Futurecom 2014: Oi faz primeira apresentação após mudança de presidência

Por Rafael Romer | 15.10.2014 às 09:43
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

Em uma das mais aguardadas apresentações da Futurecom deste ano, a Oi falou pela primeira vez ao mercado após a recente mudança de comando em sua keynote, na tarde desta terça-feira (14).

A apresentação aconteceu em um momento turbulento para a empresa. Na semana passada, a Oi anunciou a renúncia de Zeinal Bava do cargo da presidência da companhia, seguindo o calote de US$ 1 bilhão da RioForte. Essa foi a terceira vez que a operadora mudou de comando em um período de dois anos.

Em sua primeira apresentação pública, o diretor de finanças e agora presidente da telecom, Bayard Gontijo, usou sua meia hora para passar ao mercado uma imagem de solidez, junto a uma reorganização interna para promover a retomada de investimentos.

"A empresa está alavancada, sim, a gente sabe disso", disse o novo presidente da companhia. "Mas vamos atacar essa alavancagem com uma reestruturação operacional". Para as estratégias de retomada de valor, a empresa deverá se basear em três pilares principais: a otimização de investimentos, maior eficácia de controles internos e na venda de ativos.

O novo presidente já exemplificou algumas das ações que estão sendo tomadas dentro da Oi para a retomada de seu ciclo de investimentos. Houve, por exemplo, um corte na infraestrutura de TI de longo prazo dentro empresa, o que deverá gerar uma economia de 30% no setor. De acordo com a Oi, serão desligados um total de 38 aplicativos.

Entre abril de 2013 e julho deste ano, a empresa também vendeu uma série de ativos não-críticos de sua operação, que somaram R$ 6,5 bilhões.

Futurecom 2014

O novo presidente executivo da Oi, Bayard Gontijo, durante apresentação da empresa na tarde desta terça-feira (14) (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Assim como no ano passado, a empresa voltou a defender o discurso da consolidação do mercado brasileiro de telecomunicações durante a apresentação. Não foi falado claramente sobre os rumores de aquisições que rondaram a Oi nos últimos meses, mas Gontijo defendeu que a empresa deseja se manter como "protagonista" desse processo.

"Para que esses investimentos sejam sustentáveis, a consolidação é necessária", afirmou. A afirmação, repetida por Gontijo mais de uma vez durante sua apresentação, aponta na direção de uma possível aquisição de outra empresa pela Oi.

A Oi falou ainda sobre a decisão de ficar fora do leilão da faixa de 700 Mhz do 4G, promovido no fim de setembro. Para o mercado LTE, a empresa aposta na estratégia do seu compartilhamento de antenas com a TIM e afirma que ainda tem espectro para continuar prestando o serviço, que deverá garantir a empresa 3,7 mil estações-base de 4G neste ano.

"A Oi está ativa no 4G, não participou do leilão, mas tem espectro para prestar o serviço e vai continuar prestando", afirmou. "Foi uma decisão de deployment do capital. Nós entendemos que era o melhor uso do capital a curto prazo e que, depois, pode remediar a questão do leilão do espectro de outras formas".