Google I/O 2014: veja as novidades que devem aparecer na conferência

Por Caio Carvalho | 24 de Junho de 2014 às 19h31
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Grandes empresas de tecnologia fazem todos os anos eventos nos quais anunciam as principais novidades para os próximos meses. E com o Google não é diferente, pois começa nesta quarta-feira (25), a partir das 13h (horário de Brasília), e vai até quinta-feira (26), a Google I/O, conferência voltada para desenvolvedores realizada em San Francisco, nos Estados Unidos.

Obviamente, a companhia não divulga nenhuma informação sobre o que irá apresentar na feira, mas podemos ter pistas sobre como a empresa poderá surpreender os usuários, desde uma nova versão do Android e dos celulares modulares do Projec Ara até o ambicioso conceito de carro sem motorista que dispensa freio e acelerador. Os rumores são muitos, e sites especializados como Mashable, The Verge e TechRadar já fizeram suas apostas. Por isso, separamos algumas novidades que podem dar as caras no evento mais aguardo pelos fãs da gigante das buscas.

Android Wear

Desde que a tecnologia vestível ganhou visibilidade, foi difícil encontrar um aparelho que realmente consiga unir praticidade e utilidade, visto que a maioria desses dispositivos não apresenta nada de realmente inovador em relação a outros gadgets, como tablets e smartphones. A ideia do Google com o sistema operacional Android Wear é justamente fazer com que tenhamos vontade de usar relógios e pulseiras inteligentes que possuam de fato um objetivo além da integração com outros eletrônicos.

Já se sabe que algumas empresas estão trabalhando com a plataforma, como é o caso da Motorola com o Moto 360, e a LG com o G Watch. Recentemente, surgiu um rumor de que a Samsung vai aproveitar a conferência desta quarta-feira e anunciar um modelo de smartwatch equipado com o Android Wear – o que vai contra os últimos lançamentos da empresa, que abandonou o robozinho verde do Galaxy Gear em troca de um software próprio, o Tizen. Além da sul-coreana, especula-se que a LG também faça uma aparição no palco da conferência para dar o G Watch como como brinde a todos os participantes.

Mesmo assim, a maior expectativa está nas novidades que o Android Wear poderá receber no futuro e sua integração com o assistente de voz Google Now. Embora outras entidades tenham mostrado apoio à plataforma, ainda não vimos nenhuma demonstração ou divulgação de ferramentas vindas do próprio Google. Em todo o caso, a companhia deve se focar no sistema para smarwatches como uma resposta ao comentado iWatch, da Apple, que, ao que tudo indica, será anunciado no segundo semestre.

Google Glass

Google

(Foto: Mashable)

Não é novidade que os óculos de realidade aumentada do Google estão cada vez mais populares, pelo menos entre usuários dos EUA, onde o acessório já pode ser adquirido por qualquer pessoa com mais de 18 anos. Apesar de custar caro (US$ 1.500) e ainda estar em fase de testes, o Glass está se expandindo para outras partes do mundo, como é o caso do Reino Unido, que agora possui o aparelho para venda direto pelo site oficial do produto.

Atualmente, os óculos estão em fase beta nas mãos de usuários, médicos, funcionários do Google, celebridades e profissionais de diversas áreas, todos eles do Programa Explorer. E a inclusão de um número maior de pessoas dispostas a utilizar o dispositivo é um forte indicativo de que a companhia deve finalmente revelar o que todo mundo quer saber: a data de lançamento do gadget para o consumidor final, além de seu preço, claro. Analistas acreditam que ele pode chegar ao mercado custando US$ 300, enquanto aqueles que pagaram os US$ 1.500 devem receber o acessório gratuitamente.

Dificilmente a versão final do Glass será como aquela demonstrada no primeiro vídeo conceitual divulgado pelo Google, em abril de 2012. Fato é que o aparelho ganhará mais integração com os serviços do Google, e quem sabe mostrar a execução de outros aplicativos na plataforma, entre eles o tradutor simultâneo de idiomas, o Maps e a câmera.

