Por que as VPNs são proibidas na China?

Por Carlos Dias Ferreira | 18 de Julho de 2018 às 17h13
Satoshi Kambayashi

A China mantém atualmente uma das censuras de internet mais rígidas do planeta, com bloqueio a sites como Facebook, Twitter, Instagram e a praticamente qualquer serviço do Google. Entretanto, ainda havia uma via de acesso: uma brecha na Grande Muralha Virtual chinesa que permitia a um cidadão ganhar acesso à internet de forma razoavelmente irrestrita.

Mas isso se tornou ainda mais difícil no início deste ano, quando o governo impôs às três únicas provedoras de internet atuantes no país (todas estatais) que proibissem a utilização de VPNs – ou redes virtuais privadas, na sigla em inglês. E há pelo menos dois bons motivos para que essa medida tenha sido tomada.

Acesso a conteúdo censurado

A primeira das razões – e possivelmente a mais óbvia – é que redes VPN podem servir como porta de acesso ao mundo exterior. Isso porque a vigilância sobre qualquer conexão utilizando essa forma de acesso acaba invariavelmente em um beco sem saída.

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Ao juntar processos de criptografia a tecnologias de tunelamento, uma rede VPN acaba formando um fluxo único e indistinto de dados que dificilmente poderia ser vigiado por algum “boi na linha”. Isso porque a massa bruta de informações em tráfego não serve para nada a menos que seja descriptografada, o que só ocorre na outra extremidade da conexão (também privada). Dessa forma, torna-se impossível, por exemplo, rastrear uma pesquisa a um usuário específico.

Ao utilizar criptografia e tunelamento para o tráfego de dados, VPNs tornam praticamente impossível vigiar uma conexão em particular.

Roupa suja se lava em casa

Conforme apontou o site Gizchina, o governo chinês trava atualmente uma batalha para manter suas disputas políticas dentro de seus limites geográficos – onde são muito mais fáceis de vigiar e, eventualmente, de neutralizar. Ocorre que as VPNs serviam tanto aos detratores quanto aos promotores do partido comunista como uma via de acesso ao mundo exterior, em que jornalistas ávidos por uma boa história podem ajudar a botar lenha na fogueira.

Isso seria inadmissível, é claro. Ainda que nem toda a propaganda vazada para além das fronteiras seja considerada danosa à soberania, não é de bom tom permitir que batalhas político-ideológicas sejam travadas diante da comunidade internacional – com a possibilidade constante de que segredos vitais acabem encontrando ouvidos “dissidentes”.

Embora ainda seja possível encontrar internet afora VPNs que, em teoria, podem operar em território chinês, é fato que a nova legislação torna ainda mais difícil ultrapassar o Great Firewall governamental a qualquer um que não tenha uma licença. Até porque, além das dificuldades técnicas, é de se esperar que qualquer um que seja pego fornecendo acesso a uma VPN seja punido de forma exemplar.

Fonte: Gizchina

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