Estádios da Copa do Mundo devem apresentar problemas de rede, alertam operadoras

Por Redação | 19 de Fevereiro de 2014 às 12h04
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Um dos eventos esportivos mais importantes e grandiosos do mundo, a Copa do Mundo de Futebol, está quase aí. E um sério problema pode afetar os visitantes e turistas que forem assistir aos jogos nos estádios. Segundo Eduardo Levy, diretor-executivo do Sindicato das Operadoras de Telefonia Móvel (Sinditelebrasil), são grandes as chances de que a comunicação nas arenas fique congestionada devido à alta demanda por dados.

Os estádios que mais preocupam as provedoras de serviços móveis são a Arena Corinthians, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba, no Paraná. Ambas são as mais vulneráveis por causa das obras atrasadas e a falta de acordos comerciais para instalação de equipamentos como antenas e centrais de comunicação. Em entrevista à agência de notícias Reuters, Levy disse que ainda não existem condições técnicas e comerciais adequadas para equipar os estádios.

Celso Birraque, diretor de rede de acesso da operadora Claro, descarta qualquer chance de apagão de telecomunicações durante os jogos da Copa. No entanto, ele avisa que a previsão da companhia é que o uso de ferramentas e comandos de voz através de dispositivos móveis dentro dos estádios seja oito vezes maior durante as partidas, enquanto o uso de dados deve subir 18 vezes em comparação com dias comuns.

Dos 12 estádios sede da Copa do Mundo, seis já possuem sistemas ampliados desde a Copa das Confederações - evento preparatório que antecede o mundial -, sendo que, em alguns casos, são necessários ajustes adicionais. A expectativa é que o reforço do sistema de telecomunicações dos estádios seja concluído no início de abril.

Birraque também comenta que, além do atraso nas obras, as negociações dos contratos entre operadoras e consórcios que administram as duas arenas estão paralisadas por falta de acordo sobre preço. De acordo com Levy, as concessionárias desses estádios estariam cobrando aluguel até cinco vezes maior que os acordados para as demais arenas do mundial.

Representantes do clube Atlético Paranaense, que administra a Arena da Baixada, em Curitiba, não comentaram o assunto. Já o Sport Club Corinthians Paulista, que comanda a Arena Corinthians, afirmou que são as operadoras que estão pagando às arenas valores cinco vezes menores do que de outros aluguéis em geral - as provedoras já teriam fechado negociações mesmo com os altos preços.

Atrasos

Torcedores devem enfrentar instabilidades durante os jogos da Copa. (Foto: Alex Silva/AE)

A situação dos estádios de São Paulo e de Curitiba é preocupante porque faltam menos de cinco meses para o início da Copa, que começará em junho, e alguns equipamentos ainda não foram montados ou sequer testados. De acordo com especialistas, são necessários cerca de 60 dias para a instalação de antenas e de mais 60 para realizar testes de qualidade das torres, sinal e outros componentes.

Cada estádio terá de 300 a 400 antenas, incluindo microantenas. Segundo Birraque, esses equipamentos continuarão em todas as arenas depois que o mundial acabar, com renovação do aluguel junto às concessionárias dos estádios. A estimativa da Sinditelebrasil é de que as operadoras, em conjunto, estejam investido pelo menos R$ 200 milhões na infraestrutura de telecomunicações das 12 arenas.

Contudo, a entidade não descarta que problemas aconteçam mesmo nos estádios que já estão prontos e naqueles em que não há probleemas comerciais entre operadoras e concessionárias. "Durante a Copa das Confederações, em momentos de pico como antes dos times entrarem em campo, no momento de um gol e no intervalo, há grande demanda por dados. Se todo mundo resolver publicar foto ao mesmo tempo, não há sistema ou espectro que resista", comentou Eduardo Levy.

O diretor-executivo da Sinditelebrasil comenta que os testes de rede no Maracanã foram concluídos no ano passado em 47 dias, em cima da hora da Copa das Confederações. Para conseguir o feito, no entanto, os profissionais e especialistas da área precisaram trabalhar todos os dias, até nos finais de semana - e ainda assim tiveram que fazer ajustes durante os jogos do evento. Por isso, o risco de deixar tudo para os últimos momentos é arriscado e perigoso.

Especialistas afirmam que mesmo durante os Jogos Olímpicos de Londres houve problemas nas redes de telecomunicações dos estádios. "Não vai dar para fazer streaming de vídeo, mas vai dar para fazer upload de fotos", disse Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco.

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