Nova versão do Android

Google

(Foto: Reprodução)

Ainda não está clara a abordagem do Google sobre seu sistema operacional para tablets e smartphones. No entanto, a expectativa é que a empresa revele a primeira grande atualização do software, o que pode ter tanto um upgrade para a atual versão da plataforma, a 4.4 KitKat, ou até mesmo o Android 5.0, que a imprensa tem chamado de Lollipop. O cronograma da companhia é lançar um pacote de atualizações entre cinco a oito meses e, pelo calendário, esse prazo termina agora em junho, já que o KitKat chegou aos aparelhos em outubro de 2013.

Outra mudança especulada será na interface do Android, que deve seguir a tendência do KitKat e adotar um visual cada vez mais limpo. Isso deve incluir a remoção da barra de status na parte superior do aparelho, que muitas vezes fica superlotada com ícones sem sentido. O site Android Police divulgou o que seriam as primeiras fotos da interface do novo Android, conhecido como "Android L" ("L" de Lollipop?). E no que depender das imagens, a platafoma virá com um design completamente reformulado.

Seja qual for a versão, a grande novidade do sistema é que ele deve oferecer suporte para muito mais ferramentas de hardware e segurança. Entre elas está a capacidade de rodar em processadores 64-bit, outra resposta ao que a Apple fez no iOS 7 e nos chips A7. Com suporte para esse tipo de processador, o Google abre caminho para as fabricantes produzirem dispositivos com mais de 4 GB de memória RAM, além de facilitar o trabalho de desenvolvedores, que conseguem tirar melhor proveito de arquiteturas baseadas em 64-bits e, assim, tornar os aplicativos mais rápidos e eficientes.

O Google+ não morreu

Lembra de quando o Google+ foi lançado, em junho de 2011? Muita gente acreditava que a investida do Google nas redes sociais – depois do sucesso prematuro do Orkut – serviria para enterrar de vez o principal concorrente, o Facebook, e, consequentemente, substituí-lo. Hoje percebemos que a coisa não é bem assim, e a plataforma social da gigante das buscas se esforça para conquistar os internautas, cada vez mais propensos a utilizar aplicativos mobile.

De olho no público, a empresa criou algumas ferramentas interessantes no Android que integram o sistema ao Google+, como o app de fotos, que envia todas elas automaticamente para o seu perfil na rede. Contudo, tanto esforço parece não fazer efeito, especialmente depois que o criador da plataforma, Vic Gundotra, deixou a companhia. Mas o Google não desistiu de sua rede social, e deve anunciar novos serviços integrados a ela em sua conferência. A palavra de ordem é mostrar que o site ainda tem apelo e que a empresa não a abandonou.

Android TV

Google

(Foto: The Verge)

Para evitar o fracasso do Google TV, aparelho lançado em 2010 e que posteriormente foi abandonado pela companhia, a aposta será uma versão do Android para televisores inteligentes. Os rumores começaram em abril deste ano e ganharam força agora no início de junho, quando o GigaOm publicou os planos do Google para o setor televisivo.

Basicamente, o Android TV, ao contrário do Google TV, não integra a programação das televisões abertas e por assinatura com outros aplicativos. Em vez disso, o foco do produto não é criar um dispositivo físico, mas sim uma plataforma já incluída em televisores, set-top boxes e outros acessórios produzidos por empresas parceiras que vai permitir o streaming de jogos e vídeos em alta definição. Os desenvolvedores também teriam mais facilidade para criar novos apps para Smart TVs que, graças ao Android TV, teriam uma interface bem mais simplificada de acesso e navegação.

Não se sabe como essa plataforma seria integrada às TVs – por exemplo, se ela viria instalada de fábrica ou se seria necessário baixar um arquivo da internet direto no aparelho. É por isso que o Google também deve revelar novidades para o Chromecast, dispositivo lançado no ano passado que permite acessar vídeos online, fotos e arquivos de áudio na TV enviados diretamente de um tablet ou smartphone. Talvez a empresa não revele algo grande para o acessório, mas sim detalhes de como irá lidar com esse mercado daqui para frente.

