Futurecom 2014: Facebook quer parcerias para universalização da conectividade

Por Rafael Romer | 16.10.2014 às 09:35
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

O Facebook subiu pela primeira vez ao palco do Futurecom para falar sobre o projeto encabeçado pela rede social para a universalização do acesso à internet, o Internet.org. Assim como já defendido antes pelo CEO da empresa, Mark Zuckerberg, o diretor internacional de parcerias, Markku Makelainen, falou em sua apresentação que o projeto depende de parceiros para dar certo.

"A tecnologia tem que servir a toda sociedade e não apenas dar oportunidades para os ricos e poderosos", afirmou Makelainen. "A missão do Facebook é compartilhar com todos e tornar o mundo mais aberto e conectado e nós estamos trabalhando com parceiros para permitir isso a todos", afirmou.

Para o Facebook, o custo dos pacotes de dados é um dos principais motivos que impedem a inclusão de mais usuários na Internet, em especial em regiões e países emergentes, onde a infraestrutura de redes precária torna o acesso muito caro. Em mercados desenvolvidos, o custo do acesso à Internet de banda larga gira em torno de 1,2% da receita média de um país. Em mercados emergentes, o valor pode chegar a até 25%.

Aí entram as parcerias da rede social com as operadoras de telefonia móvel, responsáveis por garantir conectividade gratuita para atingir os 3,4 bilhões de pessoas ainda desconectadas, cerca de dois terços da população mundial. Como contrapartida, o Facebook afirma que esse tipo de ação estimula o consumo de dados e, consecutivamente, a contratação de pacotes maiores.

No Brasil, essa parceria já existe há algum tempo com as quatro maiores operadoras de telefonia móvel, que fornecem acesso gratuito à rede social. O Brasil é hoje um dos principais mercados para o Facebook, com 89 milhões de usuários dentro da rede social, sendo que 76% deles são móveis.

Do lado do Facebook, a empresa tem investido pesado na otimização do serviço móvel da rede social para diminuir o consumo de dados nos acessos. Segundo o executivo, a atualização do app do Facebook lançado no ano passado deixou o serviço 50% mais rápido no celular e derrubou o consumo de dados pela metade.

Mas, apesar dos esforços da iniciativa, ainda há uma série de desafios que devem ser enfrentados antes de tornar a universalização da Internet uma realidade. A falta de conhecimento sobre o que é a Internet e quais as suas possibilidades ainda é uma das maiores. "Se você nunca utilizou a Internet antes, é muito difícil entender o valor que ela pode ter", explicou o executivo. "Muitas pessoas não sabem o que é a Internet, o que são dados, o que é um megabyte".

Para adereçar o problema, o Facebook trabalha com parceiros e operadores para oferecer conteúdos e produtos que permitem uma maior identificação com a população local. No Paraguai, por exemplo, a rede social fechou uma parceria com a operadora local Tigo, que fornece acesso gratuito à rede social na língua Guarani, falado por grande parte da população local.

Na Zâmbia, onde apenas 30% da população tem acesso à internet, a inciativa lançou uma aplicação gratuita que trás uma série de serviços de baixo consumo de banda para a população local. Além do acesso ao Facebook, o aplicativo fornece dados sobre o tempo, serviço de buscas, classificados de empregos e outros serviços de informação.

O problema do conhecimento também está diretamente ligado ao fato de cerca de 920 milhões de pessoas do mundo ainda serem analfabetas. Além disso, 80% de todo o conteúdo da Internet hoje é escrito em apenas 10 línguas, sendo o português uma delas.