Primeiro keylogger do mundo foi usado durante a Guerra Fria

Por Redação | 15 de Outubro de 2015 às 12h15

De tempos em tempos documentos confidenciais de órgãos do governo norte-americano perdem esse caráter e revelam novas informações sobre aparatos de inteligência do passado ou sobre esforço de guerra. Agora, um desses papéis liberados pela NSA revela o que parece ser o primeiro keylogger do mundo, utilizado por espiões russos entre os anos de 1976 e 1984 para capturar tudo aquilo que era digitado em máquinas de escrever.

Encontrado em aparelhos utilizados na embaixada norte-americana em Moscou, o dispositivo era capaz de registrar todos os toques realizados por embaixadores e outros oficiais, além de enviar as informações de forma praticamente instantânea para os espiões. O bug foi desenvolvido especialmente para ser usado em máquinas da HP, utilizadas nos órgãos oficiais ao redor do mundo, e teria sido utilizado para capturar documentos e informações confidenciais durante quase uma década, no auge da Guerra Fria.

Com exceção de espaços, hifens, tabulações e backspaces, todos os outros caracteres eram registrados pelo equipamento composto de circuitos miniaturizados e instalados de forma especialmente discreta nas máquinas de escrever. O segredo estava no rastreio de pequenas bolas que realizavam a impressão dos caracteres no papel, cada um com seu próprio código binário e, sendo assim, plenamente identificável.

O aparelhinho é tão engenhoso que somente poderia ser detectado com uma máquina de raio-X. As transmissões também eram feitas por rádio e exigiam um equipamento de recepção que precisaria estar nos arredores da embaixada. Além disso, diferentes atualizações do bug funcionavam tanto com a utilização de baterias quanto pela energia elétrica utilizada pela própria máquina, podendo ser deixados por anos em operação sem serem percebidos. Bastava uma instalação física, que poderia ser feito antes mesmo do equipamento chegar às mãos do usuário, para que tudo permanecesse funcionando por um longo tempo.

Sendo assim, nem mesmo a NSA sabe precisar ao certo o impacto que os bugs tiveram sobre os serviços de inteligência durante a Guerra Fria. Nos documentos, o próprio governo dos EUA elogia a engenhosidade dos russos e aponta a existência até mesmo de atualizações, que poderiam ser feitas em dispositivos já instalados, novamente, sem que sejam percebidos. Uma das mudanças, por exemplo, permitia o desligamento do aparato caso os russos soubessem que uma inspeção estava para acontecer.

Pelo menos 16 máquinas de escrever estavam “infectadas” com o bug. Elas estavam em um lote de mais de 10 toneladas de equipamentos que foram enviadas da Rússia para os Estados Unidos durante e depois da Guerra Fria, seja para análise ou desativação. Os aparelhos foram descobertos em 2012.

Fonte: Ars Technica

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