Android para carros

Google

(Foto: Reprodução)

Ele já está presente nos nossos tablets, smartphones, PCs, relógios e óculos, mas muito em breve o Android estará também nos nossos carros. O Google lançou em janeiro o projeto Open Automotive Alliance, uma parceria com algumas das maiores fabricantes de veículos do mundo, como Audi, GM, Honda e Hyundai, além da fabricante de placas para computador NVIDIA.

Na época, Patrick Brady, dietor de engenharia do Android, disse que milhares de pessoas levam seus celulares com Android para dentro de seus carros, mas que essa ainda não é uma experiência otimizada e feita especialmente para motoristas. Dessa forma, a ideia de um sistema Android embarcado é integrar os aplicativos do aparelho com um display dentro do automóvel, que permite interagir com músicas, GPS, chamadas telefônicas e outros recursos de forma mais segura.

Ainda não foi especificado como essa integração funcionará. Mas, em longo prazo, isso pode evoluir para um sistema muito mais completo e independente, que beneficie não apenas o consumidor, mas também as montadoras. Afinal, o Android é o sistema operacional móvel mais usado no mundo, presente em 81% dos smartphones. Além disso, o mecanismo se assemelha ao já anunciado CarPlay, da Apple, que tem o mesmo conceito: levar a experiência do iPhone para uma tela acoplada no próprio carro. Pelo jeito, a guerra dos sistemas operacionais também está chegando aos veículos.

Project Ara e Tango

Google

(Foto: Reprodução/Google)

Um dos projetos mais comentados do Google é o Ara, desenvolvido quando a Motorola ainda era parte da companhia. Ele consiste em um smartphone modular com várias peças, como uma espécie de brinquedo LEGO, e totalmente montável de acordo com a necessidade do usuário. Por exemplo, se a câmera apresentar um problema, basta trocar o bloco que corresponde ao acessório por um novo, assim como adicionar conectividade 4G, melhorar o hardware, processador, tela e outros componentes – ao contrário dos celulares atuais, que quase sempre exigem a troca por um novo quando uma peça é quebrada.

Até então, o Google revelou que a previsão é que os primeiros modelos do Project Ara cheguem ao mercado em janeiro de 2015, mas sem maiores detalhes. Contudo, o projeto deve ganhar uma atenção especial na conferência desta semana, com a empresa divulgando entidades parceiras, além de como funcionarão a compra e a troca de blocos para a base do smartphone.

Fora os celulares de montar, um outro projeto deve ser atrativo do evento: os dispositivos da linha Tango, que também tiveram poucas informações divulgadas. Por enquanto, o Google anunciou um tablet e um smartphone capazes de captar mapas 3D de ambientes e locais fechados em tempo real, mas que foram disponbilizados em quantidade limitada e apenas para desenvolvedores. Nas palavras do Google, o Project Tango tem como objetivo "criar um mundo digital que se assemelhe à realidade". É esperar para ver.

Internet das coisas

Google

(Foto: Divulgação/Nest)

Muita gente se perguntou o que levou o Google a comprar a Nest Labs em janeiro deste ano. A startup, que é mais conhecida nos Estados Unidos, fabrica objetos inteligentes para a casa, como termostatos e alarmes de fumaça conectados às redes Wi-Fi. O termostato, por exemplo, acompanha a rotina do usuário e se adapta a ela – o sistema sabe quando o dono deixa o local, aprende os horários de sono e regula a temperatura ambiente sem que o proprietário precise definir funções pré-programadas no produto.

Na semana passada, o Google comprou a Dropcam, famosa por vender webcams integradas ao Wi-Fi da residência do usuário, e que agora é uma divisão da Nest. Isso sem contar que a gigante de Mountain View possui uma equipe focada especialmente em automoção residencial, a Android@Home. Logo, não é de se espantar que a empresa esteja empenhada em levar a experiência do sistema operacional móvel também para dentro de casa. A Google I/O deve ser o palco no qual a companhia revelará seus verdadeiros planos para dominar o lar, e certamente terá ajuda da Nest e da Dropcam para fazer com que isso aconteça.

