Olimpíadas 2012: meteorologia auxilia os velejadores durante as competições

Por Fernanda Morales | 30 de Julho de 2012 às 08h25

Os atletas olímpicos possuem outros aliados para o seu desempenho além do preparo físico e das técnicas. É o caso dos competidores da vela, que contam com análises detalhadas sobre as condições do vento, das marés e da meteorologia durante as competições.

Na vela ou iatismo, como o próprio nome já diz, os barcos são movidos exclusivamente pela propulsão das velas, que se deslocam apenas com a força dos ventos. A categoria esportiva é dividida com base nas dimensões e na quantidade de passageiros que cada barco é capaz de suportar.

Para que o esporte consiga ser praticado com segurança e agilidade, como é exigido na categoria ligeira, os atletas contam com uma equipe de apoio extremamente preparada e com o auxílio de técnicos, que captam informações importantes como as condições do vento e da temperatura.

Entre os equipamentos utilizados para fazer o monitoramento das condições naturais, a equipe utiliza GPS, anemômetro, alidade, biruta manual, satélites e boias meteorológicas. O anemômetro é um instrumento que possui três pás em forma de concha, e é utilizado para medir a velocidade do vento com precisão, enquanto a alidade é uma régua de precisão que mede os ângulos de inclinação do barco.

Vela Brasil Robert Scheidt

As informações meteorológicas são coletadas por boias e satélites

Os satélites e as boias meteorológicas, por sua vez, são os responsáveis por medir e monitorar a temperatura do ar e da água, assim como as possibilidades de mudança dos ventos e de chuvas.

"Os técnicos são responsáveis por captar as informações em cada uma das boias na área da regata e passá-las aos velejadores. No caso da meteorologia, as informações são coletadas via internet, processadas em tempo real e enviadas aos membros da delegação", afirmou Ricardo Baggio, superintendente da Confederação Brasileira de Vela e Motor.

As informações são coletadas pelos técnicos momentos antes de a regata começar e, também, durante a competição. Já as informações dos meteorologistas são processadas na noite anterior e enviadas para a equipe na manhã da corrida.

Os velejadores aprendem desde que iniciam no esporte a entender os dados fornecidos pela equipe sobre as condições climáticas e não passam por nenhum tipo de curso preparatório prévio.

"As organizações de grandes eventos, incluindo os Jogos Olímpicos, contratam uma empresa para passar diariamente as informações meteorológicas para todas as equipes participantes. Porém, paralelamente, as equipes também têm o apoio de outras empresas especializadas", relatou Baggio.

Um dos principais desafios técnicos de uma competição como a vela é não poder contar com o apoio de técnicos durante a corrida. Eles também são responsáveis por rebocar os barcos até as raias e fazer a manutenção de equipamentos antes do início das atividades.

Vela Robert Scheidt e Bruno Prada

A modalidade é a que trouxe o maior número de medalhas para o Brasil

Nas Olimpíadas de 2012, em Londres, Inglaterra, a organização vai disponibilizar barcos com sistemas de GPS e câmeras de filmagem ao longo das áreas de competição de algumas classes da modalidade. O recurso não é nenhuma novidade, mas ajuda na transmissão e também no cumprimento das regras da regata.

E um dos principais destaques do Brasil na categoria é o velejador Robert Scheidt, que possui ao todo 11 títulos mundiais e sai em busca de novas medalhas esse ano. Scheidt e seu companheiro de vela Bruno Prada são favoritos na classe Star, ao lado da dupla inglesa Iain Percy e Andrew Simpson.

As provas de vela serão sediadas em dois municípios vizinhos à capital inglesa e que são banhados pelo mar, Portland e Weymouth. As competições da classe Star tiveram início ontem (29) junto com a categoria Finn.

A vela é a modalidade esportiva que mais trouxe medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos, totalizando 16 premiações.

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