Futurecom 2014: Millennials do Brasil se preocupam mais com corrupção e educação

Por Rafael Romer | 13.10.2014 às 18:44 - atualizado em 14.10.2014 às 09:47
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

No aquecimento para a Futurecom 2014, que tem sua abertura oficial na noite desta segunda-feira (13), a Telefónica apresentou na tarde de hoje a segunda edição de sua pesquisa Telefónica Global Millennial Survey.

Realizado online com 6,7 mil jovens adultos entre 18 e 30 anos, em 18 países, o levantamento aponta quais são as aspirações e características do grupo apelidado de Millennials, um dos principais a puxar a economia global atualmente. Com foco principal nos países da América Latina, o levantamento inclui 14 países da região, incluindo o Brasil, além dos Estados Unidos representando a América do Norte e Alemanha, Espanha e Reino Unido representando a Europa.

A pesquisa detectou um otimismo muito forte entre estes jovens para os próximos anos, que em sua maioria acreditam que tempos melhores anda estão por vir. Em média, 89% dos jovens respondentes afirmaram que estão otimistas com o futuro.

Em especial na América Latina e Brasil, para a grande maioria o futuro também será melhor que o presente. Respectivamente, 72% e 76% destes jovens pesquisados afirmaram que seus países ainda não não chegaram em seu ápice. Os indices superiores são observados entre os norte-americanos e europeus, dos quais 51% e 50%, respectivamente, responderam que dias melhores de seus países ainda estão por vir.

Mas nem tudo são flores para os Millennials, que têm alguns motivos de preocupação em seus países e regiões. Segundo o levantamento, entre os brasileiros, para 46% o maior problema local e global enfrentado hoje é o da corrupção.

Na América Latina, Europa e Estados Unidos, o maior problema apontado está diretamente relacionado à economia, como pobreza e desemprego. Isso também é uma preocupação entre os Millennials brasileiros, com 67% dos respondentes afirmando que os rumos econômicos atuais do Brasil estão "errados".

Além disso, também há uma preocupação forte dessas populações em relação ao atual sistema de educação praticado no mundo todo. Em toda a América Latina, incluindo o Brasil, 75% destes jovens afirmaram que estão "insatisfeitos" ou "pouco satisfeitos" com o sitema de ensino.

"São duas coisas que precisam ser adereçadas: arrumar o sistema educacional e destruir a corrupção", opinou o pesquisador sênior da Universidade de Columbia, Alec Ross. "Se os governos e empresas privadas focarem nisso, o Brasil e a América Latina podem reimaginar e reinventar o futuro".

"Os jovens estão pedindo por uma nova forma de serem educados", afirmou Grabriela Bighetti, diretora presidente da Fundação Telefônica. Segundo a executiva, essas demandas por um sistema revisado de ensino também estão diretamente ligadas ao aumento do uso de dispositivos móveis no dia-a-dia destes jovens e dentro das salas de aula, o que costuma ser proíbido pela grande maioria das escolas, ainda. "Os jovens estão dizendo para a gente que melhoram a relação com o professor se eles estiverem conectados, portanto a proibição do celular dentro da sala de aula vai na contra-mão do que se mais se busca, que é uma relação de confiança", explicou.

Esses pedidos de renovação também estão ligados a um sentimento empreendedor e de mudança desses jovens, apontado pela pesquisa principalmente entre brasileiros e latinoamericanos. Por aqui, 20% dos respondentes disseram que se veem empreendendo nos próximos dez anos, contra 26% do total da região. Nos EUA e Europa, os resutlados foram de 8% e 6%, respectivamente.

Para esses jovens, o empreendedorismo também está ligado diretamente à capacidade que acreditam ter para mudar o mundo. "No Brasil e América Latina, além de ter 70% que acreditam que sua força, trabalho, ideias e empreendimentos vão impactar suas comunidades localmente, metade ainda acredita que isso tem força para mudar o mundo", disse Gabriela.