Linha Nexus

Tudo aponta que esta será a Google I/O dos últimos dispositivos da família Nexus. E se os rumores estiverem certos, a empresa deve revelar as versões finais dos tablets Nexus 9 e Nexus 10, que receberam os codinomes de Volantis e Flounder, respectivamente. Eles devem ser fabricados pela HTC e chegar ao mercado só no final do ano, com especificações bem interessantes para os consumidores. No caso do Nexus 9, o diferencial são os núcleos Cortex-A15 e um chip 64-bits, o que reforça a ideia de que este será um dos primeiros aparelhos a receber a nova versão do Android.

Google Fit

Possivelmente integrado ao Android Wear – e também uma forma de rebate aos últimos rumores do iWatch –, o Google deve lançar a ferramenta Google Fit, que funcionará nos mesmos moldes do rival HealthKit, anunciado pela Maçã no WWDC 2014. Trata-se de um serviço conectado a pulseiras eletrônicas e outros sensores que colhem informações de saúde e fitness do usuário, permitindo que ele e seu médico acompanhem os resultados. Batimentos cardíacos, calorias ingeridas, horas de sono e passos dados são apenas algumas das informações que podem aparecer no app.

Chrome OS sensível ao toque

O Google deve continuar investindo pesado para garantir o sucesso dos Chromebooks. E uma novidade promete garantir ainda mais presença desses dispositivos no mercado: um aparelho com tela sensível ao toque. O gadget sofreria uma reformulação completa para se adaptar a uma versão aprimorada do Chrome OS, sistema operacional baseado na nuvem, que pode receber ferramentas usadas no Android – um conceito misterioso conhecido como Project Athena.

Android Silver

Google

(Foto: CNET)

Um dos atrativos dos aparelhos da linha Nexus está no chamado Android Puro, que é quando o sistema operacional não possui nenhuma modificação de fábrica feita por outras companhias – como é o caso da Samsung, que instala uma série de ferramentas que às vezes não é nem usada pelo consumidor. Mesmo assim, a família Nexus não registra bons índices de vendas, e este pode ser um dos motivos que levarão o Google a extinguir a marca. Mas não totalmente.

Há algum tempo, sites especializados afirmam que os celulares e tablets Nexus deixarão de ser fabricados – a própria LG disse que não está fabricando o Nexus 6 – para dar início a um novo programa do Google, o Android Silver. O objetivo é levar a experiência do Nexus para os aparelhos mais recentes da indústria e garantir que esses gadgets cheguem ao mercado em sua versão pura, ou seja, sem apps pré-instalados. Funcionaria como as versões Google Play Edition do Galaxy S5 e do HTC One (M8).

Todo o custo de desenvolvimento e comercialização do projeto seria subsidiado pelo Google, garantindo que as fabricantes gastem menos na produção dos dispositivos e, consequentemente, reduzam os preços dos aparelhos para o consumidor final. Em troca, o Google ganharia maior controle sobre a distribuição de software, o que significa autalizações de sistema mais rápidas e a promessa de uma plataforma sem aplicações descartáveis.

É provável que o Google não oficialize o programa na Google I/O, já que os últimos rumores apontam o lançamento do Android Silver apenas para o ano que vem. Independentemente disso, quem sabe a empresa revele ao menos as primeiras informações sobre como o projeto deve substituir a linha Nexus? É esperar para ver.

Outros anúncios

Carro autônomo do Google

(Foto: Divulgação/Google)

Como você viu, estas são apenas algumas das muitas novidades que o Google deve trazer para sua conferência de desenvolvedores. E muitos outros produtos, entre eles projetos inéditos, certamente devem ganhar espaço de destaque nesses dois dias de evento. Fica até difícil contar quantas ideias ambiciosas (e algumas malucas) estão nos planos da companhia e que podem aparecer na Google I/O. Listamos abaixo algumas delas:

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