Por mau planejamento, aeroportos da Copa vão operar sem novas tecnologias

Por Redação | 20 de Fevereiro de 2014 às 14h10

Os brasileiros e turistas que forem assistir aos jogos da Copa do Mundo de Futebol, nos meses de junho e julho, devem enfrentar problemas desde a chegada nas cidades que vão sediar os jogos. De acordo com o jornal O Globo, alguns equipamentos importantes em alguns aeroportos não estarão em funcionamento durante o mundial esportivo, o que deve prejudicar os planos do governo em apresentar aos visitantes aeroportos com padrão de primeiro mundo.

Apesar de já estarem em processo de instalação nos terminais aéreos, alguns sistemas com tecnologia de ponta ainda precisam passar por testes para eventuais ajustes, isso sem contar que as companhais devem transferir operações, equipamentos e profissionais para as novas áreas para cumprir as etapas de treinamento. Pelas regras internacionais, esse procedimento leva no mínimo seis meses.

Segundo Moreira Franco, ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), as empresas não serão pressionadas a migrar operações para novas áreas mesmo faltando menos de quatro meses para a Copa, pois a transferência só será autorizada após verificar a segurança dos novos terminais. Além disso, o presidente da Anac, Marcelo Guaranys, destacou que, pelas regras dos contratos com as concessionárias, o aeroporto precisa apenas estar pronto e com capacidade para funcionar - o que não significa ocupação plena de toda a área construída.

Um dos mecanismos que não estará pronto a tempo do campeonato é o dispositivo automático de despacho de bagagem no novo terminal de passageiros de Guarulhos, em São Paulo. A inauguração do novo espaço está marcada para o dia 11 de maio, mas já se sabe que não será possível implementar o dispositivo em questão, considerado complexo por exigir conexão estreita com os sistemas das companhias e suas parceiras internacionais. A previsão é que, durante a Copa, apenas 11 das 25 companhias aéreas operem no aeroporto de Guarulhos - a TAM, por exemplo, só vai mudar para a nova área após o mundial.

O mesmo vai acontecer em Viracopos, na cidade de Campinas (SP), com as companhias Gol, Azul e a própria TAM, que só vão migrar para o novo espaço depois que o torneio acabar - o novo terminal possui um laboratório de testes e sistemas de TI para controlar as operações. A área atual não possui ponte de embarque e não consegue atender adequadamente a demanda de mais de 9 milhões de usuários. A única empresa que ocupará o novo terminal no aeroporto paulistano é a TAP.

Em Natal, no Rio Grande do Norte, o novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante apresenta problemas na via de acesso e na torre de controle e o prazo até a Copa é considerado apertado para a homologação dos novos equipamentos. Dessa forma, o governo considera a ideia de adiar a transferência e manter as operações no antigo Aeroporto Augusto Severo.

Já em Brasília, onde as obras foram mais focadas na ampliação das áreas de embarque e desembarque de passageiros, a situação é um pouco mais tranquila. Cerca de 30% dos sistemas de controle automático de bagagem e uso compartilhado das áreas de check-in pelas companhias aéreas foram testados e estão funcionando normalmente. A nova sala de embarque e o ponto de acesso às aeronaves têm inauguração prevista para a primeira semana de abril.

"Sabemos que temos problemas complexos na transferência de sistemas de alto padrão tecnológico e, evidentemente, isso terá que ser enfrentado, e será. Mas essa transferência não vai causar danos à Copa, ao atendimento. Se tiver dúvida neste processo, não vamos autorizar que seja feito. Será uma atitude conservadora", comentou o ministro Franco.

Copa do Mundo

Obras do Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. (Foto: Michel Filho)

Especialistas e técnicos do governo alegam que o problema é que o prazo e a complexidade das transferências das operações não foram consideradas no cronograma oficial da Copa, já que a decisão de conceder os aeroportos ao setor privado saiu tarde. No primeiro ano do mandato, a presidente Dilma Rousseff anunciou a primeira rodada de concessões, na qual Guarulhos, Viracopos e Brasília foram leiloados em fevereiro de 2012. No entanto, os contratos foram assinados só em junho, e os concessionários só assumiram os aeroportos em novembro de 2012.

Como informa O Globo, os aeroportos concedidos respondem por mais de 30% do movimento de passageiros, 65% do tráfego internacional e 57% da movimentação de cargas. Para evitar caos na Copa, governo e operadores adotarão planos de emergência.

Os aeroportos não devem ser os únicos a apresentarem problemas durante a Copa. Nesta semana, publicamos aqui no Canaltech que são grandes as chances de que a comunicação nas arenas fique congestionada devido à alta demanda por dados. Os estádios que mais preocupam as provedoras de serviços móveis são a Arena Corinthians, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba, no Paraná. Ambas são as mais vulneráveis por causa das obras atrasadas e a falta de acordos comerciais para instalação de equipamentos como antenas e centrais de comunicação.

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