Como a radiocomunicação pode ajudar os aeroportos na Copa do Mundo?

Por Colaborador externo | 25 de Fevereiro de 2014 às 07h45

Por Dane Avanzi*

Muitos que frequentam aeroportos já devem ter se perguntado: como funciona os bastidores da operação aeroportuária que permite que milhões de pessoas se desloquem diariamente em voos nacionais e internacionais? Como é monitorada a rotina de transporte de bagagens, abastecimento de aeronaves, dentre tantas outras? Radiocomunicação. Este é o segredo da operação por trás da logística de toda a infraestrutura aeroportuária.

A radiocomunicação permite acesso imediato e conversação em grupo dos diversos setores que suportam e prestam serviço à administração dos aeroportos. Com o advento da Copa do Mundo a questão é: será que estamos preparados para um volume de passageiros muito maior que o normal? Nossa experiência cotidiana nos aeroportos nos indica que ainda há muito por fazer.

Hoje o sistema de radiocomunicação dos aeroportos não possui um padrão único, havendo a convivência de tecnologias de diferentes gerações, que possibilitam diferentes níveis de serviço aos diversos grupos usuários. Tal situação gera verdadeiras ilhas entre as diversas redes, muitas vezes incompatíveis entre si.

O ideal para que o serviço de radiocomunicação operasse com excelência seria a padronização e modernização do serviço de radiocomunicação como um todo, permitindo que todos os usuários tivessem a mesma qualidade de serviço em termos de cobertura e facilidade de acesso a serviços de telecomunicações como telefonia móvel e internet, por exemplo.

Muitos aeroportos do mundo utilizam a tecnologia Tetra, que além do serviço de radiocomunicação também suporta serviços de operadoras de telefonia móvel, tudo no mesmo equipamento. Dentre outras vantagens, a tecnologia Tetra possui acesso a serviços de telefonia móvel (GSM - Global System for Mobile), que possibilita o acesso às redes de dados 2G e 3G.

Por conta disso, a tecnologia Tetra é utilizada em muitos aeroportos europeus, haja vista o alto grau de interoperabilidade (acesso a diversas plataformas de informação) e confiabilidade. Quem sabe agora no novo ambiente de terceirização dos aeroportos, haja espaço para o planejamento, atualização e reestruturação do serviço de radiocomunicação de modo a aperfeiçoar a eficácia e eficiência das operações aeroportuárias de um modo global?

No que tange à logística, é pacífico o entendimento que uma boa plataforma de informação é requisito indispensável para o sucesso de qualquer empreendimento. Esperamos, como cidadãos, que um dos legados da Copa do Mundo, no que tange aos aeroportos, seja a modernização desse importante equipamento público, especialmente o sistema de radiocomunicação.

* Dane Avanzi é advogado, empresário do setor de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações. É diretor superintendente do Instituto Avanzi, ONG de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações e vice-presidente da Aerbras - Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.

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