Sikur: Empresa brasileira lança plataforma de comunicação criptografada no MWC

Por Rafael Romer | 21 de Fevereiro de 2014 às 17h21

Não há dúvidas que 2013 foi um ano decisivo para colocar as preocupações sobre privacidade e proteção de informação definitivamente no mapa. Não só usuários finais e cidadãos, mas empresas também passaram a prestar mais atenção onde colocam seus dados após a série de informações sobre supostas práticas de espionagem industrial que cercaram o governo norte-americano.

Aproveitando o clima de preocupação que, ao que tudo indica, deve também pautar empresas neste ano, uma empresa brasileira pretende apresentar na próxima semana em Barcelona, durante o Mobile World Congress, sua solução para comunicação corporativa criptografada, o Sikur. "É um tema bastante insipiente, mas que está no foco das discussões", afirma o CEO da empresa, Cristiano Iop. "E é o que a gente tá ouvindo aqui no Brasil e no mercado da América Latina, que são os mercados que estamos atuando".

Disponível para tablets, smartphones, notebooks e desktops, o Sikur permite que o usuário se comunique com seus contatos armazenados dentro de um ambiente seguro, evitando o vazamento de informações corporativas.

São três funcionalidades principais: o chat, que se assemelha a serviços como WhatsApp, a troca de mensagens, equivalente a um e-mail dentro de uma rede privada, e o repositório SK Vault, para armazenar, compartilhar e editar documentos dentro do ambiente criptografado. Está ainda no roadmap da empresa desenvolver suporte de vídeo e voz para o Sikur, mas ainda sem previsão de lançamento.

De acordo com Iop, a plataforma é completamente criptografada e contém diversos elementos de segurança, como bloqueio de print screen e dupla autenticação para permitir o acesso do usuário - realizada através de senha e de um token em dispositivos desktop, e através de uma senha e contra-senha em dispositivos móveis.

As funcionalidades estão disponíveis através de diferentes pacotes de serviço, comercializados no modelo de SaaS. Toda a plataforma pode ser armazenada em uma nuvem privada, no próprio data center da empresa que contratar o serviço, ou na nuvem pública do Sikur, recomendado para pequenas e médias empresas sem infraestrutura própria.

Desenvolvimento

Atualmente, a Sikur faz parte do grupo de investimento Ciberbras e conta com uma equipe de 15 pessoas. A tecnologia utilizada é resultado da aquisição de uma startup curitibana em 2011, responsável pela "base" do Sikur. Desde então, a holding investiu o total de US$ 5 milhões na empresa para aprimoramentos de segurança, funcionalidades e design do produto, que será apresentado em sua versão final na próxima semana.

As primeiras parcerias foram feitas já em setembro de 2013 e cerca de mil empresas já utilizam sua solução. Por questões de contrato, Iop não revela nenhum case de uso da plataforma, mas inclui clientes corporativos do setor financeiro, construção civil, além de pequenas e médias empresas. O CEO estima que os primeiros contratos de governo da empresa também devem ser fechados em breve.

"Depois que houve todo o vazamento de informações da NSA via Snowden, começou uma busca muito grande do governo por soluções que possibilitem essa troca de informações e documentos de forma segura" , afirmou. "Então governo é um foco importante e o fato de sermos uma empresa com tecnologia nacional nos dá uma vantagem competitiva nesse momento".

De acordo com o CEO, a plataforma também foi vista com interesse por outros governos e clientes na América Latina, e a empresa já tem revendas no México, Colômbia, Chile, Peru e Bolívia. A empresa também já possui alguns clientes na Alemanha, Espanha e Japão.

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