Futurecom 2014: os destaques do evento que começa na próxima segunda-feira (13)

Por Rafael Romer | 06.10.2014 às 09:04 - atualizado em 06.10.2014 às 12:58

O maior evento de TI e Telecomunicações da América Latina, a Futurecom, chega a sua 16ª edição e começa oficialmente na próxima segunda-feira (13), com a promessa de uma série de novidades para o setor.

Depois de dois anos seguidos no Rio de Janeiro, o feira volta para São Paulo e deverá receber cerca de 15 mil participantes no Transamérica Expo Center - um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

"O Rio foi uma experiência excelente para nós, até no aspecto de vendas, foi bastante bom", avaliou o presidente da empresa organizadora do evento Provisuale, Laudálio Veiga Filho, em entrevista ao Canaltech.

Segundo o executivo, levar o evento ao Rio de Janeiro trouxe uma visibilidade grande e um número expressivo de representantes de empresas baseadas no estado, principalmente do setor de Telecom e de petróleo. Com o retorno do evento para a capital paulista, no entanto, é esperada uma variedade maior de verticais presentes. "A gente busca justamente reunir a cadeia de valor do ecossistema de TI, as operadoras, os fornecedores de bens e serviços e os clientes corporativos", disse Laudálio.

Segundo ele, a Futurecom deverá ficar em São Paulo pelos próximos três anos e só voltar para o Rio no ano seguinte à realização dos Jogos Olímpicos, em 2017.

Durante os três dias de realização, o evento deverá receber mais de 300 palestrantes e quatro mil congressistas de 52 países. Questionado, Laudálio indica que o foco da discussão será os temas que norteiam os investimentos do setor nos últimos anos, principalmente as tendências da computação em nuvem, Big Data, redes sociais, analytics e mobilidade.

"Se você olhar a Futurecom de hoje e a Futurecom de cinco ou seis anos atrás, você nota uma diferença extraordinária", explica. "Na programação, hoje você vai ver empresas como Oracle, EMC, VMWare, Dell, HP e a motivação é porque trabalhamos cada vez mais com os temas que pautam o mercado".

Por trás de todas as tendências, no entanto, o presidente destaca a importância de se discutir a experiência do cliente. Cada vez mais alavancada pelos chamados serviços OTTs (over-the-top), como Google e Facebook, o foco na experiência do cliente tem grande sucesso no engajamento através do uso de informações e analytics para aprender mais sobre os usuários e oferecerem serviços melhores. "É um processo simples e muito natural", comenta.

Pela primeira vez, aliás, a Futurecom trará o Facebook como patrocinador oficial de um evento no país, com a keynote do diretor global de parcerias Markku Makelainen prevista para a tarde da quarta-feira (15). Na avaliação de Laudálio, a presença da rede social, que trará mais de 20 executivos para a Futurecom, mostra que esses players já estão dispostos a se integrarem mais com operadores e com o ecossistema local.

O evento também acontece em um momento agitado para o mercado de telecomunicações no Brasil. Na última terça-feira (30) foi finalmente realizado o leilão da faixa de 700 MHz para as redes de internet móvel de quarta geração (LTE), que trouxe resultados não muito satisfatórios para o governo.

Dos seis lotes que foram colocados à venda, apenas quatro foram adquiridos pelas operadoras. Claro, Vivo e TIM foram as três empresas que arremataram os três lotes nacionais, para fornecimento de 4G em todo território nacional, e a Algar Telecom arrematou um dos lotes regionais para o Triângulo Mineiro, região na qual atua.

Do total de R$ 7,7 bilhões que o governo esperava receber com o leilão, apenas R$ 5,85 bilhões foram arrecadados. A Oi e a Nextel optaram por ficar de fora do leilão.

Apesar do resultado ruim para o governo, o presidente da Provisuale acredita que o leilão foi bem sucedido por ter acontecido no momento certo e deverá garantir a expansão do 4G sem muitos problemas. "Estrategicamente, foi muito importante a realização desse leilão agora", avaliou. "Foi feito na hora certa, no momento certo. Se a frequência de rádio não fosse tirada de forma negociada agora, seria muito mais difícil retirar depois".

O tema deverá receber destaque no evento, que já está com as participações do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Batista de Rezende, confirmadas.

O uso da faixa de 700 MHz também está diretamente alinhado com o desligamento do sinal da TV analógica no Brasil, que hoje usa essa faixa para transmissão de conteúdo. O tema já está sendo discutido ostensivamente em eventos do setor de tecnologia há alguns anos e deve aparecer também pela Futurecom.

Questionado sobre os reflexos que o ano instável da economia brasileira teve nos negócios da feira, Laudálio avaliou que muito da incerteza do começou do ano acabou passando após a Copa do Mundo. Segundo ele, o final do evento esportivo promoveu uma retomada "muito forte" nos negócios para a Futurecom e acabou movimentando mais vendas do que em 2013. Segundo ele, 20 novas empresas de fora do país virão para o evento neste ano.

"Paradoxalmente, quando a economia está mais desaquecida, as empresas precisam otimizar mais custos e investem mais em internet, telecomunicações", disse. "Então, mesmo com essa turbulência, o setor continua muito bem".

Por fim, assim como na edição do ano passado, a Futurecom realizará neste ano seu concurso de startups, que agora conta com a parceria da Startup Farm e selecionará dez startups ligadas a temas do setor de tecnologia. Segundo Laudálio, o concurso de deverá ser um evento fixo no calendário da Futurecom a partir de agora e tem como objetivo aproximar iniciativas com soluções inovadoras do ecossistema de negócios de TI, beneficiando ambos os lados.

"Isso, para nós, é investimento no futuro do Brasil. Se nós não prestigiarmos os jovens que têm talento, vontade e ideal, quem vai fazer?", questionou. "A gente vê isso como uma questão sócio-econômica, nessas startups sempre surgem uma ou outra que se destacam e acabam ocupando um bom espaço no mercado".

No ano passado, o concurso teve a FIT Networks como campeã, que apresentou sua solução de baixo custo para a entrega de internet banda larga via fibra ótica ao consumidor final.

Ainda na área de inovação, o evento também terá um espaço dedicado ao tema, apelidado de Espaço Inovação, que reunirá dez empresas brasileiras de pequeno e médio porte que desenvolveram inovações dos setores de hardware, software ou serviço e agora buscam seu espaço no mercado.