Estudo: logística e tecnologia brasileiras ainda precisam evoluir para a Copa

Por Redação | 24 de Dezembro de 2012 às 09h35

Faltam pouco mais de seis meses para a Copa das Confederações e pouco mais de 18 meses para a Copa do Mundo. No entanto, o Brasil ainda não tem a infraestrutura necessária para receber um evento deste porte. Em junho de 2013, o país receberá turistas, atletas de oito países, além de redes de TV e jornalistas do mundo todo - mas falta ainda superar vários desafios para comportar tanta novidade. Serão milhões de gigabytes e dados trocados a cada segundo em complexas redes de informação. Será que vai dar tempo?

A Copa das Confederações, que já registrou recorde de solicitações de ingressos no primeiro dia de vendas, é o grande teste do Brasil para a realização da Copa do Mundo. As áreas de tecnologia da informação e de logística são as que mais carecem de melhorias em sua infraestrutura.

De acordo com o coordenador do Curso de MBA em Gestão em Projetos de Redes do Instituto Brasileiro de Tecnologia (IBTA), Fabio Xavier, as principais carências para a realização desses megaeventos esportivos estão relacionadas à infraestrutura de transmissão de dados. Ele afirma que a Copa do Mundo exigirá muito das redes de comunicação, principalmente pela alta demanda de vídeo 3D e de transmissão para celulares. “Para esse cenário, o desafio é disponibilizar tecnologia de celular 4G, prevista pelo Governo Federal apenas nas cidades-sede. Nas cidades onde as seleções treinarão esse tipo de cobertura dificilmente chegará”, completa.

O coordenador do curso de Redes de Computadores do IBTA, Rodrigo Suzuki, destaca outro gargalo estrutural que o país precisa superar para corresponder às expectativas na realização das Copas: a falta de profissionais especializados nesse segmento. “Diante da demanda crescente, principalmente na área de telecomunicações, o Brasil deve sofrer ainda mais com essa carência”, afirma.

Outro campo que ainda precisa de avanços é o de logística e transportes. O Brasil ocupa hoje a 45ª colocação no ranking mundial de desempenho em logística do Banco Mundial, feito com base em dados de 155 países. De acordo com o coordenador do curso de Logística do IBTA, Edivaldo Giacon, problemas como a baixa capacidade de aeroportos e portos e a falta de uma legislação mais rígida podem prejudicar a realização das Copas e também das Olimpíadas.

Para o especialista, a solução está na articulação entre empresas e governos. “Deveria haver um incentivo maior às parcerias público-privadas com o objetivo de aumentar a eficiência de portos e aeroportos para a recepção de mercadorias e turistas que virão ao país para esses eventos”.

Mesmo com tantas promessas para o futuro próximo, conseguir mão de obra especializada, melhorar o setor de logística e transportes e definir um sistema de telecomunicações de porte suficiente para suportar a alta demanda constituem desafios complexos para o país, e o grande receio dos especialistas e dos brasileiros em geral é um elevado dispêndio de verbas que culminará em fracasso, pois o tempo é curto para empregar soluções efetivas para receber e manter a qualidade dos eventos.

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