Sendo a primeira produtora de jogos do Brasil, os profissionais conseguiram um grande reconhecimento nacional e internacional.

O game para PC Outlive foi lançado em 2001 e, apesar de ter sido exportado para diversos países e obter repercussão em alguns veículos renomados, a Continuum precisou fechar as portas por motivos financeiros. Mas antes do seu fim definitivo, a empresa ainda produziu o jogo "Inferno" e alguns outros para a Rede Globo, como "Big Brother Brasil", "No Limite" e "Xuxa e os Duendes 2". Dubiela afirma que, com a facilidade de entrar na área nos dias atuais, se a Continuum não tivesse encerrado as atividades, com certeza ela teria um bom espaço no mercado.

Como criar um bom jogo

Em um outro painel relacionado aos videogames, Francisco Tupy, professor e game designer, falou sobre as etapas de produção e desenvolvimento de jogos. Ele citou, principalmente, a facilidade com a qual o mercado está aceitando profissionais atualmente.

Tupy diz que as áreas que a produção de games pode atingir é imensa e não abrange somente designers e programadores, mas também advogados, para tratar de direitos autorais, por exemplo, especialistas de marketing, entre outros. Para ele, a cada vez mais os jogos estão entrando na nossa sociedade e conquistando mais profissionais no mercado de trabalho.

Além disso, ele tratou de assuntos referentes a pré-produção de um jogo e tratou isso como o principal fator de sucesso. O professor começou afirmando que todo game tem uma moral e que cada pessoa a interpreta de alguma forma diferente. Isso se chama "narrativa emergente", pois a interpretação varia e depende de cada usuário e, assim como nos filmes, essa conclusão extraída do produto vai acompanhar o jogador pela vida toda.

Ele ainda comenta que toda história é criada através de um método de envolvimento. Com isso, são criadas situações em que os usuários estejam envolvidos e o roteirista usa esta medida para "justificar a derrota do vilão". Um bom game cria a sua necessidade de ser jogado com três principais questões: regra fixa, recompensa variável e valorização da recompensa, que são transformadas em "situação de desafio". Com esses fatores em mente, as chances da ideia fazer sucesso são enormes.

Os palestrantes reforçaram que, com uma boa ideia e um bom planejamento de execução do trabalho, é possível que qualquer profissional consiga entrar no mundo dos games e ter isso como uma profissão. Tupy usou a sua história como exemplo. Ele disse que era geógrafo e um dia decidiu que queria ser professor de games, uma profissão que ainda não existia na época, e essa meta foi desbloqueada com sucesso.

Inscreva-se em nosso canal do YouTube!

Análises, dicas, cobertura de eventos e muito mais. Todo dia tem vídeo novo para você.