Para Eugene Kaspersky, ainda vivemos a idade média da cibersegurança

Por Rafael Romer | 28 de Agosto de 2015 às 09h46
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

De Santiago, Chile

Para o CEO da companhia de cibersegurança Kaspersky, Eugene Kaspesky, o mundo ainda vive em sua "idade-média" quando o assunto é cibersegurança. De acordo com o executivo, a velocidade de inovação no setor da tecnologia e competição pelo lançamento de novos produtos e sistemas fazem com que as arquiteturas que possuímos atualmente sejam entregues de forma incompleta quando o assunto é segurança, o que caracteriza o atraso da idade média.

"Esse é um dos motivos pelo qual nós vivemos em um ciberespaço inseguro. Se você estiver atrasado e gastar mais tempo na segurança, o competidor vai te derrotar. É isso que eu chamo da ciber idade média", explicou.

Na avaliação do especialista, nós só avançaremos para a próxima era quando aprendermos a usar o tempo necessários para construirmos a inovação em plataformas seguras e de forma segura. "No futuro nós teremos uma rede segura, sistemas operacionais seguros e softwares seguros", opinou.

Kaspersky

Para Eugene Kaspersky, só evoluiremos quando tomarmos o tempo necessário para inovar com segurança (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Durante uma conferência para a imprensa latino-americana, em Santigado, no Chile, o executivo falou sobre os tipos de ameaças que enfrentamos hoje e fez algumas previsões sobre novos desafios de segurança que deverão ganhar espaço nos próximos anos. Segundo Kaspersky, o tipo mais grave de cibercrime enfrentado atualmente é o que tem foco na sabotagem. Diferente das ameaças que têm como meta o roubo de dinheiro ou de dados, a cibersabotagem é o "ápice" das ameaças digitais e tem como objetivo a destruição ou paralisação de empresas ou seus ativos.

Com o avanço da tendência da Internet das Coisas, esse tipo de ameaça deve se tornar ainda mais grave com o aumento do número de dispositivos conectados à web, o que deverá tornar a web mais fragmentada e mais fácil de explorar com ataques. O CEO citou como exemplo o caso divulgado no começo deste ano de um ataque de sabotagem que conseguiu danificar sistemas de operação de uma metalúrgica alemã de forma remota, causando danos físicos nos equipamentos da fábrica. "No futuro nós vamos ver mais ataques desse tipo, então nós temos que estar prontos para encontrar e entender a natureza deles antes que aconteçam", afirmou.

Outra tendência que deve se ampliar é a da ciberespionagem, que também deve ganhar espaço com o aumento da complexidade das redes. Segundo Kaspersky, "mais nações" deverão começar a utilizar a prática internacionalmente, e afirmou que a empresa recentemente começou a identificar um número maior de ataques de ciberespionagem em línguas como espanhol, árabe e coreano - enquanto há poucos anos os idiomas mais observados eram o inglês e o russo.

Essa tendência pode ser, inclusive, uma ameaça à própria democracia nos próximos dez ou quinze anos, na opinião do especialista. Para Kaspersky, o futuro da democracia só é possível se os países começarem a implementar plataformas de votos online, já que as gerações mais jovens só vão ter interesse no processo eleitoral se tiverem a opção de votar online.

"A solução é uma votação online segura, baseada em uma autenticação biométrica, um novo tipo de identidade virtual", explicou. "E deverão existir sistemas que comprovem que o votante é uma pessoa e que ela só votou uma vez e sistemas para coletar os votos anônimos. E eles não poderão compartilhar dados. É um pouco caro, mas é possível fazer".

Mas as ameaças não vão parar de se diversificar para o consumidor final. Na avaliação do especialista, o próximo grande alvo de ataques hackers deverão ser os televisores inteligentes. Para Kaspersky, as Smart TVs deverão se tornar um novo centro de consumo em breve e controles remotos poderão vir como botões para comprar automaticamente um produto que aparecerá na televisão.

Isso significa que os equipamentos também passarão a ter dados sensíveis dos consumidores, como endereço e número de cartão de crédito, o que, na avaliação de Kaspersky, já é potencial o suficiente para os atacantes. "É possível ganhar dinheiro ou roubar dados pessoais desse dispositivo?", questionou. "Se a resposta for 'sim', então haverá ataques para esses dispositivos". Segundo o executivo, sua empresa inclusive já desenvolveu um projeto piloto para proteção de Smart TVs, mas não deverá soltar o produto enquanto não houver uma ameaça verdadeira.

*O repórter viajou a convite da Kaskersky

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